Parábola do joio e trigo: símbolo da vida espiritual
Devemos estar atentos para não “dormirmos” quanto à nossa finalidade nesta vida.

Jesus ensina aos Apóstolos – Catedral de Lisieux (França) – Foto: Sergio Hollmann
Redação (18/07/2026 15:56, Gaudium Press) O Evangelho deste XVI Domingo do Tempo Comum nos apresenta a parábola do joio e do trigo, contada pelo Divino Mestre. Essa parábola dirige nossa atenção para dois pontos primordiais de nossa vida espiritual: a pureza de intenção e a vigilância.
Contexto da parábola
Antes de tudo, é necessário ter em mente o contexto no qual Nosso Senhor se encontra. No domingo anterior, o Evangelho nos introduzia na sequência de sete parábolas do Salvador (cf. Mt 13,1-23), proferidas às margens do lago de Genesaré, onde nem o roncar dos motores nem os ruídos do mundo moderno competiriam com a voz de Jesus. Apenas o rumorejar compassado das ondas e o sopro do vento ofereciam o humilde fundo musical para as palavras salvadoras.
Uma vez que a irrigação da região favorecia a agricultura naquelas cercanias, é provável que aquele auditório fosse composto por um público acostumado com as imagens empregadas por Jesus. Aproveitando-se dos elementos já utilizados na parábola do semeador — como vimos no domingo anterior — passa Ele a elaborar uma outra, a fim de elucidar mais alguns mistérios do Reino dos Céus.
Ódio do inimigo contra o agricultor
“Jesus contou outra parábola à multidão: ‘O Reino dos Céus é como um homem que semeou boa semente no seu campo. Enquanto todos dormiam, veio seu inimigo, semeou joio no meio do trigo, e foi embora’ “(Mt 13,24s).
É importante notar que o inimigo só veio quando a semente já havia sido plantada. Por que o adversário não agiu antes da plantação, prejudicando diretamente o solo para impedir qualquer cultivo? Porque o ódio dele não era contra a colheita em si, mas contra aquele que dela cuidava. De modo similar, age o demônio conosco ao misturar o joio do orgulho com o trigo das boas obras.
Pode acontecer de alguém realizar algo muito bom e louvável, no entanto, sem pureza de intenção. Uma pessoa, por exemplo, que se dedica a estudar o Catecismo não com o intuito de glorificar a Deus e fazer bem às almas, mas para ser elogiada pelos seus conhecimentos.
Como saber se uma ação é realizada com intenção pura? “Toda árvore boa dá bons frutos; toda árvore má dá maus frutos. Uma árvore boa não pode dar maus frutos; nem uma árvore má, bons frutos. Toda árvore que não der bons frutos será cortada e lançada ao fogo. Pelos seus frutos os conhecereis” (Mt 7,17-20).
Em sentido oposto, se, apesar de nossos esforços em praticar a virtude e evitar o pecado, sentimos o grão do joio brotar dentro de nós, não percamos a confiança! Essa prova é necessária, pois, por meio dela, reconhecemos que somos inteiramente dependentes da graça e do auxílio de Nosso Criador, sem os quais não se pode vencer o germe do orgulho enraizado em nossos corações. Além disso, é através de dificuldades como essas que Deus confere valor à nossa vida espiritual, purificando-a como o ouro é provado pelo fogo (cf. 1Pd 1,7).
Nossa finalidade nessa Terra
Outro aspecto importante dessa parábola é que o inimigo só veio enquanto as pessoas dormiam. Nossa alma também é um campo de plantação que devemos vigiar constantemente. É preciso estarmos atentos para não “dormir” em relação à nossa finalidade.
Qual é o fim último de todo ser humano? Como nos ensina o Catecismo, devemos amar, louvar, conhecer a Deus e mediante isso salvar nossas almas. Daí a importância da vigilância sobre nossos atos e intenções ao longo de nossa existência.
Que a Santíssima Virgem, modelo arquetípico de pureza de intenção, rogue por nós junto ao Dono da messe, para que possamos estar sempre atentos às nossas intenções e jamais desanimar diante de qualquer dificuldade ou tentação!
Por Kaio Calixto





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