“O Rosário manteve viva nossa esperança”: o comovente testemunho de uma religiosa sequestrada diante do Papa Leão XIV
A Irmã Carine Tangiri Mangu contou ao Santo Padre e aos presentes como ela e outra irmã foram sequestradas, ao retornem da escola onde trabalhavam.

Foto: screenshot Shalom World News/ Facebook
Redação (17/04/2026 08:41, Gaudium Press) No dia 16 de abril, o Papa Leão XIV presidiu um importante Encontro pela Paz, realizado na Catedral de São José, na cidade de Bamenda, localizada no noroeste de Camarões.
A região, de maioria anglófona, vive há anos um grave conflito separatista que já causou milhares de mortes desde 2017. A violência opõe os separatistas anglófonos ao governo dominado pelos francófonos, e também a presença do Boko Haram, resultando em milhares de deslocados, comunidades inteiras destruídas e um grande número de crianças fora da escola.
Em meio à violência que assola essa região, há quase uma década, o testemunho de uma religiosa da Congregação das Irmãs de Santa Ana, emocionou profundamente o Papa Leão XIV durante o encontro.
A Irmã Carine Tangiri Mangu contou ao Santo Padre e aos presentes como ela e outra irmã foram sequestradas no dia 14 de novembro, ao retornem da escola onde trabalhavam. Homens armados as levaram para o meio da selva, onde permaneceram reféns por três dias e três noites.
Segundo o relato da religiosa, os sequestradores “exigiram que lhes déssemos números de telefone para poderem pedir um resgate”. E embora pudessem muito bem ter cedido à chantagem, elas iniciaram “uma greve de fome e explicamos que estávamos simplesmente fazendo nosso trabalho em prol dos pobres e que não tínhamos nada a ver com política”.
“Não dormimos, não comemos. Fomos levadas de um lugar para outro durante a noite, em motocicleta, sem comida e sem água”, relatou a religiosa com serenidade. Apesar do terror e da privação, o que sustentou sua esperança e a de sua companheira foi a citação constante do Rosário.
“O que manteve viva nossa esperança foi o Rosário, que rezamos sem parar durante aqueles dias e noites”, afirmou a irmã Carine. “Seguimos confiando na ajuda de Deus e na intercessão da Virgem Maria”, completou.
Sujas e famintas, elas foram finalmente libertadas “graças à intervenção dos cristãos daquela região”. A religiosa ressaltou que “estas são as condições em que muitas mulheres consagradas realizam seu trabalho e vivem nesta zona de guerra”. Algumas passaram por experiências ainda mais dramáticas e traumáticas, reconheceu a irmã Carine, mas nenhuma abandonou sua vocação.
O Papa Leão XIV ouviu o relato com atenção visível, claramente comovido, afirmando que “Deus nunca nos abandona! Nele, em sua paz, podemos sempre recomeçar!”
O testemunho da Irmã Carine não foi apenas uma história pessoal de sofrimento, mas o eco do drama vivido por muitas comunidades cristãs na região, onde sequestros, violência separatista e instabilidade são uma realidade dolorosa há anos.
Foto: vatican news/ vatican media
No final, o Papa Leão XIV soltou uma pomba em frente à catedral, simbolizando a paz.




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