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Policiais armados interrompem Missa em igreja de Paris

De acordo com a legislação vigente, a polícia não pode ingressar em um templo, a não ser que haja uma ameaça à ordem pública.

França – Paris (24/04/2020 16:00, Gaudium Press) O caso ocorreu na Paróquia Santo André da Europa, no último domingo, 19 de abril, durante uma Santa Missa presidida pelo Padre Philippe de Maistre. A celebração contava com a participação de apenas sete pessoas.

O Sacerdote é a autoridade dentro da igreja

“Eu, um acólito, um cantor, um organista e três paroquianos para dar as respostas [da missa] e fazer as leituras. No meio da Missa, três policiais armados ingressaram na igreja. Mas a autoridade em uma igreja é do sacerdote. Além dos bombeiros, a polícia não pode entrar, caso não tenha sido chamada pelo sacerdote”, expressou o Padre De Maistre com a voz ainda tomada pela forte impressão.

De acordo com a legislação vigente, a polícia não pode ingressar em um templo, a não ser que haja uma ameaça à ordem pública, o que seria muito difícil de se sustentar na quase solitária missa dominical do Padre De Maistre.

Arcebispo de Paris: é necessário manter a cabeça fria e parar esse circo

O Arcebispo de Paris, Dom Michel Aupetit, se pronunciou sobre o fato em um programa na Rádio Notre-Dame. “Os policiais entraram armados na igreja. Entretanto, existe uma proibição formal aos policiais de entrarem armados em uma igreja. Não havia terroristas! É necessário manter a cabeça fria e parar esse circo. Caso contrário, vamos tomar a palavra e (…) gritar bem forte!”.

Atitude agressiva dos policiais

De fato, a atitude dos policiais foi agressiva demais, segundo o relato do sacerdote oficiante. “Optei por continuar a Missa, mas a polícia ordenou que parássemos. O chefe dos policiais exigiu que eles ‘multassem ao senhor’ -eu- e deixei meus ajudantes procederem. Meu acólito, ele mesmo policial, desceu para dialogar com eles. Mas partiram vinte minutos depois de terem exigido que os três paroquianos saíssem”. Depois dos fatos, houve uma amável conversa com o comissário da polícia da região.

Missa clandestina?

O sacerdote comentou que escutou depois dos fatos uma mensagem em sua caixa postal que gritava: “Missa clandestina em Santo André!”, algo que não ocorria, pois não havia violação normativa dado que as portas do templo permaneceram fechadas.

“Missa clandestina”, a expressão mereceu comentário posterior feito pelo Arcebispo de Paris. “Estamos em uma época que recorda certos períodos da França não muito felizes, como a Ocupação”, referindo-se ao domínio exercido pela Alemanha no país galês de 1940 a 1944.

Ministério do Interior francês se pronuncia

O Ministério do Interior francês foi consultado por ‘Le Figaro’ sobre o que está permitido nestes casos. O órgão do governo afirmou que “um ofício pode ser celebrado por um ministro de culto, mas à portas fechadas, a fim de ser transmitido pela internet. O ministro de culto pode ser acompanhado por algumas pessoas, se necessário, mas em um número o mais restrito possível, para proceder ao registro da cerimônia”. (EPC)

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