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Pedra de escândalo e remédio para não morrer

Nos sacrários, como na barca do mar da Galileia durante a tempestade, Jesus “dorme” e não “desperta”, nem sequer à distância…

Nos sacrários, como na barca do mar da Galileia durante a tempestade, Jesus “dorme” e não “desperta”, nem sequer à distância...

Redação (Segunda-feira, 13-04-2020, Gaudium Press) Algo muito preocupante está, com toda razão, na mente de todos… enquanto parece se ignorar o melhor remédio que, junto com as medidas de prevenção, não pode faltar: a oração, a penitência, a mudança de vida o Pão da Vida! Missas suspensas, santuários e igrejas fechadas, reuniões proibidas, a confissão e comunhão pascal, único recurso anual de muitíssimos fiéis, se tornam difíceis ou impossíveis; “Senhor, a quem vamos acudir?” (Jo 6, 69). Entretanto, nos sacrários, como na barca do mar da Galileia durante a tempestade, Jesus “dorme” e não “desperta”, nem sequer à distância…

A Eucaristia e a Cruz são pedras de escândalo

“O primeiro anúncio da Eucaristia dividiu os discípulos, assim como o anúncio da paixão os escandalizou: “Essa palavra é dura! Quem poderá escutá-la? (Jo 6, 60). A Eucaristia e a Cruz são pedras de escândalo. É o mesmo mistério, e ele não deixa de ser ocasião de divisão. “Vós também quereis deixar-me?” (Jo 6, 67) Esta pergunta do Senhor ressoa através dos séculos como convite de seu amor a descobrir que somente ele tem “as palavras de vida eterna” (Jo 6, 68) e que acolher na Fé o dom de sua Eucaristia é acolher a Ele mesmo”.

(Leia também: Santidade e Eucaristia)

A citação é do Catecismo da Igreja Católica, n° 1336, publicado no pontificado de São João Paulo II. Trabalhou em sua elaboração o então Cardeal Ratzinger. É um “texto de referência, seguro e autêntico, para o ensinamento da doutrina católica”, escreveu o Papa polonês, para que “possa a luz da verdadeira Fé libertar a humanidade da ignorância e da escravidão do pecado” (Fidei Depositum).

O Catecismo da Igreja Católica

Catecismo da Igreja Católica

Este Catecismo de uma riqueza excepcional, deveria estar disponível para consulta em todas as paróquias, congregações, movimentos e famílias católicas, tanto para adquirir as primeiras noções da Fé, quanto para a formação permanente dos fiéis. Cada um de seus 2865 numerais do qual se compõem, é uma pérola de valor, mas seu conjunto constitui uma joia preciosa onde se aprende e se aprofunda a Fé, a maneira de celebrá-la, a coerência de vida que pede, bem como a importância da oração, sobre a qual se estende oportunamente. Vai aqui um convite para aqueles que ainda não dispõem de um exemplar, que o procurem; o encontrarão em qualquer livraria católica.

Eucaristia: uma pedra de escândalo

Pois se, a Eucaristia não é um tema “pacífico”, já que não é unanimidade nem sequer entre os mesmos cristãos. Os diversos milagres feitos por Nosso Senhor encantavam a todos –menos aos fariseus, especialmente quando realizados no sábado. Mas o mistério eucarístico, milagre supremo, se tornou uma pedra de escândalo. Com efeito, quando Jesus anunciou em Cafarnaum que para ter a Vida eterna teria que comer seu corpo, muitos de seus discípulos o abandonaram, escandalizados. E ao longo da história, a Eucaristia foi causa de controvérsia e de heresias. É assim também nos dias que correm: por um lado, estão os fiéis que a adoram e a celebram, e por outro, os que a ignoram, a desprezam ou até a profanam. A estes últimos, mais lhes caberia o nome de “infiéis” que de “fiéis”.

Tomar o partido da Eucaristia, “acolher na Fé o dom de sua Eucaristia, é acolhê-lo a Ele mesmo”, diz o Catecismo. Invertendo os termos, se chega ao mesmo: Não acolher na Fé o dom de sua Eucaristia, equivale a não acolher a Jesus. Alguém objetará que a expressão “tomar o partido” é antipática, porque os “partidos” normalmente quebram a unidade da Igreja e muitas vezes não levam a bom porto. Acontece que, por uma exigência do espírito humano em estado de prova, se impõem optar e definir-se entre o bem e o mal, necessariamente e a todo momento. Um bem e um mal não subjetivos, mas conforme a verdade do Evangelho e do Magistério. O Catecismo diz claramente: a Eucaristia, como a Cruz, divide; e havendo divisão, forçosamente se configuram os partidos: a favor e contra.

“Não vim trazer a paz, mas a divisão”

Quando Nossa Senhora e São José apresentaram ao Menino no Templo, o santo profeta Simeão disse à sua Mãe: “Este menino será causa de queda e de elevação para muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição” (Lc 2, 34). Mais tarde, o próprio Redentor irá declarar uma sentença cheia de consequências: “Não vim trazer a paz, mas a divisão” (Mt 10, 34).

Agora, a divisão não implica necessariamente que o que está no campo da verdade, tenha que odiar e derrotar ao que está no outro campo. Leva, isso sim, por amor à sua alma, a empenhar-se por atraí-lo e instruí-lo, para conseguir que esteja em ordem com as exigências da Fé. É a tarefa irrenunciável do apostolado.

(Leia também: “Ninguém pode servir a dois senhores”)

Mas, a divisão leva a discrepar e polemizar; inclusive, às vezes, até a conflitos inevitáveis. Há sanções que a Igreja aplica aos que persistem culposamente no erro; por exemplo, contra um sacerdote que se aparta do depósito da Fé ou que se comporta escandalosamente; ou em relação a um professor que ensina coisas opostas à moral em um estabelecimento católico, são coisas saudáveis! Uma pena que essas sanções são cada vez mais raras…

Então, se honra ao Senhor diante do sacrário, mas também em qualquer lugar onde se utilize a espada da Palavra que afirma a verdade e dissipa o erro.

Recorramos aos nossos Anjos da Guarda

Se somos assaltados pela prova do inesperado ou do absurdo… –atenção: são coisas que acontecem… e Deus não é arbitrário! –recorramos aos nossos Anjos da Guarda. Eles são uma ajuda poderosa e segura para o bem da alma e do corpo. Nos auxiliam, homens para poder atuar com eficácia. Mas, se a partir de nossa liberdade, não os invocamos nem lhes damos campo… “como que” se entristecem e se paralisam. Façamos então corpo com eles, formemos juntos um santo partido para “despertar” ao “remédio de imortalidade” que é o Pão da Vida, no dizer de Santo Ignácio de Antioquia. Exurge; quare obdormis, Dómine? “Desperta, Senhor; por que dormis?” (Salmo 43, 23)

(Leia também: O Anjo da Guarda: Um amigo fiel para todas as horas)

Mairiporã, SP. Brasil, abril de 2020.

Por Padre Rafael Ibarguren EP

Traduzido por Emílio Portugal Coutinho

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