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O Santíssimo Nome de Maria

Dia 12 de setembro a Igreja celebra a Festa do Santíssimo Nome de Maria. Receber um nome, dar um nome… O que isso significa? Qual é a sua importância?

Redação (11/09/2020 09:51, Gaudium Press) Para o homem contemporâneo, carente da noção simbólica das coisas, dar ou receber um nome não passa de uma mera convenção social, sem qualquer ligação mais profunda com o ser designado.

Bem diversa se apresentava a concepção dos antigos judeus, povo ao qual fora confiada a Revelação. Logo nas primeiras páginas das Sagradas Escrituras, lemos que, após ter formado da terra os animais do campo e as aves do céu, Deus os conduziu a Adão, para que dele recebessem um nome. E o autor sagrado conclui: “O nome que o homem pôs aos animais vivos, esse é o seu verdadeiro nome” (Gn 2, 19). Indicava assim que o nome dado por nosso primeiro pai exprimia o atributo preponderante daquele ser, enquanto reflexo de uma perfeição divina, em função do qual os demais se ordenavam. Constituía, por conseguinte, sua definição ontológica.

Simbolismo do nome

Com efeito, o povo da Aliança considerava o nome de uma pessoa como portador de um significado transcendente, máxime se inspirado por Deus. Ao profetizar a personalidade e dignidade do Messias, Isaías afirma que Ele Se chamaria Emanuel, que quer dizer Deus Conosco (cf. Is 7, 14; 9, 6). Por sua vez, quando anuncia a Zacarias que Isabel conceberia e daria à luz um filho, São Gabriel revela sua missão e seu nome: João, que significa Yahvé é propício (cf. Lc 1, 13-17).

De modo análogo, o nome da Mãe de Deus também foi objeto de uma revelação. O Arcanjo Gabriel o indicou a São Joaquim na própria ocasião em que lhe anunciou em sonho que sua esposa conceberia, apesar da avançada idade.

Assim, o nome é o símbolo de uma realidade psicológica, moral, espiritual, mais profunda contida na pessoa. Por causa disso, o nome de Nossa Senhora, como o santíssimo Nome de Jesus, deve ser considerado simbólico da virtude excelsa, da missão, enfim, de tudo aquilo que a Santíssima Virgem é verdadeiramente. O nome de Maria é a afirmação da glória e dos predicados interiores d’Ela.

Quando Nossa Senhora recebeu seu nome?

Contudo, terá havido uma circunstância especial ou um ato específico em que a Menina recebeu formalmente seu santíssimo nome? Ou, pelo contrário, o hábito de chamá-la Maria introduziu-se de modo orgânico e quase imperceptível, em decorrência da comunicação angélica?

A Lei Mosaica era muito explícita quanto ao procedimento com os recém-nascidos do sexo masculino, que deviam ser circuncidados no oitavo dia (cf. Lv 12, 3).

Como a circuncisão marcava sua incorporação oficial ao povo eleito, estabeleceu-se o costume, já nos tempos talmúdicos, de o menino receber nesta cerimônia o seu nome, o qual lhe era dado em geral pelo pai. A respeito das crianças do sexo feminino, porém, nada havia determinado Moisés ou mesmo a tradição hebraica; o que acabou originando uma grande variação quanto ao momento de conferir-lhes o nome. Por essa razão, o Autor considera que os pais de Nossa Senhora muito naturalmente começaram a chamá-La Maria logo após seu nascimento.

Significado do nome: Maria

Desde o período patrístico, o santíssimo nome de Maria tem fascinado os cristãos. Muitas das especulações sobre seu significado e etimologia redundaram-Lhe em títulos de louvor, como Senhora, Estrela do Mar, Muito Amada, entre outros.

Alguns chegaram inclusive a ver neste nome uma referência a Maria, irmã de Moisés e Aarão (cf. Ex 15, 20), escolhida por Deus para cooperar com o profeta na libertação do povo eleito da escravidão do Egito, pré-figura da Alma Socia Redemptoris, a Corredentora, não apenas dos israelitas, mas de todo o gênero humano.

O que significa, pois, glorificar o nome de Maria? Que excelências ele exprime? Se o nome de Jesus manifesta a sua glória e missão salvadora, pode-se dizer que o nome de Maria expressa o conjunto das perfeições divinas, uma vez que “Deus Pai reuniu todas as águas e denominou-as mar; reuniu todas as graças e chamou-as Maria”.

Consciente da força inerente aos nomes de Jesus e Maria, e das copiosas bênçãos que defluem de sua simples invocação, a Santa Igreja tem consagrado, no decorrer dos séculos, festas litúrgicas e atos de piedade para louvá-los. A própria saudação “Salve Maria!”, tão difundida em amplos setores da Opinião Pública católica de nossos dias, parece manifestar o desejo de tornar o nome de Maria sempre presente no relacionamento humano, como símbolo e expressão da realidade misteriosa, inefável e sacratíssima que nele existe.

Por que festejar o nome de Maria?

Comemorando esse nome, festejamos a glória que Nossa Senhora teve, tem e terá no universo, e também a que Ela possui no Céu. Ela é a Rainha de todos os Anjos e Santos, colocada incomensuravelmente acima de todas as criaturas, de maneira que, na ordem criada, Ela é o cone para o qual tudo converge, sendo nossa Medianeira junto a Deus Nosso Senhor.

De fato, a glória que Ela com isso tem é simplesmente inexprimível; é uma decorrência de sua condição de Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Entretanto, na Terra também Nossa Senhora deve ser glorificada. O normal seria que a Virgem Maria fosse venerada na Terra e seu nome santíssimo glorificado de modo inexprimível.

É simplesmente uma ocasião contínua de pesar e indignação ver que a Santíssima Virgem não é glorificada o quanto deveria por causa dos vícios, crimes e maldades dos homens.

Em relação à glória de Nossa Senhora nós deveríamos ser zelosos como filhos na casa de sua mãe. Imaginem se um de nós poderia sentir-se bem, quando vê recusarem a Ela as atenções que lhe são devidas. Assim sendo, como podemos estar contentes na Terra, vendo serem recusadas as honras e as atenções a que Ela tem direito?

Peçamos a Nossa Senhora, tão injuriada pelos homens em nossos dias, que aceite o nosso desagravo por tantas ofensas que Ela está continuamente recebendo! E que Seu nome Santíssimo seja glorificado o quanto antes!

 

Texto extraído, com adaptações, do livro Maria Santíssima! O Paraíso de Deus revelado aos homens. Parte II, Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP;

Extraído de conferência de 12/9/1964. Plinio Corrêa de Oliveira

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