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Os dez mandamentos do motorista cristão brasileiro

Uma nação tão católica como o Brasil deveria saber valorizar a vida, em vez de desperdiçá-la na violência quotidiana do trânsito.

Foto: Ezequiel Garrido/ Unsplash

Foto: Ezequiel Garrido/ Unsplash

Redação (24/07/2026 15:05, Gaudium Press) Em 2007 o Vaticano divulgou o decálogo do motorista, ou seja, os dez mandamentos para se conduzir os veículos automotores com respeito à vida e à incolumidade do próximo.

No Brasil a situação do trânsito de automóveis é catastrófica. Todo ano milhares de seres humanos estupidamente perdem a vida nos logradouros públicos. É gritante o descaso de muitos motoristas que, quando dirigem, transformam-se em seres cruéis e arrogantes. Não há punição eficaz para os que cometem delitos no trânsito, mesmo que ocasionem a morte de inocentes.

As regras emanadas da Santa Sé constituem princípios genéricos. Servem adequadamente para países civilizados, em que subsiste uma cultura de obediência às leis viárias. No caso do Brasil, em que vige a barbárie automobilística, os mandamentos têm de ser contextualizados, vale dizer, adaptados à nossa realidade. É o que faço neste momento. Uma nação tão católica como o Brasil deveria saber valorizar a vida, em vez de desperdiçá-la na violência quotidiana do trânsito. Baseado no decálogo do Vaticano, elaboro, pois, os dez mandamentos do motorista cristão brasileiro. Faço-o na condição de motorista amador, habitante da cidade de São Paulo, onde enfrento diariamente um dos trânsitos mais complicados do mundo.  Falo sobretudo aos cristãos, a quase totalidade do povo brasileiro, chamando-os à responsabilidade inerente à religião que professam.

1.º) Rezar quando entrar no carro: um Pai-nosso e uma ave-Maria.

2.º) Não aceitar provocações, como fechadas e sinais chulos. Se possível, responder a tais atos com um gesto de cordialidade e caridade.

3.º) Facilitar o tráfego dos irmãos motoristas, principalmente dos motoqueiros, que são pessoas honestas e têm o direito de compartilhar a via pública conosco, sendo as mais vulneráveis no trânsito. Nesses irmãos temos de ver o rosto transfigurado do próprio Cristo.

4.º) Ser solidário no trânsito. Se possível, dar carona e formar grupos para a ida ao trabalho ou à escola, fazendo valer o princípio da doutrina cristã, segundo o qual a propriedade tem uma função social.

5.º) Colocar-se na condição do pedestre, esperando que ele atravesse a rua com segurança.

6.º) Jamais correr. Estar atento a todas as sinalizações.

7.º) Encarar a via pública como o que ela é de fato: um caminho que nos conduzirá a determinado lugar, onde executaremos um trabalho, assistiremos uma pessoa necessitada ou partilharemos de horas de lazer e descanso. Não fazer da via pública um fim em si mesmo.

8.º) Exercitar a virtude cardeal da paciência, oferecendo a Deus o sofrimento causado pelo desconforto das horas passadas num congestionamento.

9.º) Agradecer com um aceno de mão ou um sorriso a todo favor ou gentileza de outro motorista.

10.º) Nos faróis, dar esmola quando necessário e prudente, ou comprar balas e doces. Com estes gestos, cria-se nas ruas um clima de verdadeira caridade cristã, em que se dignificam as pessoas pobres que nos abordam. De qualquer modo, nunca virar o rosto, em atitude de desprezo; isto fere profundamente a moral cristã.

(Do livro “Reflexões de um Católico”, de Edson Luiz Sampel, Editora LTR, páginas 107 e 108). Foto de Kathy na Unsplash

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