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Os Estados Unidos no pedestal da independência, ainda?

O grande ídolo dos dias atuais está prestes a cair, quem o substituirá?

Redação (04/07/2020 10:16, Gaudium Press) No dia 4 de julho, os Estados Unidos comemoram o 244º aniversário de sua independência. Dia no qual o influente democrata Thomas Jefferson promulgou os últimos termos do definitivo documento que iria revolucionar o mundo; e com o qual as treze colônias norte-americanas se tornariam independentes. Dava-se um passo irreversível tanto na história dos Estados Unidos como também na de muitos outros países do mundo.

Os novos ventos da liberdade

A Revolução Americana foi, sem dúvida, um dos fatos mais marcantes do século XVIII, tanto em razão de sua novidade quanto em virtude de suas consequências na época em que se concretizou. Sua história conturbada deixa-nos entrever, entretanto, alguns aspectos bastante curiosos que se prestam a reflexões sobre os dias atuais.

Meio para se tornar um ídolo

“Guerra”, “liberdade”, “revolução”, “igualdade”, foram palavras que corriam fartamente nos lábios do norte-americano injustiçado dos idos anos de 1765; e que lograram, ao cabo de 11 anos de disputas, na independência definitiva do poderio britânico da costa norte-americana, em 1776.

Pela primeira vez na história das colonizações, um protetorado se opunha aos seus suseranos através de um ato revolucionário desse alcance, o que serviu de exemplo para as demais nações, de como “resolver os problemas do século”.

Dando uma “lição” ao mundo e inspirados pelos iluministas franceses migrados, os EUA assim renovados, foram mostrando um novo modo de viver, de pensar e de agir. Tornaram-se dessa sorte, gradativamente, o novo ídolo do mundo.

A substituição do ídolo

A França, instigada pela consequente avidez de liberdade conquistada pelos Estados Unidos, tentou conseguir o que também ambicionava.

E não tardou em que também ela se revolucionasse, trazendo, porém, a desventura em vez do sucesso. O país que era, na época, uma verdadeira “estátua de glória” do Ancien Régime, se tornou empoeirada, vil e sem graça. O país que era o ponto de referencia de toda a Europa se tornaria, pouco a pouco, um país a mais do continente europeu.

A grande e bela “estátua da Europa”, assim dissolvida, cedeu lugar, após as Guerras Mundiais, ao “Colosso” do progresso do novo mundo que chegava com toda a força da juventude: os Estados Unidos. Era a revolução que entrava e o aparente progresso que advinha.

O “Colosso” não teme pela sua ruína?

Contudo, nos dias de hoje, os fatos vão mostrando que cada vez mais esse grande “Colosso” está cansado, arfante e indeciso diante do futuro: as prospecções eleitorais o comprovam. Por outro lado, os casos de Covid-19 nos Estados Unidos já ultrapassaram os limites do imaginável; a violência e a revolta dos civis contra os políticos, sob os mesmos pretextos de injustiça afirmados em sua independência, só aumentam a cada dia.

Parece cada vez mais que o “Colosso” do século XXI tende a desaparecer sobre seus próprios escombros. O ídolo da ordem e do progresso está por ser destruído pela desordem e a falência gerada em seu próprio seio.

Exemplifica-o a derrubada da estátua de São Junípero.[1]

Talvez a comemoração da independência, neste ano, se veja embotada pela falta da liberdade para com muitos heróis nacionais.[2]

Fato é que quando se derruba algo, o “acaso” é sempre implacável em colocar novo herói sobre o pedestal vandalizado. De repente, o mundo está farto de seu grande “colonizador”, preferindo derrubá-lo do pedestal de sua independência mundial.

Se isso acontecer, a que ídolo ou a que “Colosso” o mundo prestará o seu culto? Quem substituirá o “deus do progresso” atual? Será o Colosso Chinês? O Colosso Russo? O Colosso Árabe? Só Deus o sabe… São coisas interessantes de se pensar quando, na comemoração do 244º aniversário de uma independência, os santos são os desbancados.

Por Renan Costa

 [1] Embora São Junípero tenha fundado 9 “missões”, das quais derivam os nomes franciscanos de cidades californianas muito importantes, como São Francisco, São Diego, Los Angeles, etc. e seja considerado o pai dos índios, além de ter sido honrado como herói nacional, no dia 19 do mês passado, uma centena de manifestantes o acusaram de ser um símbolo do colonialismo europeu, do qual o santo seria um expoente, por ser abusivo explorador da liberdade.

[2] Com efeito, desde 1º de Março de 1931, a estátua de São Junípero, representando o Estado da Califórnia, está entre as outras dos “pais fundadores dos Estados Unidos” na sala do Congresso de Washington; a única de um religioso no “santuário” dos ilustres americanos.

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