Orquestra Juvenil de Salzburgo toca com os violinos originais de Mozart no Vaticano
Mais de 250 anos depois da viagem de Mozart a Roma, um de seus violinos voltou a ser segurado por um Papa.
Foto: Vatican News/ Vatican Media
Redação (04/09/2026 08:24, Gaudium Press) No último dia 2 de setembro, a orquestra juvenil “Ensemble Bella Musica”, ligada ao programa Pre-College da Universidade Mozarteum de Salzburgo, realizou um concerto especial na Sala Assunta da Rádio Vaticano, nos Jardins do Vaticano. O evento marcou um momento histórico: os jovens músicos utilizaram dois violinos originais que pertenciam a Wolfgang Amadeus Mozart, fechando um ciclo de mais de 250 anos desde que o compositor austríaco esteve em Roma e tocou para um Papa.
A orquestra juvenil executou, na Praça São Pedro, a “Pequena serenata noturna” durante a entrada do Papa na Audiência Geral. Ao final da audiência, o Papa Leão XIV teve a oportunidade de segurar em suas mãos um dos instrumentos: o violino Dalla Costa (também conhecido como violino Costa), construído em 1764 pelo luthier italiano Pietro Antonio Dalla Costa, em Treviso, e usado por Mozart em seus concertos em Viena. A Fundação Mozarteum, proprietária dos instrumentos, trouxe-o a Roma junto com o pequeno violino da infância de Mozart, com o qual o jovem Wolfgang deu seus primeiros passos como músico.
Linus Klumpner, diretor da Fundação Mozarteum, descreveu o gesto do Papa como espontâneo: “Muitas pessoas se sentem desconfortáveis ao manusear um instrumento tão frágil. O Papa, porém, agiu com naturalidade; pegou o violino. É uma grande honra para nós termos compartilhado essa ponte histórica. É como se Wolfgang Amadeus Mozart tivesse voltado a Roma depois de mais de 250 anos”.
Foto: Vatican News/ Vatican Media
O concerto, gravado no estúdio da Rádio Vaticano (fundada em 1929), não foi aberto ao público. Sob a direção artística de Stefan David Hummel, a orquestra – formada por jovens de 10 a 22 anos de diversos países da Europa e da Ásia – interpretou um programa quase inteiramente dedicado a Mozart. O repertório incluiu a abertura de Così fan tutte, a Sinfonia Júpiter e o Ave Verum Corpus. Antes do Ave Verum, o ensemble ofereceu uma surpresa especial: um trecho de The Sound of Music (A Noviça Rebelde), filme de 1965 ambientado em Salzburgo e declarado um dos preferidos do Papa Leão XIV, de origem americana.
A estrela da noite foi a violinista chinesa Shuxuan Jin, de apenas 10 anos, nascida em Xangai e residente na Áustria desde a infância. Ela tocou o violino da infância de Mozart – o mesmo instrumento com o qual o compositor, na mesma idade, começou a revelar sua genialidade. Jin estuda no pre-college da Universidade Mozarteum, uma das instituições musicais mais renomadas do mundo.
A conexão histórica é profunda. Em 1770, o jovem Mozart, então com 14 anos, esteve em Roma e ouviu uma única vez a execução do Miserere de Gregorio Allegri — uma obra sacra complexa, de 15 minutos e escrita para nove vozes independentes. Por decreto papal, a partitura era mantida em segredo absoluto e sua cópia ou execução fora da capela era punida com excomunhão. Ao voltar para sua hospedagem, Mozart transcreveu a música inteira de memória. Impressionado, o Papa Clemente XIV condecorou-o com a Ordem da Espora de Ouro e nomeou-o cavaleiro. Agora, mais de dois séculos e meio depois, a música de Mozart retorna ao coração da Igreja por meio de uma orquestra internacional de jovens e dos próprios instrumentos do maestro.
Stefan David Hummel destacou o significado do evento: “Justamente nestes tempos agitados, entendemos este concerto também como um sinal de paz. A música pode unir as pessoas para além de fronteiras, línguas e convicções. Somos gratos por poder levar esta mensagem juntos ao mundo”.
O Ensemble Bella Musica não é apenas um grupo de talentos juvenis, mas uma verdadeira “pequena Europa musical”, reunindo músicos da Áustria, Alemanha, Itália, Espanha, Eslovênia, Bósnia-Herzegovina, Hungria, China, Tailândia, Coreia e Irã. Sua turnê italiana, nos passos de Mozart, incluiu esta parada especial no Vaticano como um dos momentos mais significativos.
Após a gravação na Rádio Vaticano, o Ensemble Bella Musica realizou, à noite, uma apresentação envolvente na igreja de Santa Maria dell’Anima de língua alemã, em Roma, novamente com o acompanhamento dos violinos históricos de Mozart.
Este encontro entre a genialidade de Mozart, a juventude de hoje e o sucessor de Pedro reforça o valor da música sacra como tesouro que eleva o espírito, une os corações e abre espaço para a graça de Deus. Como lembrou o próprio Papa em outras ocasiões, a música sacra é um ato de oração que favorece a unidade no louvor a Deus e abre os corações para serem moldados pela graça divina.





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