Papa na Audiência Geral: respeito pela liturgia é expressão de fidelidade a Deus e à Igreja
Na catequese desta quarta-feira, dedicada à reforma litúrgica do Concílio Vaticano II, o Papa apelou aos responsáveis pela preparação e celebração da liturgia “para que sempre mantenham o respeito pelos textos e normas litúrgicas”, e advertiu contra a introdução de mudanças na liturgia.

Foto: Vatican Media
Redação (27/05/2026 09:35, Gaudium Press) Na Audiência Geral desta quarta-feira, 27 de maio, o Papa Leão XIV deu continuidade ao seu novo ciclo de catequeses, iniciado no dia 20 de maio passado, sobre o primeiro documento promulgado pelo Concílio Vaticano II: a Constituição sobre a Sagrada Liturgia, Sacrosanctum Concilium.
Com base na Encíclica Mediator Dei, o Papa insistiu no fato de que Pio XII já havia lembrado que “a Igreja é um organismo vivo e, por isso, também no que diz respeito à sagrada liturgia, confirmando a integridade do seu ensinamento, ela cresce e desenvolve-se, adaptando-se e conformando-se às circunstâncias e às exigências que se verificam ao longo do tempo”; um princípio retomado pelo Concílio Vaticano II na Constituição Sacrosanctum Concilium. De fato, os Padres conciliares sublinharam a necessidade de “interessar-se de modo particular também pela reforma e o incremento da liturgia”.
A renovação litúrgica no centro da missão da Igreja
Naquele “momento histórico”, observou Leão XIV, um profundo desejo de renovação percorria a Igreja. As formas rituais herdadas dos séculos anteriores continuavam a ser preciosas, mas muitos consideravam necessário torná-las mais acessíveis e fecundas para os fiéis. O Movimento Litúrgico já havia preparado o terreno. Mais tarde, João Paulo II destacaria a existência de uma “ligação muito íntima e orgânica entre a renovação da liturgia e a renovação de toda a vida da Igreja”. Segundo ele, a Igreja “age na liturgia”, mas “também se exprime na liturgia […] e haure da liturgia as energias para a vida” (Carta Dominicae Cenae, 13) .
“A fim de favorecer o acesso dos fiéis à riqueza dos dons da graça dispensados pela sagrada liturgia”, a Constituição Sacrosanctum Concilium indica, portanto, por meio de “uma fórmula muito eficaz, o caminho a seguir”: “Conservar a sã tradição e abrir o caminho a um progresso legítimo”, observou o Papa.
Bento XVI: tradição e progresso não se opõem
Leão XIV prosseguiu sua catequese explicando que seu predecessor, Bento XVI, percebeu nessa “declaração de intenções” o “programa de reforma” dos Padres conciliares, “em equilíbrio com a grande tradição litúrgica do passado e com o futuro”. Leão XIV explicou que o Papa alemão observava que “muitas vezes tradição e progresso se contrapõem de maneira inadequada enquanto, na realidade, os dois conceitos se integram: a tradição inclui, ela mesma, de certa forma o progresso”.
“O Concílio afirma a legitimidade desse progresso, enraizado na autêntica Tradição, distinguindo, no seio da liturgia, ‘uma parte imutável, porque de instituição divina’, dos demais que podem ser objeto de mudança”, insistiu o Papa.
Ele acrescentou que mudanças desse tipo ocorreram constantemente ao longo dos séculos para permitir que os fiéis participassem plenamente da liturgia e, assim, do “Mistério Pascal de Cristo”, fundamento da fé cristã.
“O culto da Igreja foi assim ‘incorporado’ nas formas culturais de cada época e foi capaz de influenciá-las e até mesmo transformá-las”, e, portanto, tem sido motor de evangelização, disse o Papa Leão.
Um progresso que promove a comunhão
O Papa explicou como os Padres conciliares também recomendaram que a revisão dos ritos “deve ser realizada tendo o cuidado de que ‘as novas formas, de certo modo, surjam a partir das já existentes” e que, para o bem da Igreja, qualquer reforma deve “ser sempre precedida de uma acurada investigação teológica, histórica e pastoral”.
O Magistério conciliar, portanto, exorta a evitar confusão entre os fiéis, “dissuadindo qualquer pessoa de acrescentar, suprimir ou modificar algo por iniciativa própria em matéria litúrgica”, continuou o Papa.
“O progresso evocado na Constituição Conciliar não compromete de forma alguma a comunhão eclesial: pelo contrário, procura confirmá-la e favorecê-la”, concluiu.
Um apelo à humildade e à fidelidade
O Papa concluiu sua reflexão com uma exortação dirigida a todos aqueles que preparam a celebração dos mistérios divinos, em particular aos sacerdotes que exercem o ministério da presidência litúrgica, “a manter sempre o respeito pelos textos e pelas normas da liturgia que brota de uma atitude interior de disponibilidade e confiança em Deus, manifestando humildade perante a sua grandeza e sincera fidelidade à comunhão eclesial”.





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