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O que está acontecendo no México?

O secretário do episcopado mexicano afirma que a estratégia de segurança do governo chamada “abraços, não balas” é um fracasso. Ele diz que o crime deve ser enfrentado “com o uso da lei”.

Redação (05/07/2022 16:44, Gaudium Press) Nos últimos dias, várias notícias do México chocaram o mundo católico pela sua violência.

Após o assassinato de dois jesuítas em Cerocahui, estado de Chihuahua, em 20 de junho, quando uma pessoa perseguida por membros do crime organizado buscava refúgio em sua igreja, surgiu uma notícia do Cardeal Arcebispo de Guadalajara, Mons. Robles Ortega, declarando que a Igreja não só deve sujeitar-se às regulamentações estatais, mas também pagar o ‘imposto’ ao narcotráfico.

No final de junho e referindo-se a algumas paróquias do estado de Zacatecas, o purpurado afirmou que “Todas essas paróquias que estão nessa zona para poder celebrar a festa do padroeiro, ou seja, a feira do povo, têm que obter a permissão do encarregado da praça. O encarregado da praça autoriza o sacerdote a celebrar a festa do padroeiro, mas tem que prestar contas com 50% do resultado da festa”.

O Cardeal Robles falou de um para-Estado que está se estabelecendo em regiões do México: “O incidente com o bispo [de Zacatecas], bem, não devemos nos acostumar com isso, mas é o pão de cada dia. Eu fui, na semana passada, lá no norte do estado, precisamente na fronteira com Zacatecas, e também fui detido por duas barricadas, e obviamente são postos de controle do crime organizado e eles exigem que você diga de onde vem, para onde vai, qual o seu trabalho, o que você faz; isso é normal e natural”.

“Isso é normal, não é a primeira vez que isso acontece comigo, eu já fui para essas direções e esses postos de controle estão estabelecidos lá, com armas pesadas, com armas grossas. Duas barricadas no mesmo trajeto. Eles fazem o mesmo com todos os que passam. O que eu digo é por que, com que autoridade, um grupo do crime organizado te detém, te prende e te investiga. Por quê?”, destacou também o Cardeal.

México, um estado falido?

Agora a notícia é a agressão ao Pe. Mateo Calvillo, sacerdote da diocese de Morelia que foi agredido em Michoacán, no sul de Jalisco, de forma “profissional”. O sacerdote – que diz que não foi agredido por ser sacerdote, mas por atropelar um cachorro – aproveitou a publicidade para intitular o México como “Estado falido”, em “decomposição social”: “Estamos na anarquia”, sentenciou. “Não há ninguém para proteger os inocentes, mas sim para proteger aqueles que estão envolvidos no narcotráfico porque eles também são seres humanos.”

Declarações do episcopado

Não é por menos que os bispos mexicanos, correndo o risco de serem acusados ​​de intervir na política – o que no país asteca é mais do que complicado –, pediram ao governo uma mudança na política de segurança.

“Esta realidade de violência nos atinge; nosso México está derramando sangue de tantos mortos e desaparecidos, entre eles 27 sacerdotes, incluindo os padres jesuítas que foram assassinados pelo crime organizado, identificando-se assim com as milhares de vítimas de nosso povo que tiveram esse fim, com as dezenas de milhares de desaparecidos cujas famílias continuam procurando”, assinalou Mons. Ramón Castro, bispo de Cuernavaca e secretário geral do episcopado.

Mons. Castro insistiu nestas posições: “A estratégia de ‘abraços, não balas’ está errada”, e citou um estudo da empresa Mitofsky onde “69,9% [das pessoas] acreditam que o governo deve enfrentar o crime com o uso da lei. 62,1% acham errado proteger a vida dos criminosos para evitar um confronto com as forças armadas.”

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