Por que nos odeiam?
Os católicos que levam a sério sua fé tornam-se alvo de ódio do mundo. Por quê? Tertuliano responde a essa questão, tão atual hoje como no tempo dos mártires de Roma.
Redação (01/03/2026 18:20, Gaudium Press) Magistrados do Império Romano, que presidis aos tribunais da justiça em lugar tão visível e elevado, no próprio cume da Urbe: se não podeis investigar abertamente e examinar em público o que há de certo na causa aberta contra os cristãos; se tão somente neste caso particular vossa autoridade envergonha-se ou teme indagar publicamente com a diligência própria da justiça; se finalmente, como há pouco aconteceu, demasiado ocupados em juízos domésticos, permitis que o rancor contra nosso grupo de seguidores de Cristo feche a boca à defesa de nossa causa: deixai ao menos que a verdade chegue a vossos ouvidos pelo caminho oculto deste silencioso livro.
A verdade nada pede para si, porque tampouco se admira de sua condição. […] Entretanto, só suplica uma coisa: não ser condenada sem ser conhecida. […]
A primeira acusação que vos fazemos é a injustiça de vosso ódio ao nome “cristão”. Semelhante iniquidade vem agravada e ratificada pelo mesmo motivo que deveria escusá-la: vossa ignorância. Haverá, com efeito, algo de mais perverso que odiar o que se ignora, ainda que tal coisa mereça ser odiada? Uma coisa é digna de ódio quando se sabe que ela o merece. Se não se tem conhecimento de que o ódio é merecido, o que poderá justificá-lo? […] Mas preferem a ignorância, porque já foram conquistados pelo ódio! […]
A natureza oculta o mal por pudor ou vergonha. Os malfeitores procuram esconder-se; evitam aparecer; temem ser descobertos; negam quando são acusados; nem sequer confessam ao ser torturados, ou, pelo menos, não o fazem com facilidade; envolve-os a tristeza quando são condenados; volta-se contra eles a sua própria e má consciência; atribuem sua covardia ao destino ou aos astros. Não admitem como seu o que reconhecem como mau.
Fazem algo parecido os cristãos? Nenhum deles se envergonha de ser cristão; nenhum se arrepende, a não ser de não o ter sido antes. […] Que classe de mal é este do qual se alegra o réu, a acusação é desejada e a pena é uma vitória?
Extraído de: TERTULIANO. Apologético, cap. I.






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