Papa Leão XIV defendeu o serviço militar como uma “missão nobre”
Leão XIV destacou o caráter nobre do serviço militar. “Todos os dias, cabe a cada um de vós a nobre missão de defender a soberania da Pátria e o Estado de direito, zelando pela segurança dos concidadãos e protegendo-os das injustiças”.

Foto: Arquivo
Redação (28/08/2026 08:50, Gaudium Press) No último dia 24 de agosto, o Papa Leão XIV recebeu em audiência privada, na Sala do Consistório do Palácio Apostólico, uma delegação do Ordinariato Castrense de Portugal. O encontro marcou o 60º aniversário da fundação do então Vicariato (hoje Ordinariato) e os 25 anos da nomeação do primeiro bispo próprio.
Em seu discurso, o Pontífice saudou não apenas os presentes, mas todos os membros do Exército, da Força Aérea, da Marinha, da Guarda Nacional Republicana e da Polícia de Segurança Pública de Portugal — cristãos e não cristãos. Recordou, de modo especial, à luz de Cristo Ressuscitado, os dois jovens militares do Exército que haviam perdido a vida na sexta-feira anterior, enquanto, “como o bom samaritano”, paravam no caminho para prestar auxílio.
Leão XIV destacou o caráter nobre do serviço militar. “Todos os dias, cabe a cada um de vós a nobre missão de defender a soberania da Pátria e o Estado de direito, zelando pela segurança dos concidadãos e protegendo-os das injustiças”, afirmou. Em seguida, citou a Exortação de São Paulo: “Tornai-vos fortes no Senhor. […] Mantende-vos firmes, tendo cingido os vossos rins com a verdade, vestido a couraça da justiça e calçado os pés com a prontidão para anunciar o Evangelho da paz” (Ef 6, 10.14-15).
O Papa convidou os militares a imitarem o exemplo do centurião de Cafarnaum. Esse homem, segundo o Pontífice, conhecia bem os valores que pautam a vida castrense: “a obediência, a disciplina, a renúncia, a lealdade, a camaradagem, a dedicação, a responsabilidade e a coragem”. Ao mesmo tempo, sentia a necessidade de Deus e sabia que o ser humano “não se basta a si mesmo, mas aspira a algo mais, a algo que o transcende”.
Ao recordar as palavras do centurião — “Senhor, eu não sou digno de que entres debaixo do meu teto; mas diz uma só palavra e o meu servo será curado” (Mt 8, 8) —, Leão XIV sublinhou que a autoridade e a força próprias da milícia devem ser acompanhadas de humildade e de abertura a Deus. “O ser humano, por muita responsabilidade que tenha, por muito poder que exerça, por muito irrepreensível que seja, é sempre faminto de infinito e sedento de eternidade. Ora, o infinito e a eternidade estão ao nosso alcance em Jesus Cristo: são dom do Senhor.”
O Papa também se dirigiu aos capelães militares, a quem a Igreja confia o crescimento espiritual dos militares e dos policiais. Pediu-lhes que acolham a todos, os escutem, os iluminem com a Palavra de Deus, permaneçam a seu lado na celebração dos Sacramentos e acompanhem as famílias. Agradeceu, por fim, o trabalho do Ordinariato e invocou a proteção de Nossa Senhora de Fátima sobre as diversas missões, dentro e fora de Portugal.

Foto: Vatican Media
Um serviço nobre, chamado à retidão moral
As palavras do Papa ocorrem num contexto de debate eclesial sobre o uso da força. Em sua encíclica Magnifica Humanitas, Leão XIV havia privilegiado meios como o diálogo, a diplomacia e o perdão para a resolução de conflitos, sem negar o direito à legítima defesa. Algumas leituras apressadas chegaram a apresentá-lo como um pacifista absoluto, para quem toda guerra seria sempre injustificável. Suas recentes declarações aos militares portugueses, contudo, confirmam que o magistério papal não desqualifica a profissão das armas. Pelo contrário: chama a purificar seu exercício.
Longe de uma condenação genérica, o Papa reafirma que o serviço militar, quando vivido com retidão moral, disciplina interior e senso de responsabilidade diante de Deus e do próximo, constitui uma verdadeira vocação de serviço e de proteção dos mais fracos. O exército, entendido nessa chave, não se opõe ao Evangelho: pode tornar-se caminho de virtude, desde que esteja ordenada à defesa da justiça e não ao uso arbitrário da força.
Como recorda a tradição da Igreja — e como o próprio Vaticano experimenta diariamente graças à proteção da Guarda Suíça —, a existência de homens dispostos a servir e, se necessário, a sacrificar-se pela segurança dos demais continua sendo, hoje como ontem, um sinal de nobreza humana e cristã.





Deixe seu comentário