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Papa Leão XIV nos convida a participar da liturgia com todo o nosso ser

Diante dos cerca de vinte mil fiéis presentes na Praça São Pedro, o Pontífice refletiu sobre “alguns elementos constitutivos da sagrada liturgia, tais como o rito, o sinal e o símbolo”.

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Cidade do Vaticano (03/06/2026 12:22, Gaudium Press) Na Audiência Geral desta quarta-feira, 3, o Papa Leão XIV deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre a Constituição conciliar Sacrosanctum Concilium. Diante dos cerca de vinte mil fiéis presentes na Praça São Pedro, o Pontífice refletiu sobre “alguns elementos constitutivos da sagrada liturgia, tais como o rito, o sinal e o símbolo”.

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Os ritos da liturgia não são um revestimento exterior do mistério sacramental

Segundo o Pontífice, o Concílio Vaticano II nos ajudou “a redescobrir uma verdade muito viva na consciência da Igreja antiga e no ensinamento dos Padres”. Ele destacou que “os ritos da liturgia cristã não são um revestimento exterior do mistério sacramental, um conjunto de cerimônias arbitrárias, mas são a mediação eclesial através da qual o dom divino nos alcança” e o Concílio “nos convida a compreender o Mysterium fidei que se realiza na liturgia através dos ritos e das orações”.

“O rito dá forma à ação litúrgica e, através dela, à nossa vida, gerando em nós uma sensibilidade espiritual que nos torna capazes de saborear a presença de Deus por meio de Jesus Cristo. Naturalmente, isto acontece se não nos mantivermos estranhos ou espectadores mudos em relação à liturgia, mas se nela participarmos com todo o nosso ser – corpo, mente e coração –, em obediência ao mandamento do Senhor”, ressaltou.

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O rito interrompe as atividades frenéticas, nos reconduzindo ao essencial

De acordo com o Santo Padre, “através do rito sagrado, somos formados para a escuta da Palavra de Deus, para a ação de graças e a adoração, para a partilha fraterna e a comunhão eclesial. Descobrimos que somos uma assembleia de muitos rostos, reunida pela mesma Fé”. Ele também afirmou que “o ritual nos envolve em uma sequência bem definida de gestos e orações, que por vezes pode entrar em contradição com a nossa tendência individual para a espontaneidade”.

Ele assegurou que “a sua lógica não é a de restringir a liberdade”. Com a sobriedade solene dos seus ritmos, o rito interrompe as atividades frenéticas, nos reconduzindo ao essencial. Descobrimos assim outra dimensão do agir, não guiada por cálculos produtivos, e outra experiência do tempo e do espaço. No rito, experimentamos uma lógica de gratuidade, encontramos uma pausa que regenera o coração, reconhecemos que somos precedidos pela graça divina, aprendemos a viver num ritmo habitado pelo Espírito Santo”.

O Papa afirmou ainda que “a gramática do rito está entrelaçada com os sinais e símbolos próprios da liturgia. Nela, como afirma o Concílio, «os sinais sensíveis significam e, cada um à sua maneira, realizam a santificação dos homens». Emblemático é o sinal da água: desde as origens da criação até ao dilúvio, desde a travessia do Mar Vermelho até ao Jordão, até à água que jorra do lado de Cristo e se torna sinal sacramental da imersão na sua morte e ressurreição”.

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Diferenças entre ‘sinal’ e ‘símbolo’

Apesar dos termos ‘sinal’ e ‘símbolo’ serem frequentemente utilizados como sinônimos, ele esclareceu que “na realidade, um sinal é simbólico quando é capaz de remeter não só para uma ideia, mas para todo um sistema de significados e valores. Assim, por exemplo, quando somos aspergidos com água benta, reaviva-se em nós a consciência do dom recebido no Batismo e a nossa adesão à vida nova em Cristo”.

Já “os símbolos têm essencialmente um caráter prático, sendo antes de tudo ações: mais simples e comuns, como ajoelhar-se e dar a paz, ou mais exigentes, como os atos constitutivos de cada Sacramento. Os símbolos têm uma dimensão singular performativa e transformadora, tanto em relação aos elementos materiais que os compõem, como em relação àqueles que entram em contato com eles, gerando um sentimento de pertença, tocando o coração e a mente, suscitando relações eclesiais autênticas”.

Leão XIV concluiu fazendo um convite aos fiéis para que se deixem “educar pelos ritos da liturgia, cuidando com delicadeza e sem arbitrariedade da beleza das nossas celebrações e empenhando-nos numa autêntica mistagogia”. Ele frisou que “a experiência de uma liturgia viva e devota, acompanhada por uma catequese mistagógica oportuna, é o melhor recurso para despertar em todos aquela abertura ao encontro com Deus que, na lógica da encarnação, só pode acontecer envolvendo todo o homem: espírito, alma e corpo”. (EPC)

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