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Padre não posso me confessar, nem comungar!

A Igreja é mãe, e possibilita que a graça de Deus supra as impossibilidades da natureza. Saiba aqui como obter o perdão e receber o Senhor durante a quarentena.

Redação (08/05/2020 13:00, Gaudium Press) “Estou em quarentena por causa deste vírus que ronda, e me sinto totalmente abandonado/a por Deus. Padre, não posso me confessar, nem comungar!”. Este lamento pode estar nos lábios ou na mente da pessoa querida que está lendo estas linhas… Tratemos do assunto com calma.

Deus nunca nos abandona

Nunca estamos abandonados por Deus. A Igreja, que nos ensina o caminho do céu, nos quer e cuida de nós carinhosamente, especialmente nos momentos difíceis; ela está ao nosso lado dando-nos os meios e auxílios necessários para seguir adiante.

Atenção: em minha casa, impossibilitado de sair, e, ademais, estando as igrejas fechadas, sem ofícios religiosos e sem fiéis posso sim receber o perdão dos meus pecados e ao Senhor na Eucaristia! Mas… sem um sacerdote? O perdão dos pecados sem a absolvição? A Sagrada Comunhão sem a presença da Hóstia consagrada?

Sim Senhor, sim Senhora. Vamos explicar como isto é possível, e veremos o quanto a Igreja é mãe, possibilitando que a graça de Deus supra as deficiências e impossibilidades da natureza. São duas explicações a dar: como obter o perdão e, como receber ao Senhor (e estas coisas, sem a presença de um sacerdote que celebre o sacramento).

O perdão dos pecados sem a absolvição sacramental

Antes de mais nada, recordemos que fomos concebidos em pecado e que a miséria humana faz com que muitas vezes caiamos culposamente, ofendendo gravemente a Deus e perdendo o estado de graça. Pois bem, é apropriado, depois de pecar, receber o perdão no sacramento da confissão e o pecado se apaga.

Mas, se estou impossibilitado de me confessar como obtenho o perdão?

O obtenho através de um ato interior de contrição perfeita para o qual são necessárias três coisas:

1.- Ter ódio ao pecado, renunciar a ele envergonhado, e fazer o propósito de não cometê-lo mais.

2.- Arrepender-me por amor de Deus (e não por temor do inferno ou dos males merecidos ou padecidos), porque Deus é infinitamente bom e se deve honrá-lo e adorá-lo, sem nunca ofender-lhe. Que eu não me mova a amar a Deus pelo céu que me promete, nem deixe de ofendê-lo pela ameaça do inferno; a tal ponto que, mesmo que não houvesse céu, eu ainda o amaria; e mesmo que não houvesse inferno, eu ainda o temeria. Deus merece ser amado. Que lhe ame e reconheça!

3.- Ter o propósito de confessar-me enquanto possa, na primeira ocasião em que me seja possível. Isto é muito importante e não podemos relativizá-lo…

A Comunhão Espiritual

Santo Afonso Maria de Ligório explica muito claramente em que consiste: “É o desejo de receber a Jesus Sacramentado e dar-lhe um amoroso abraço, como se já o tivéssemos recebido”. É simples assim, tão fácil.

Há fórmulas que nos ajudam a fazê-la como esta, que saiu da pluma do mesmo Santo: “Oh meu Jesus, creio que estás presente no Santíssimo Sacramento, te amo sobre todas as coisas e desejo receber-te em minha alma. Já que agora não posso fazê-lo sacramentalmente, venha ao menos espiritualmente ao meu coração. Como se já tivesse te recebido, te abraço e me uno todo a Ti, não permitas, Senhor, que volte jamais a abandonar-te. Amém”. Mas cada um pode fazer a comunhão espiritual sem necessidade de seguir uma receita específica.

A comunhão espiritual consiste então em:

1.- um ato de Fé na Eucaristia (creio que estás presente na Eucaristia);

2.- um ato de amor (te amo sobre todas as coisas);

3.- um ato de desejo (desejo receber-te em minha alma).

4.- Por fim, um pedido: (venha espiritualmente ao meu coração, permaneça em mim e faça com que nunca te abandone pecando).

Comunhão espiritual: uma forma excelente de oração

Esta Comunhão pode ser feita a todo momento, em qualquer lugar, tantas vezes quanto se queira, e é muito proveitosa. Diz Jesus que é preciso “orar em todo tempo e não desfalecer” (Lc. 18, 1). A comunhão espiritual é uma forma excelente de oração, está sempre ao nosso alcance, e até podemos tirar maior proveito que da própria comunhão sacramental!… dependendo do fervor com que se faça e, sobretudo da liberalidade de Deus.

Devo estar na graça de Deus para fazer uma comunhão espiritual? Sim. Às vezes a gente pensa: “como não estou na graça de Deus, não me aproximarei da comunhão sacramental, mas farei uma comunhão espiritual…” Mas não é possível fazer uma comunhão espiritual estando em pecado mortal, porque o pecado grave ofende a Deus e impede a comunhão com Ele, tanto a sacramental como a espiritual. Aqui entra o tema da contrição perfeita que tratamos antes.

Um pagão como o centurião romano (Mt. 8, 5-17) viveu a experiência da comunhão espiritual quando disse: “Senhor, eu não sou digno de que entreis na minha casa, mas dizei uma só palavra…”. Teve Fé, esperança e amor ao Senhor, e nessa íntima comunhão obteve sua conversão e a cura de seu servo.

Nossa Senhora e a Comunhão Espiritual

A Igreja nos ensina que Nossa Senhora, antes de conceber ao Menino Jesus em suas entranhas puríssimas, o concebeu em sua mente e em seu coração. Tanto o desejou, tanto o imaginou, tanto o pediu, tanto o mereceu, que Ele se fez espiritualmente presente nEla… antes de encarnar-se. Propriamente, quando Maria o concebeu em seu espírito, chegou São Gabriel: “Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo…”, etc. Nossa Senhora fez uma primorosa comunhão espiritual!

Então queridos amigos: em casa, isolados e sem a presença do ministro da Igreja, podemos obter o perdão e comungar. Que Maria Santíssima nos disponha a fazer estes atos maravilhosos que nos darão vida e força! Um último conselho: compartilhem este artigo que poderá fazer bem à outras pessoas.

Mairiporã, maio de 2020

Por Padre Rafael Ibarguren EP

Traduzido por Emílio Portugal Coutinho

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