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Por que Nossa Senhora é Rainha?

Nossa Senhora Rainha preside, dirige e rege tudo quanto sucede no Céu! Conhece, também, o que acontece com todas as criaturas da Terra.

Redação (20/08/2020 13:46, Gaudium Press) Após a Assunção de Nossa Senhora ao céu, chegou o momento da coroação. Quer dizer, Ela ia ser coroada como Rainha dos Anjos e dos Santos, do Céu e da Terra, pela Santíssima Trindade. Mas em que consiste esse título de Rainha?

Maria possui em plenitude as insígnias do poder régio: sua majestade supera em muito a de qualquer monarca, é suprema; sua autoridade não depende da aclamação dos homens, é soberana; seu império se exerce sobre os Céus e a terra, as potestades angélicas e os seres humanos, é absoluto. Ela faz tudo quanto quer, quando quer e como quer. Trata-se, portanto, de uma realeza que emana da realeza divina.

Convém a um rei ser filho de uma rainha. Com efeito, seu Divino Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo é Rei por direito de herança, sendo o unigênito Filho de Deus e por Este foi constituído como herdeiro universal, recebendo o poder sobre toda a criação, no mesmo dia em que foi engendrado.

Rei por ser Homem-Deus, sendo Ele próprio Deus e, por isso, tudo foi feito por ele, o Criador de todas as coisas visíveis e invisíveis; Senhor absoluto de toda existência, do Céu, da Terra, do Sol, das estrelas, das tempestades, das bonanças. Entretanto, para ser Rei dos homens é indispensável ser homem. Deus não encarnado é Senhor, Deus feito homem é o Rei.

Se Cristo é Rei por ser Homem-Deus e recebeu o poder sobre toda a Criação no momento em que foi engendrado, daí se deduz ter sido realizada, no puríssimo claustro maternal de Maria Virgem, a excelsa cerimônia da unção régia que elevou Cristo ao trono de Rei natural de toda a humanidade. O Verbo assumiu de Maria Santíssima nossa humanidade, e, assim, adquiriu a condição jurídica necessária para ser chamado Rei com toda a propriedade. Portanto, a realeza de Nossa Senhora resulta do fato de ser Ela a Mãe do Rei.

Nossa Senhora Rainha dos homens e da vontade divina

Por uma especialíssima predileção, Nossa Senhora participa dessa realeza de modo sui generis. Após a Encarnação e durante a gestação, Nosso Senhor Jesus Cristo estava em relação a Sua Mãe Maria Santíssima numa dependência completa, como está o filho no claustro materno, o qual não tem vontade própria, mas depende inteiramente da mãe. Depois que nasceu, a obediência e a união de Jesus com seus pais continuou. Quer dizer, Nossa Senhora foi tendo uma autoridade materna cada vez mais enriquecida em relação a Nosso Senhor, até o momento d’Ele morrer.

Deus como que Se entregou inteiramente a Ela e confiou-Lhe o cetro de seu poder, para que governe a criação, a História e – oh, mistério insondável! – a Ele mesmo. A este título, pode-se afirmar que, por um sublime arcano, Nossa Senhora é Rainha até da vontade divina, gozando de uma audiência onipotente ante o trono do Altíssimo. Tudo está sob seus pés, e a Trindade Se compraz em ser regida por sua Filha, Mãe e Esposa.

Isso supõe da parte de Nossa Senhora uma entranhada união com as Três Pessoas Divinas: em Deus e em Maria pulsam um mesmo Coração e uma mesma vontade. É como se o Todo-Poderoso lesse no Coração Imaculado esta sentença: “Sem Mim nada podeis fazer” (Jo 15, 5). O Criador Se submeteu de tal maneira à Virgem que, por assim dizer, sem Ela nada pode fazer. Este é o esplendor da realeza e do poder de Nossa Senhora Rainha.

De fato, a realeza de Nossa Senhora abrange inúmeros títulos, mas, sendo impossível abarcar a todos neste artigo, nos ateremos a alguns.

Nossa Senhora Rainha da Paz

O que é a paz?

Santo Agostinho definiu um mundo em paz, apresentando uma imagem magnífica do respeito, da ordem, do bem-estar da alma e do corpo.

“Imaginai um reino onde o rei e os súditos, os generais e os soldados, os pais e os filhos, os professores e os alunos são católicos e procedem de acordo com a Doutrina Católica! Vós tereis a ordem humana perfeita. Ordem de paz, de glória, de sabedoria, de esplendor, de felicidade”.

Por conseguinte, a verdadeira paz é a tranquilidade da ordem, segundo São Tomás de Aquino. Nossa Senhora é Rainha da Paz, pois favorece que tudo esteja em ordem, de acordo com a vontade de Deus.

Nossa Senhora Rainha dos Apóstolos

Nossa Senhora, pela união estreitíssima com a Santíssima Trindade verificada em Pentecostes, Se constituiu no desdobramento perfeito e completo das Três Divinas Pessoas para a Igreja, para o mundo e para a História. Portanto, Rainha e Mãe da Santa Igreja Católica. Porém, na Igreja, Ela não possui um cargo especial de jurisdição.

Seu Filho Lhe confiara a responsabilidade de cuidar da Igreja nascente e de sustentar o Corpo Místico de Cristo, de maneira que Nossa Senhora intensificou suas orações por ela e pelos Apóstolos.

Eles começaram a voltar os olhos para a Mãe de Jesus, discernindo n’Ela a guia e protetora da Igreja que dava seus primeiros passos. Cabia a Maria ser o sustento de todos. Assim, percebendo que eles ainda mantinham uma visão terrena do Reino de Cristo, julgou ser sua obrigação mais premente preparar aquelas almas para a descida do Espírito Santo.

E a todos transmitia a certeza da vitória, fortalecendo-os na virtude da esperança e na compenetração da presença contínua de Jesus junto a cada um. Ainda antes de Pentecostes, aqueles homens e mulheres tão débeis começavam a se sentir transformados pela ação da graça e quase arrebatados pelo amor de Maria.

A missão pública e militante do Corpo Místico de Cristo germinou do entranhado vínculo de amor entre Nossa Senhora e os Apóstolos. Se a Rainha e Mãe da Igreja não acalentasse a frieza daquelas almas com seu amor abrasadíssimo, elas jamais se lançariam a pregar o Evangelho.

A Rainha dos Apóstolos é uma tocha sempre em chamas, com a qual Jesus deseja purificar o mundo, retribuindo a cada um conforme as suas obras (cf. Ap 2, 23).

Mediação de Nossa Senhora

Estabelecia-se a necessidade da mediação d’Ela junto a Deus, enquanto único elo capaz de unir as criaturas racionais à Santíssima Trindade. Nossa Senhora possui o especialíssimo dom, ligado à Maternidade Divina, de elevar a natureza humana e introduzi-la nos mistérios de Deus. Por meio d’Ela o Verbo Eterno desceu à terra, e somente por meio d’Ela os homens, e até mesmo os Anjos, poderiam subir ao mais alto dos Céus e ser divinizados pela graça.

Não obstante, seria um erro imaginar que Nossa Senhora tenha mudado seu modo de ser, passando a agir como sucessora de seu Filho ou deixando transparecer qualquer sentimento de arrogante superioridade. Ela acedia a essa devoção aos poucos, conservando sempre muita modéstia. Em nenhum momento assumiu um papel de autoridade, mas manteve-Se na clave de maternalidade e discrição próprias ao gênero feminino que A caracterizava. Tratava todos os apóstolos como uma Mãe, preocupando-Se com cada um e os aconselhando constantemente, com extrema simplicidade, inigualável elevação e bondade sem limites.

Nossa Senhora Rainha dos Anjos

Os próprios espíritos angélicos, comenta um ilustre autor, diante de tamanha formosura se perguntaram uns aos outros: “Quem é esta que sobe do deserto, inebriada de delícias (Cânt 8, 5)? E, se ainda quando Maria andava como peregrina pelos ásperos caminhos deste vale de misérias, os anjos Lhe serviam de criados e ministros, que não farão agora, vendo-A ascender da Terra ao Céu, e aí colocada magnificamente sobre todas as suas ordens e coros? Reconhecendo-A por Rainha, dançam em sua presença os Anjos, aplaudem-Na os Arcanjos, as Virtudes A glorificam, os Principados A enaltecem, regozijam-se as Dominações e as Potestades, festejam-Na os Tronos, cantam-Lhe louvores os Querubins e celebram seus privilégios os Serafins!”.

Festa no céu

A festa de coroação foi o auge total e pleno de alegria. Ela foi coroada como Rainha por ser Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo, Filha do Padre Eterno e Esposa do Divino Espírito Santo.

Foi conduzida a um lugar muito alto no Céu, contíguo ao trono da Santíssima Trindade. Ali, bem a seu lado, Jesus indicou à sua Mãe o trono que Lhe fora preparado por Deus desde toda a eternidade. Compondo a inigualável cena, comenta Dr. Plinio: “Nesse instante, todas as gloriosas perfeições da Mãe de Deus brilharam de modo ímpar: a bondade imensurável, a suavidade, a soberania, o domínio, o atrativo, a virginal firmeza, tudo se manifestou de maneira fulgurante, misteriosamente reluzindo e se acentuando, acentuando-se e reluzindo, para maravilhamento dos Anjos e dos Bem-Aventurados que então A contemplavam na eternidade…”

O que são as coroações de reis e rainhas na terra, o que é até mesmo a entronização de um Papa, perto da cerimônia realizada pelas miríades de Anjos e Bem-Aventurados em glorificação da Rainha do Universo?

Quanta grandeza e esplendor, quanta sacralidade e perfeição! Todos os atos se sucediam de maneira extraordinária, com precisão absoluta!

A cerimônia prolongou-se por vários dias, se pudesse ser medida no tempo dos homens, e consistiu em inúmeros cortejos, desfiles e cânticos. Milhões e milhões de Anjos formavam o coro e a orquestra. Tocavam instrumentos diferentes e cantavam melodias inefáveis!

Coroação de Nossa Senhora

Chegado o momento oportuno, deu-se a coroação. O próprio Nosso Senhor Jesus Cristo portava a coroa em suas mãos. Era magnífica e nada neste mundo poderia servir-lhe de comparação! Nela estavam retratados o Céu e a terra: uma parte representava os Anjos, outra, os Santos, e uma terceira, a Santíssima Trindade. No meio se alçava a Cruz de seu Divino Filho, a cujos pés floresciam três lírios.

Jesus aproximou-Se de Nossa Senhora. O Padre Eterno e o Espírito Santo a Ele Se uniram erguendo a coroa. O Padre Eterno então Lhe disse, indicando alguns tronos que ainda permaneciam vazios:

— Minha Filha, o Céu só se completará quando estes tronos estiverem preenchidos por aqueles que nascerão da árvore da Cruz de meu Filho. Isso se dará apenas nos dias benditos do fim do mundo. Vós sereis a Mãe de todos eles, e vossa principal missão no Céu consistirá em ampará-los e protegê-los.

Nossa Senhora Rainha

A realeza de Maria ostenta, portanto, um caráter de vitória sobre o mal, bem como de proteção, amparo e estímulo a seus filhos na luta contra o demônio, o mundo e a carne. Como observa Dr. Plinio, esse privilégio de Nossa Senhora reafirma que “seu calcanhar mais uma vez esmagará a cabeça da serpente, quebrará o domínio do demônio, e Ela, como triunfadora, implantará seu Reino sobre as vastidões da terra”.

Essa será uma era de pureza e santidade, que trará a restauração da inocência nos corações e a perfeita ordenação dos atos humanos e das relações sociais em função de Deus e de sua santa Lei. Quem poderá vislumbrar a glória de Maria Rainha?

Quem será capaz de imaginar os dons com que foi cumulada pela Santíssima Trindade em sua coroação? “Se Deus prometeu a Si mesmo como a recompensa demasiadamente grande reservada àqueles que O amam, confundidos ficamos se procuramos excogitar quão grande e quão demasiado houve de ser esse prêmio para a criatura que O revestiu de sua própria carne, O cumulou de solicitude e ternuras maternais, e O amou de um amor incomensurável, inexcedível”.

Voltemos, assim, os nossos olhos a Nossa Senhora Rainha do Universo cuja glória esplendorosa  irradiar-se-á por toda a terra nos dias de seu reinado, pedindo: “Ó minha Mãe, Vós sois Rainha. Reinai em minha alma. Eu reconheço o vosso direito e procuro atender às vossas ordens. Dai-me força de vontade e espírito de renúncia para que as vossas ordens sejam efetivamente obedecidas por mim. Ainda que o mundo inteiro se revolte e Vos negue, eu Vos obedeço.”.

Texto extraído, com adaptações, das seguintes publicações:

MONS. JOÃO SCOGNAMIGLIO CLÁ DIAS, EP. O Paraíso de Deus revelado aos homens. Parte II e III

PLINIO CORRÊA DE OLIVEIRA. Conferências de 31/5/1972,  31/5/1974 e 31/5/1975

 

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