O sacrifício agradável a Deus
Como oferecer um sacrifício que alcance o trono da Suprema Majestade nos céus?

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Redação (29/08/2026 15:17, Gaudium Press) Haveria alguém que, ao folhear as primeiras páginas das Sagradas Escrituras, nunca se tenha deparado com o apaixonante episódio dos dois irmãos que queimavam o fruto de seus trabalhos em ação de graças ao Criador? Sem embargo, enquanto a fumaça que se exalava daquilo que de melhor havia entre os rebanhos de Abel subia desimpedida, comprazendo a Deus, o mesmo não ocorria com o oferecimento mesquinho de Caim.
A partir desse momento, foi traçada uma linha divisória que distinguiu – e distinguirá até o fim dos tempos – os sacrifícios que agradam ou não a Deus.
E os nossos, de que lado estarão?
Renovação do modo de pensar
É São Paulo quem nos dá a resposta:
“Pela misericórdia de Deus, eu vos exorto, irmãos, a vos oferecerdes em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus. […] Não vos conformeis com o mundo, mas transformai-vos, renovando a vossa maneira de pensar e de julgar” (Rm 12,1-2a)
O ensinamento do Apóstolo destaca dois pontos: primeiro, que a vítima do sacrifício não será mais colhida de rebanhos ou de celeiros, mas nós mesmos é que devemos nos oferecer; segundo, ele vincula o sacrifício agradável a Deus ao ato de renovar a nossa maneira de pensar e de julgar. Cabe aqui uma atenção especial à palavra “maneira”, pois, se para cada cabeça há uma sentença, essa renovação corre grave risco de incorrer em subjetivismo, caso não haja um critério que determine em que ela consiste.
No evangelho, Nosso Senhor Jesus Cristo esclarecerá este pormenor.
O critério divino
Poucos versículos depois de aclamar São Pedro como alicerce da Santa Igreja, o mesmo Cristo o repreendeu, chamando-o de satanás (cf. Mt 16,18.23).
Com efeito, o Salvador revelara aos seus seguidores os fatos trágicos da Paixão com os quais consumiria a Redenção dos homens. O primeiro Papa, ainda longe de atingir o grau de virtude que o distinguiria, não quis aceitar o prenúncio de Jesus, chegando mesmo a repreendê-Lo (cf. Mt 16,21-22).
Nesse momento, as palavras severas de Nosso Senhor não apenas corroboram o ensinamento de São Paulo, mas estabelecem o critério pelo qual a maneira de pensar é corretamente direcionada, pois Ele afirma: “não pensas as coisas de Deus, mas sim as coisas dos homens!” (Mt 16,23).
Além disso, o Salvador prossegue, ressaltando que todo aquele que deseja segui-Lo, deve renunciar a si mesmo e tomar a sua cruz. Fica, assim, claro que um dos pontos fundamentais de tal renúncia consiste em abandonar os padrões meramente humanos de pensar para considerar as coisas a partir do prisma divino.
Quem renova o seu modo de pensar segundo a direção indicada por Jesus, poderá oferecer um sacrifício cuja fumaça atinja os céus, pois será capaz de discernir aquilo que é da vontade de Deus (cf. Rm 12,2b). Ele próprio, Nosso Senhor, deu o exemplo supremo quando disse ao Pai: “Não se faça a minha vontade, mas sim a tua” (cf. Lc 22,42).
O nosso sacrifício
O que significa isso para nós?
Que sacrifício subirá até o trono de Deus? Certamente, não aquele que nos agrada e que se ajusta às nossas conveniências, mas aquele que o próprio Deus nos envia. Eles não se encaixarão com nossas comodidades, mas com aquilo nos for mais benéfico.
Muitas vezes, Deus poderá nos pedir grandes sacrifícios que se realizam de um só lance, ou em um período determinado, como a perda de um ente querido ou uma situação que mude todo um planejamento de vida. Há, porém, uma espécie de oferecimento contínuo e quase imperceptível, que se dilui nos pequenos casos do quotidiano: a simples aceitação das nossas limitações, que Deus permite a fim de exercitar em nós a virtude da modéstia, e que pode custar mais ao nosso “ego” do que fazer jejuns e dar esmolas. Ou, quiçá mais duro ainda, procurar cumprir com perfeição nossos deveres de estado. Quantas crianças carecem do afeto e da educação a que têm direito, porque o uso imoderado dos aparelhos eletrônicos desvia o pai ou a mãe das suas obrigações?
Seja como for, saibamos imitar o sublime exemplo dado por Nossa Mãe Santíssima que, tendo seus pensamentos sempre orientados pelo critério divino, fez de toda a sua existência um perene oferecimento de agradável odor, reconhecendo nas cruzes que Deus lhe enviava o caminho seguro para o cumprimento de sua missão.
Por Rodrigo Siqueira





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