Papa Leão XIV alerta novos Bispos sobre os desafios da Inteligência Artificial
Em audiência no Vaticano, o Pontífice deu orientações para o ministério episcopal diante dos desafios da IA e reforçou a importância da presença junto aos fiéis.
Cidade do Vaticano (11/09/2026 12:52, Gaudium Press ) Na manhã da última quinta-feira, 10, o Papa Leão XIV recebeu em audiência na Sala do Sínodo os 147 Bispos nomeados no último ano que participaram do curso anual de formação no Vaticano. Dentre eles, 98 prelados estavam no programa oferecido pelo Dicastério para os Bispos e 49 no programa oferecido pelo Dicastério para a Evangelização.
Desafios da Inteligência Artificial e Mudanças Tecnológicas
O tema do minicurso oferecido foi: “Bispos, servidores da comunhão na Igreja e no mundo de hoje”. Em seu discurso, o Santo Padre assegurou que “nenhum Bispo está sozinho” e que eles não devem abandonar seu povo, mas sim conhecer suas alegrias, tristezas e sonhos, mantendo “um coração aberto a todos” e anunciando o Evangelho nesta época, por vezes “desconcertante”, de rápidas mudanças e desenvolvimento da inteligência artificial.
“Vocês estão em minhas orações, e com vocês suas Igrejas: sacerdotes, diáconos, consagrados e consagradas, seminaristas, famílias, jovens, idosos, pobres, os que sofrem e aqueles que ainda aguardam o encontro com a alegria do Evangelho. Todos devem encontrar um lugar no coração do Bispo, porque já têm um lugar no coração de Cristo”, afirmou o Pontífice.
Em seguida, ele ofereceu aos novos Bispos orientações concretas para o seu ministério, sobretudo nesta era de mudanças rápidas em que “os avanços nas tecnologias de comunicação e na Inteligência Artificial abriram possibilidades que, até alguns anos atrás, nem sequer imaginaríamos”. Entretanto, ele recorda que essas oportunidades não podem libertar a humanidade do pecado e de suas consequências.
Permanecer com Jesus para servir com serenidade
A Encíclica ‘Magnifica humanitas’ foi apontada por Leão XIV como referência para “uma visão e um método para enfrentar o grande desafio de proteger a humanidade na era da Inteligência Artificial. Encorajo-os a promover a reflexão e o diálogo em suas Dioceses, a formar e apoiar aqueles que querem comprometer-se a servir a civilização do amor”.
Ele pediu aos Bispos que “permaneçam com Jesus”, pois para falar de Cristo, “precisamos estar com Ele”. Além disso, o Pontífice também fez um convite aos Bispos para que “valorizem sempre o seu tempo com o Senhor: a Eucaristia, a Palavra de Deus, a oração e aqueles momentos em que podem estar na sua presença com o coração simples do discípulo que se deixa amar pelo seu Senhor”. O ministério ‘nasce daí’ e assim “o serviço torna-se mais sereno, mais livre e mais fecundo”.
O Papa também os exortou a ter um coração totalmente doado aos sacerdotes, aos diáconos, aos jovens, aos religiosos e religiosas, aos missionários, aos catequistas e às famílias, testemunhas de uma “generosidade silenciosa”. “O Bispo é um homem que aprende cada dia mais a amar o seu povo: a conhecer as alegrias e as tristezas do seu povo, a partilhar os seus sonhos, a alegrar-se ao ver crescer as comunidades. Amem as pessoas que o Senhor lhes confiou. Aprendam seus nomes, ouçam suas histórias, entrem em suas casas quando puderem, rezem com elas”.
Paternidade episcopal e o coração missionário
Segundo o Pontífice, a “presença” é importante, especialmente nas Igrejas jovens, pois “ela diz muito, mesmo antes das palavras”. “Uma visita, uma bênção, um tempo dedicado a um sacerdote, ouvir uma família, conversar com um jovem: são pequenos gestos, mas que podem permanecer na alma de uma pessoa por toda a vida”, garantiu. Essa solicitude pastoral “não significa simplesmente ter muitas responsabilidades”, mas sim demonstrar a verdadeira “paternidade episcopal, ter uma grande alma, grande o suficiente para acolher a todos”.
“Que as pessoas sintam, através da nossa presença, algo da ternura e da paternidade de Deus! E isto vale de modo especial para os sacerdotes”, frisou. Leão XIV recomendou amar os presbíteros, para que eles encontrem no Bispo um pai e um irmão e também convidou-os a escutar e encorajar os padres, a rezar por eles, se alegrar com o bem que fazem e acompanhá-los com confiança no seu ministério.
Por fim, dirigindo-se aos pastores das Igrejas “mais jovens”, o Papa afirmou que eles “conhecem a beleza e também o trabalho da missão, de uma Igreja que talvez possuísse um pouco, mas que é rica de uma grande Fé”. Por este motivo, convidamos-os “a manter um coração missionário. O Bispo tem a missão de ter o coração aberto a todos, ele escuta e respeita a todos, aproxima-se de todos e sabe com sensibilidade o bem presente no coração de cada pessoa. Caminhemos com o nosso povo: rezemos com ele, escutemos a Palavra com ele, celebremos a Eucaristia com ele. Busquemos a face do Senhor com ele os dias”. (EPC)









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