Papa Leão XIV escreve mensagem aos sacerdotes exortando-os a serem Santos
Em seu texto, o Pontífice manifesta seu carinho, sua gratidão e lhes pede para que renovem todos os dias o próprio “eis-me aqui” perante o Coração trespassado de Cristo.
Cidade do Vaticano (12/06/2026 09:12, Gaudium Press) Nesta sexta-feira, 12, Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, o Papa Leão XIV escreveu uma mensagem aos Padres de todo o mundo, por ocasião do Dia da Santificação dos Sacerdotes, tratando do tema da santidade, manifestando seu carinho, sua gratidão e pedindo-lhes que renovem todos os dias o próprio “eis-me aqui” perante o Coração trespassado de Cristo.
Citando as palavras que Deus disse ao povo de Israel: ‘Sede Santos, porque Eu, o Senhor, vosso Deus, sou Santo’ (Lv 19, 2), o Pontífice destacou que “este chamamento divino percorre os séculos, ressoando também hoje com força para todos os fiéis e, de forma particularmente exigente, para nós, sacerdotes. A santidade não é uma opção entre tantas outras, nem um ideal abstrato: ela interpela a própria identidade de toda pessoa que deseja participar na vida do Ressuscitado”.
A santidade é participação no mistério de Cristo
De acordo com o Santo Padre, Deus nos convida a participar de sua própria santidade, nos indicando um caminho a seguir: deixar-se moldar segundo o seu Coração. Esse chamado é “particularmente radical” e, ao mesmo tempo, paradoxal, pois “somos chamados a participar na própria santidade de Deus, mas trazemos este tesouro em vasos de barro, somos limitados e imperfeitos, muitas vezes marcados por fraquezas e cansaços e, não raro, por feridas. Como pode um coração humano, tão vulnerável, responder a um chamamento tão elevado? O sacerdote vive esta tensão, mas sabe onde encontrar a paz: no peito aberto do Senhor Jesus”.
Leão XIV garante que a união com o Coração de Cristo não é uma experiência reservada para poucos eleitos, mas um caminho sacramental, eucarístico, que se concretiza no dia a dia através da celebração diária da Eucaristia, da oração, da meditação da Palavra de Deus e do serviço humilde aos irmãos. “Não existem compartimentos separados na nossa humanidade, (…) tudo se torna um lugar privilegiado para a revelação de Deus e do seu amor infinito”, inclusive o cansaço e os fracassos.
Resposta à vocação para sermos Santos está no amor revelado no Coração de Jesus
“O mundo tem uma grande necessidade de pastores que não ofereçam apenas palavras ou programas, mas o testemunho vivo dum coração reconciliado, espalhando o bom perfume da santidade de Cristo. Uma vida sacerdotal firme e configurada com o Coração de Jesus é sinal credível de unidade, paz e misericórdia”, ressaltou o Papa. Ele afirmou ainda que “num tempo marcado por divisões e medos, podemos ser construtores de paz, testemunhas da ternura do Bom Pastor, que sabe reunir os dispersos e cuidar dos feridos”.
Para o Pontífice, “a resposta à vocação para ser santos não está tanto no esforço de ascetismo e perfeição, embora necessário, mas na adesão confiante ao amor revelado no Coração trespassado de Jesus”. O Sagrado Coração de Jesus é apresentado como ícone por excelência do amor de Deus “um amor todo-poderoso precisamente porque capaz de se fazer vulnerável, de transformar a dor em graça e o sofrimento em esperança”.
“Esse Coração abençoado é, portanto, o ‘lugar’ onde a santidade se mostra como proximidade e ternura. A santidade do sacerdote pode, assim, manifestar-se na proximidade humilde e corajosa, no ser de todos e para todos, mantendo aberta a porta do redil para que muitos possam entrar e encontrar pastagem e descanso”, assegura Leão XIV, que frisa a necessidade de uma relação com Deus que não afaste os sacerdotes dos homens, mas os torne próximos de todos, pois “uma santidade não se vive a sós”.
O sacerdote que se isola, apaga-se lentamente
O Santo Padre aconselha os sacerdotes a zelarem pela fraternidade presbiteral, ajudando-se uns aos outros, pois “o sacerdote que se isola, apaga-se lentamente; o sacerdote que caminha com os irmãos cresce”. Por fim, ele exorta aos sacerdotes para que renovem diariamente o ‘eis-me aqui’ diante do Coração trespassado de Cristo, entregando-se totalmente a Ele, para que assim possam amar o seu povo com o mesmo amor com que Ele o ama.
“Lembrai-vos com alegria, como gostava de repetir o Santo Cura d’Ars, que «o sacerdócio é o amor do Coração de Jesus». Este amor é penhor e garantia de que nada de nós se perderá, se tudo for entregue e oferecido. Confio todos e cada um à Virgem Maria, Mãe dos Sacerdotes. Ela, que guardou no seu coração o mistério do Filho, nos ensine a conservar e a deixar pulsar em nós o Coração de Cristo, Salvador do mundo”, concluiu. (EPC)







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