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Pequeno Ofício de Nossa Senhora: a mais bela oração à Imaculada Conceição

Por quem foi escrito? Qual a sua história? Como rezar? Saiba mais sobre esse famoso Ofício rezado em honra de Nossa Senhora da Conceição.

O autor do Ofício da Imaculada Conceição

Redação (Segunda-feira, 06-04-2020 [atual. 10/08/2020], Gaudium Press) Depois de muito compulsar arquivos e fontes históricas, o Pe. Colin, biógrafo de Santo Afonso Maria de Ligório, concluiu ter sido Fr. Bernardino de Busti (1450-1513), grande e ilustre pregador franciscano, o autor do Pequeno Ofício da Imaculada Conceição.

Oriundo da família patrícia dos Busti, de Milão, fez nesta cidade seus primeiros estudos, concluindo a jurisprudência em Pavia. Em 1475 ingressou na Ordem dos Frades Menores, na qual se destacou pelo exemplo de suas virtudes e pelo brilho de sua inteligência.

Filósofo e teólogo, versado igualmente no Direito eclesiástico e civil, Fr. Bernardino de Busti distinguiu-se, outrossim, como apóstolo e escritor, particularmente mariano. A fecundidade de seu espírito fez vir a lume diversas obras, sendo a maior e a mais difundida o Mariale de singulis festivitatis Beatæ Virginæ Mariæ, composto em 1492, frequentemente citado pelos autores eclesiásticos. No tocante à Imaculada Conceição, publicou nove sermões, além de seu Officium et Missa de Immaculata Conceptione.

Morreu Fr. Bernardino, em fama de santidade, entre os anos de 1513 e 1515 (provavelmente no dia 8 de maio de 1513), no Convento de Santa Maria della Misericordia, em Melegnano (Lombardia). Não tardou que a devoção popular — vox populi Dei — o proclamasse bem-aventurado.[1]

História do Pequeno Ofício de Nossa Senhora

Não obstante a virtuosa penumbra em que se deixou ficar seu autor, o Pequeno Ofício se difundiu largamente pelo orbe católico.

Entre os que para tal cooperaram, encontra-se especialmente Santo Afonso Rodríguez, S. J., natural de Segóvia (Espanha). Ardoroso devoto da Santíssima Virgem, este insigne jesuíta recebeu com júbilo o saltério mariano, que considerava o mais belo hino de louvor à Imaculada Soberana. […]

Quando porteiro do colégio de Mallorca, na qualidade de irmão coadjutor da Companhia de Jesus, Santo Afonso Rodríguez não esperou o convite da Mãe de Deus para difundir entre seus conhecidos a prática desta devoção mariana.

Sempre que lhe permitiam suas funções, recomendava a todos o Pequeno Ofício como meio de honrar especialmente a Santíssima Virgem.[2] Nos momentos de folga, transcrevia de próprio punho esta oração e a distribuía entre os alunos do colégio, ensinando-lhes, ao mesmo tempo, o modo de recitá-la. Deste piedoso apostolado não excluiu seus irmãos de hábito, estendendo, assim, a prática do Pequeno Ofício às demais casas da Companhia de Jesus.

Faleceu Santo Afonso Rodríguez em outubro de 1617, depois de estarem coroados seus esforços.

Grande divulgador do Ofício de Nossa Senhora

Menor não foi o exemplo de Santo Afonso de Ligório, Doutor da Igreja e Fundador da Congregação do Santíssimo Redentor (CSSR), jurando defender com sua própria vida o privilégio da Imaculada Conceição.

Desde o momento em que conheceu o Pequeno Ofício, passou a rezá-lo todos os dias. Segundo abalizados autores, certa feita a Santíssima Virgem apareceu a Santo Afonso, agradecendo-lhe e aprovando a recitação das piedosas Horas.

Em seguida, ordenou-lhe que as escrevesse e as difundisse.[3] Também as Congregações Marianas concorreram de modo relevante para a propagação deste Ofício. Muitos sodalícios possuíam sua própria edição e o recitavam em todas as reuniões.

Modo de rezar o Ofício de Nossa Senhora

O Pequeno Ofício da Imaculada segue as divisões tradicionais do grande Ofício Divino, cuja recitação distribui pelas diversas horas do dia o saltério do Rei e Profeta David, que dizia: “Sete vezes ao dia, ó Senhor, eu te dirigi louvores.”

Consoante os cânones do Breviário, assim se reparte:

Matinas: antes da aurora

Prima: às 6 horas

Tércia: às 9 horas

Sexta: às 12 horas

Noa: às 15 horas

Vésperas: ao entardecer

Completas: à noite

Embora possa ser rezado todo de uma só vez, é louvável seguir essa divisão que renova, durante o dia, a lembrança e os excelsos louvores a Maria Santíssima.

Se recitado em coro o Pequeno Ofício, deve-se fazê-lo por inteiro, em tom condizente com o local e o número de pessoas que nele tomam parte. A pronúncia deve ser clara, distinta, bem inteligível e em uníssono, para que possa incutir devoção aos que rezam e aos que ouvem.

Às palavras: “Entoai agora, lábios meus”, traça-se, com o polegar direito, um sinal da cruz nos lábios.

Em Completas, ao dizer-se: “Converta-nos Jesus”, o sinal da cruz deve ser no peito, com o referido polegar.

Todas as vezes que se diz: “Em meu socorro vinde já, Senhora”, fazse o sinal da cruz completo.

Os Hinos costumam ser rezados de pé. O Oremos final de cada Hora, de joelhos, bem como o oferecimento e orações depois do Ofício.

Este pequeno cerimonial, embora sem obrigatoriedade, leva-nos a atender o desejo da Santa Madre Igreja de que se reze o Ofício dignamente, com piedade e atenção.

Indulgências[4] deste Ofício a Nossa Senhora

Coube ao imortal Pontífice Pio IX, o Papa da Imaculada Conceição, a honra de consagrar mundialmente o Ofício Menor.

A pedido de Mons. Carlos F. Rousselet, Bispo de Sée (França), concedeu 300 dias de indulgência à recitação destas Horas. Do mesmo modo, concedeu Pio IX 100 dias de indulgência a quem rezasse a antífona “Esta é a Virgem” com o verseto, o responso e a oração.[5]


O Pequeno Ofício da Imaculada Conceição

Matinas

V. Entoai agora, lábios meus,

R. Glórias e dons da Virgem Mãe de Deus.

V. Em meu socorro vinde já, Senhora.

R. Do inimigo livrai-me, vencedora.

Glória ao Pai…

Hino

Salve, ó Virgem Mãe, Senhora minha,

Estrela da Manhã, do Céu Rainha.

Cheia de graça sois; salve, luz pura,

Valei ao mundo e a toda criatura.

Para Mãe o Senhor Vos destinou

Do que os mares, a Terra e Céus criou.

Preservou Ele a vossa Conceição

Da mancha que nós temos em Adão. Amém.

V. Deus A escolheu e predestinou.

R. No seu tabernáculo A fez habitar.

V. Protegei, Senhora, a minha oração.

R. E chegue até Vós o meu clamor.

Oremos. Santa Maria, Rainha dos Céus, Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo e Dominadora do mundo, que a ninguém desamparais nem desprezais; ponde, Senhora, em mim, os olhos de vossa piedade e alcançai-me de vosso amado Filho o perdão de todos os meus pecados, para que, venerando agora afetuosamente a vossa Imaculada Conceição, consiga depois a coroa da eterna bem-aventurança: por mercê do mesmo vosso Filho Jesus Cristo, Senhor nosso, que com o Padre e o Espírito Santo vive e reina em unidade perfeita, Deus, pelos séculos dos séculos. Amém.

V. Protegei, Senhora, a minha oração.

R. E chegue até Vós o meu clamor.

V. Bendigamos ao Senhor.

R. Demos graças a Deus.

V. As almas dos fiéis defuntos, por misericórdia de Deus, descansem em paz.

R. Amém.

Prima

V. Em meu socorro vinde já, Senhora.

R. Do inimigo livrai-me, vencedora.

Glória ao Pai…

Hino

Salve, prudente Virgem, destinada

Para dar ao Senhor digna morada.

Com as sete colunas da Escritura,

Do Templo a mesa ornou-Vos em figura.

Fostes livre do mal que o mundo espanta,

E no seio materno sempre santa.

Porta dos Santos: Eva, Mãe da vida,

Estrela de Jacob aparecida.

Sois armado esquadrão contra Luzbel;

Sede amparo e refúgio à grei fiel. Amém.

V. Ele próprio A criou no Espírito Santo.

R. E A representou maravilhosamente em todas as suas obras.

V. Protegei, Senhora, etc. (Repetem-se as mesmas orações do final de Matinas.)

Tércia

V. Em meu socorro vinde já, Senhora.

R. Do inimigo livrai-me, vencedora.

Glória ao Pai…

Hino

Sois a Arca da Aliança, o trono de Salomão,

Belo íris celeste, sarça ardente da visão.

Vós sois a Virgem florida, o velo de Gedeão,

Divino portal fechado, o favo do forte Sansão.

Convinha, pois, certamente, que a Mãe de tão nobre Filho

Não tivesse de Eva a mancha e resplandecesse com todo o brilho.

E tendo o Verbo escolhido por Mãe a Virgem casta,

Não quis que fosse sujeita à culpa que o mundo arrasta. Amém.

V. Eu moro no mais  alto dos Céus.

R. E o meu trono está sobre a coluna de nuvens.

V. Protegei, Senhora, etc. (Repetem-se as mesmas orações do final de Matinas.)

Sexta

V. Em meu socorro vinde já, Senhora.

R. Do inimigo livrai-me, vencedora.

Glória ao Pai…

Hino

Deus Vos salve, Virgem Mãe,

Vós sois o Templo da Trindade,

O puro encanto dos Anjos, agasalho da castidade.

Sois o consolo dos tristes; horto da alegria cara,

Sois a palma da paciência, o cedro da pureza rara.

Maria, terra Vós sois, bendita e sacerdotal,

Concebida e preservada sem pecado original.

Cidade santa do Altíssimo, do Céu entrada oriental,

Há em Vós, singular Virgem, toda a graça celestial. Amém.

V. Como um lírio entre os espinhos,

R. Assim a minha predileta entre os filhos de Adão.

V. Protegei, Senhora, etc. (Repetem-se as mesmas orações do final de Matinas.)

Noa

V. Em meu socorro vinde já, Senhora.

R. Do inimigo livrai-me, vencedora.

Glória ao Pai…

Hino

Cidade sois de refúgio, de torres fortalecida,

Por David entrincheirada, e de armas também munida.

Bem não éreis concebida, em caridade abrasada,

Foi do dragão a soberba, por Vós, ferida e humilhada.

Sois a bela Abigail, Judith invicta e animosa,

Fostes do vero David Mãe terna, Mãe carinhosa.

Raquel ao Egito deu prudente governador,

A Virgem das virgens deu ao mundo o seu Salvador. Amém.

V. Toda sois formosa, ó Mãe querida.

R. E a mancha original nunca tocou em Vós.

V. Protegei, Senhora, etc. (Repetem-se as mesmas orações do final de Matinas.)

Vésperas

V. Em meu socorro vinde já, Senhora.

R. Do inimigo livrai-me, vencedora.

Glória ao Pai…

Hino

Salve, regulador celeste, pelo qual

Em dez linhas foi o sol retrogradado.

A fim de encarnar-se o Verbo eterno, e ser humilhado,

E o homem, como o sol, ao Céu ser levantado.

Daquele brilhante Sol a Virgem tem o fulgor,

E qual aurora surgente refulge em esplendor.

Lírio entre espinhos, a cabeça do dragão calcando,

Qual lua bela ilumina os que no mundo vão errando. Amém.

V. Eu fiz nascer no Céu a luz que não se apaga.

R. E cobri como névoa a Terra toda.

V. Protegei, Senhora, etc. (Repetem-se as mesmas orações do final de Matinas.)

Completas

V. Converta-nos Jesus, por vosso amor.

R. E retire de nós o seu furor.

V. Em meu socorro vinde já, Senhora.

R. Do inimigo livrai-me, vencedora.

Glória ao Pai…

Hino

Salve, florente Virgem ilibada,

Meiga Rainha de astros coroada.

Mais pura que os Anjos, tendes trono

À direita do Rei, em nosso abono.

Ó Mãe da graça, nossa doce esperança,

Do mar Estrela e porto de bonança,

Porta do Céu, Saúde na doença,

De Deus guiai-nos à feliz presença. Amém.

V. Vosso nome, ó Maria, é como um bálsamo.

R. Muito Vos amam vossos fiéis servos.

Protegei, Senhora, etc. (Repetem-se as mesmas orações do final de Matinas.)

Depois do Ofício

Aceitai, ó Virgem,

Esta devoção

Em louvor da vossa

Pura Conceição.

Sede-nos na vida

Defensora e guia;

Sede-nos alento

Em nossa agonia.

Ó Mãe de bondade,

Ó doce Maria.

Antífona. Esta é a Virgem admirável, na qual não houve a nódoa original, nem sombra de pecado.

V. Na vossa Conceição, ó Virgem, fostes imaculada.

R. Rogai por nós ao Eterno Pai, cujo Filho destes ao mundo.

Oremos. Ó Deus que pela Imaculada Conceição da Virgem, preparastes ao vosso Filho uma digna morada: nós Vos rogamos que, pois em virtude da previsão da morte do mesmo vosso Filho A preservastes de toda mancha, também nos concedais que, purificados por sua intercessão, cheguemos à vossa divina presença. Pelo mesmo Jesus Cristo, Nosso Senhor. Amém.[6]


[1] Cfr. ENCICLOPEDIA CATTOLICA. Città del Vaticano: G. C. Sansoni, 1949. Vol. II. p. 1406 e DICTIONNAIRE d’Histoire et de Géographie Ecclésiastiques. Paris: Letouzey et Ané, 1935. Vol. VIII. p. 786.

[2] Santo Afonso Rodríguez foi também um ardente propagandista do Ofício Parvo de Nossa Senhora, composto em época mais remota que o da Imaculada Conceição, com base nos Salmos do Breviário. (Cfr. ROYO MARÍN, Antonio. La Virgen María, Teología y espiritualidad marianas. Madrid: BAC, 1968. p. 495.)

[3] Cfr. BÉRINGER, Les Indulgences. p. 193. Vol. I. Apud TEXIER, Les Paroles de la Sainte Vierge. Paris: H. Oudin, 1914. Vol. III. p. 308.

[4] Deixamos como no original da época, pois as indulgências foram modificadas: só há plenária e parcial.

[5] Exceto as referências indicadas pelas notas precedentes, baseia-se esta introdução na do PEQUENO OFÍCIO DA IMACULADA CONCEIÇÃO em latim e português com comentários. São Paulo: Paulinas, 1956. p. 9-18.

[6] Extraído com ligeiras adaptações de: CLÁ DIAS, João Scognamiglio. Pequeno ofício da Imaculada Conceição Comentado. 2ª. ed. São Paulo: ACNSF, v. 1, 15-24.

 

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