Paróquia da Sagrada Família reabre escola em Gaza após paralisação
Única instituição de ensino católica da região acolhe cerca de mil estudantes e combina atividades letivas com abrigo a famílias desabrigadas e apoio psicológico.
Foto: Por Dan Palraz – Obra do próprio, CC BY-SA 4.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=126107180
Gaza – Palestina (04/09/2026 12:46, Gaudium Press ) A escola da paróquia católica da Sagrada Família em Gaza retomou suas atividades pela primeira vez desde o início da campanha militar israelense. Por volta de mil alunos devem voltar a frequentar o colégio neste novo ano letivo. Segundo Dom William Shomali, Bispo Auxiliar do Patriarcado Latino de Jerusalém, esta reabertura é um pequeno, mas importante passo rumo à normalidade.
Um refúgio em meio ao conflito
Enquanto crianças de diversas partes do mundo retornam às salas de aula após as férias, a realidade dos estudantes em Gaza tem sido bem diferente. Agora, com a reabertura da escola da Paróquia da Sagrada Família, as coisas tendem a ir aos poucos retornando à normalidade, apesar deste conflito que continua. Este ato é “uma mensagem poderosa de esperança, resiliência e solidariedade”, afirmou Dom Shomali.
De acordo com o prelado, a escola pode, por algumas horas do dia, oferecer às crianças um refúgio seguro, com rotinas e professores familiares. “A reabertura da escola é, em si, uma forma de cuidado”, frisou. Esta escola, a única católica em Gaza, acolhe cerca de mil alunos no início deste novo ano letivo. Dentre eles, 180 frequentam o jardim de infância do Patriarcado Latino e os restantes 820, o ensino fundamental.
Escolas cristãs como pilares na Terra Santa
Recentemente, o Patriarca Latino de Jerusalém, Cardeal Pierbattista Pizzaballa, escreveu uma carta pastoral enfatizando a importância das escolas diante da situação atual. Na missiva, o purpurado lamentou que o regresso às aulas já não possa ser dado como garantido em algumas partes da Terra Santa, pois algumas salas de aula já não existem.
Ele também destacou que há comunidades onde a alegria de um novo ano letivo foi ofuscada pela morte, pela localização e pela destruição. “Mais do que meras instituições de ensino, as escolas cristãs formam um pilar da presença cristã na Terra Santa e, ao mesmo tempo, acolhem muitos alunos e famílias de diferentes tradições religiosas”, ressaltou Pizzaballa.
Desafios de refúgio e acolhimento aos refugiados
Desde o início da guerra, em outubro de 2023, as instalações da Paróquia da Sagrada Família dispõem de serviços de refúgio para famílias deslocadas. No ano passado, o terreno da igreja foi atingido por disparos de tanques israelenses, resultando na morte de três pessoas e deixando nove feridos, incluindo o Padre Gabriel Romanelli. Apesar de algumas famílias já terem conseguido retornar para suas casas, a Paróquia continua abrigando civis deslocados.
Os prédios escolares foram restaurados gradualmente pelo sacerdote e uma equipe paroquial. Este processo foi organizado com o objetivo de atender às necessidades tanto dos alunos quanto das famílias desabrigadas. As salas permitidas para as aulas foram desocupadas, enquanto as famílias sem um lugar seguro para onde retornar permanecerem no local. O Patriarcado Latino considera a educação e o acolhimento de famílias particularmente vulneráveis como duas tarefas inseparáveis.
Porém, um dos maiores desafios continua sendo a segurança. Uma vez que, nas circunstâncias atuais, nenhuma instituição em Gaza pode garantir proteção absoluta. As medidas de precaução incluem, sempre que possível, o transporte de estudantes e o estabelecimento de procedimentos claros para emergências. A confiança dos cristãos é uma exceção divina, ao mesmo tempo que fazem tudo para proteger aqueles em quem eles eram confiáveis.
Apoio psicológico aos alunos e professores
O Patriarcado oferece, além do ensino em sala de aula, apoio psicológico a alunos e professores que vivenciam experiências traumáticas. Os educadores também recebem apoio material e moral. Dom Shomali elogiou a dedicação dos professores e sua disposição em continuar apoiando seus alunos, apesar das dificuldades que eles enfrentaram. “A perseverança deles é um poderoso testemunho da importância da educação”, destacou.
Por fim, o Bispo Auxiliar do Patriarcado Latino de Jerusalém destacou a situação das famílias cristãs na Cisjordânia, que são alvo de ataques de colonos israelenses, operações militares noturnas e postos de controle que interrompem a difícil vida cotidiana. No dia 16 de agosto, o Papa Leão XIV pediu o fim dos “repetidos atos de violência contra a população palestina na Cisjordânia”. (EPC)






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