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Perder a guerra, para ganhar a paz?

Comentários à Liturgia do II Domingo da Páscoa.  Não será que por detrás de muita bandeira branca, ostentando a pomba de mesma cor, está a negra ave de rapina que deseja a ruína dos valores morais que o cristianismo sempre ensinou e defendeu?

Redação (10/04/2021 12:14, Gaudium Press)

Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-Se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco”. (…) Novamente, Jesus disse: “A paz esteja convosco. Como o Pai Me enviou, também Eu vos envio”. (…) Oito dias depois, encontravam-se os discípulos novamente reunidos em casa, e Tomé estava com eles. Estando fechadas as portas, Jesus entrou, pôs-Se no meio deles e disse: “A paz esteja convosco”. (Jo 20, 19. 21. 26)

Por três vezes o Ressuscitado, aparecendo aos seus discípulos, deseja-lhes a paz; se é que o verbo “desejar” se aplica às palavras tão imperativas do Homem-Deus, que pode de fato conceder a paz a quem queira e quando queira.

Não é difícil imaginar que os Apóstolos tenham sido invadidos por verdadeiros sentimentos de tranquilidade e de paz, em oposição aos de medo e agitação que pervadiam o cenáculo antes da gloriosa aparição.

***

Certa vez, vi num mural de colégio um cartaz que continha, em letras garrafais e inconfundivelmente infantis, a seguinte frase: “PREFIRO PERDER A GUERRA, PARA GANHAR A PAZ!”.

Qual é o futuro de uma sociedade assim formada desde a primeira infância? – pensei – é um bem incontestável o condenar a violência, o ódio infundado, a agressão bestial; mas o que se ensina e se defende hoje é ser pacifista, e não ser pacífico.

Não são sinônimos?

Se consideramos a paz como ela o é, de fato; como Santo Agostinho esplendidamente a definiu: “a tranquilidade da ordem”[1], …não! não são sinônimos.

É preciso, pois, saber distinguir entre pacifistas e pacíficos.

A estes últimos, Nosso Senhor prometeu, no Sermão das bem-aventuranças, um prêmio admirável: “serão chamados filhos de Deus”. O varão pacífico é aquele que ama a paz. E a paz verdadeira. Pelo contrário, o pacifista tem pouco amor a qualquer tranquilidade, venha ela da ordem ou da desordem. E, no fundo, ele prefere a desordem. Se fala em paz, é como pretexto para iludir e imobilizar os varões pacíficos, adeptos da ordem.[2]

“A Paz! É preciso comprá-la a qualquer preço! Sacrifique-se toda e qualquer ideologia, sã ou perversa; pois na “harmonia” entre uma e outra encontraremos a desejada paz. Nada de doutrinas pontiagudas e restritivas. Por que não combinar os aspectos mais benéficos de tudo quanto se pensa e se faz num só sistema ideológico, numa só religião? Solucionam-se os conflitos, acalmam-se os ânimos…” é o que dizem os pacifistas, não é, inteiramente, o que pensam.

No fundo: “curve-se o bem diante do mal e a verdade diante do erro, e não mais haverá moléstia ou infortúnio. Perca a guerra, caro defensor da ‘boa moral’, ganhe a paz!” – é o que querem dizer. Como se a solução para um país em guerra contra o outro fosse ceder suas terras, sua cultura, sua história e a liberdade de seus habitantes em prol de uma “paz” louca, de um exílio perpétuo nas próprias terras, de uma escravidão arbitrária…

Entretanto, quão tentador é para os filhos de Deus o perder a guerra, para ganhar a “paz”, que o demônio e o mundo tanto prometem!

Ora, não será que, por detrás de muita bandeira branca, ostentando a pomba de mesma cor, está a negra ave de rapina que deseja a ruína dos valores morais que o cristianismo sempre ensinou e defendeu?

O estandarte da única autêntica paz, que é a paz de Jesus Cristo, não pode estar em outras mãos que não as da Santa Igreja. Sobretudo não pode estar nas mãos dos falsos promotores da paz. Como disse certo pensador: “A paz é uma causa demasiadamente bela, demasiadamente justa e demasiadamente nobre para ser deixada em mão dos pacifistas”.[3]

Que a paz de Cristo esteja conosco!

Por Afonso Costa


[1] SANTO AGOSTINHO. De Civitate Dei. L.XIX, c.13, n.1. In: Obras. Madrid: BAC, 1958, v.XVI-XVII, p.1398.

[2] Cf. CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio. Contradições desinibidas. Folha de S. Paulo. 5 ago 1973.

[3] CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio. In: “El Reaccionario”, Chile, Ano V, n. 11.

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