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O Reino de Cristo, por meio do Reino de Maria

Não estará próximo o advento de Reino de Maria?  Assim como em Caná o melhor vinho foi servido ao final, também na História da humanidade Nosso Senhor parece querer deixar a última palavra para sua Mãe Santíssima: “Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará”! O triunfo d’Ela é o triunfo de Cristo.

Redação (24/09/2020 15:05, Gaudium Press) No “Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem”, São Luís Grignion de Montfort prediz o advento do Reino de Maria, uma era na qual Nossa Senhora deve refulgir, “como jamais brilhou em misericórdia, em força e graça”. E o santo suspira: “Ah! quando virá este tempo feliz em que Maria será estabelecida Senhora e Soberana nos corações, para submetê-los plenamente ao império de seu grande e único Jesus?”.

Ora, este célebre sacerdote francês, do qual São João Paulo II era grande devoto, menciona como um dos principais empecilhos à glorificação da Mãe de Deus e ao reinado de Cristo por meio d’Ela nos corações, o fato de não ser Maria ainda suficientemente conhecida pelos fiéis.

Tal afirmação pode surpreender, uma vez que no início do século XVIII — quando ele escreveu seu famoso livro — o culto à Virgem Santíssima havia já atravessado os oceanos, tomado novas cores nas Américas, na África, na Índia, no Extremo Oriente, na Oceania, e dado origem a centenas de piedosas invocações a Maria.

Como interpretar as palavras de São Luís Grignion?

Por admirável desígnio divino, o Evangelho é muito parco em detalhes a respeito da Mãe de Jesus e foi no gradual desenvolvimento da doutrina católica que foram se revelando os maravilhosos predicados da obra-prima do Criador.

Entretanto, mais do que aos estudos dos sábios e doutores, isso se deverá à iniciativa dos fiéis, inspirados pelo Espírito Santo. Pois, segundo afirma um autor, “é como se todos os dogmas referentes a Maria tivessem sido confiados à custódia e explicitação do coração simples e fiel do povo cristão, em igual ou maior medida do que ao raciocínio da teologia especulativa”[1].

Foi, com efeito, a piedade popular que impulsionou — quase se diria exigiu — a proclamação dos dogmas da Imaculada Conceição e da Assunção. E em época mais recente também ocorreram as grandes aparições marianas, notadamente em Lourdes e Fátima.

Ora, tendo em vista o crescente papel da Mãe de Deus na vida da Igreja, cabe perguntar o que falta para que chegue o Reino de Maria, tão almejado pelo santo francês e por Ela prometido em Fátima ao proclamar: “Por fim, meu Imaculado Coração triunfará!”. Será alguma nova explicitação dos inefáveis atributos de Maria Santíssima que inflame e transforme os corações?

Apóstolos dos últimos tempos

Com fina intuição profética, Santa Catarina de Siena anunciou uma era de paz para o Corpo Místico de Cristo e para o mundo: “Depois de todas essas tribulações e angústias, de um modo que escapa à compreensão humana Deus purificará a Santa Igreja e despertará o espírito dos eleitos. Haverá em seguida uma reforma tão grande na Igreja de Deus e uma tal renovação dos santos pastores, que meu espírito exulta no Senhor só de pensar nisso. […] Atraídos pelo bom odor de Cristo, os infiéis voltarão ao redil católico e se converterão ao verdadeiro Pastor”[2].

Nos últimos tempos, afirma ainda São Luís Grignion, o Altíssimo e sua Santa Mãe devem suscitar grandes santos, de uma santidade tal que sobrepujarão a maior parte dos santos, como os cedros do Líbano se avantajam às pequenas árvores em redor. Por suas palavras e por seu exemplo, arrastarão todo o mundo à verdadeira devoção e isto lhes há de atrair inimigos sem conta, mas também vitórias inumeráveis e glória para o único Deus.

De fato, São Luís Grignion designa esses santos pelo nome de “apóstolos dos últimos tempos”, e os descreve com palavras de fogo, pouco usuais em nossos dias. Serão eles como flechas agudas nas mãos de Maria, purificados no fogo das grandes tribulações. Para os pobres e pequenos, terão o bom odor de Jesus Cristo. E para os orgulhosos do mundo, um odor repugnante de morte. Serão nuvens trovejantes, sem apegar-se a coisa alguma. O Senhor das virtudes lhes dará a palavra e a força para fazer maravilhas e alcançar vitórias gloriosas sobre seus inimigos. Dormirão sem ouro nem prata e, o que é melhor, sem preocupações. Terão na boca a espada de dois gumes da palavra de Deus; em seus ombros ostentarão o estandarte ensanguentado da Cruz; na direita, o crucifixo, na esquerda, o rosário, no coração, os nomes sagrados de Jesus e de Maria!

Quando e como isso acontecerá?

Nessa época, as almas respirarão Maria, como os corpos respiram o ar. E Maria reinará efetivamente nos corações e no mundo. Pergunta São Luís: quando e como isso acontecerá? Só Deus o sabe!

Quiçá queira Cristo que a mais sublime das eras históricas tenha por causa imediata um pedido de sua Santíssima Mãe, deixando consignado para sempre o poder infalível de sua intercessão. “Eles não têm vinho!” (Jo 2, 3) — disse Maria a seu Filho nas bodas de Caná. E bastaram essas palavras para Ele realizar um estupendo milagre cujos efeitos ultrapassaram largamente aquela festa.

Não terá esse humilde pedido transcendido também os umbrais do tempo, obtendo inimagináveis graças para os séculos futuros? Não estará próximo o momento em que, para o advento de seu Reino, poderá Ela nos recomendar: “fazei tudo o que Ele vos disser”?

Só o futuro no-lo revelará. Quanto a nós, cabe rezar e divulgar pelo mundo a verdadeira devoção a Maria Santíssima.

 

Texto extraído, com adaptações, da revista Arautos do Evangelho n.113 maio 2011.


[1] MARIN-SOLA, OP, Francisco. La evolución homogénea del Dogma católico

[2] BEATO RAIMUNDO DE CÁPUA. Santa Catalina de Siena. Barcelona: La Hormiga de Oro, 1993, p.281.

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