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O poder do inferno não prevalecerá

Na escuridão deste mundo, o braço de Deus não nos abandonará, e não permitirá que o mal triunfe.

Redação (07/07/2020 09:00, Gaudium Press) Quando tomamos conhecimento de que na Igreja da Holanda, foi proposto que 326 paróquias sejam fundidas em 48, que os templos sejam demolidos ou transformados em bibliotecas, lojas ou restaurantes, e que os materiais religiosos sejam vendidos para países da América ou da África.

Quando nos chegam informações de que, na Alemanha, nos últimos 20 anos, mais de três mil paróquias foram fechadas. Agora, na Diocese de Trier sugerem que, de 800 passem para 35, um projeto interrompido pela Congregação para o Clero.

Os fiéis diminuem

A causa é a contínua diminuição de fiéis, não apenas nesses países, mas também em outros da velha Europa. Fatos atuais que confirmam as palavras de São João Paulo II no ano 2003: “Temos diante de nós um mundo no qual, inclusive nas regiões de antiga tradição cristã, os sinais do Evangelho vão se atenuando” (Spiritus et sponsa, 11) e de Bento XVI: “em amplas áreas da terra a Fé corre o risco de apagar-se como uma chama que já não consegue encontrar alimento” (27-1-2012).

Erros se difundem no mundo católico

Por outro lado, chegam notícias dos erros, de todos os tipos, que vão se disseminando em diversos ambientes do mundo católico. Qualificados como “o veneno que paralisa a Igreja” pelo Cardeal Müller, Prefeito Emérito da Congregação para a Doutrina da Fé, e que pressionam para que nos adaptemos ao “espírito da época, para relativizar os mandamentos de Deus e reinterpretar a doutrina da Fé”.

Por outro lado, em outras partes do mundo, milhares de heróicos missionários são assassinados anualmente por pregar o Evangelho. Os relatórios indicam que o número de países onde os cristãos sofrem perseguição já supera os 144. Nunca antes na História tantos cristãos enfrentaram perseguição.

Uma lepra parece ter tomado partes do corpo da Igreja

A deserção de fiéis produz em nós um grande pesar, o desmantelar os edifícios sagrados nos aflige, a perseguição religiosa nos deixa abalados, a desfiguração da verdadeira fisionomia da Santa Igreja dentro de seus próprios muros, nos deixa de coração partido e indignados. Nós a vemos humilhada, caluniada, desprezada e ridicularizada por seus inimigos internos e externos; a vemos objeto de esquecimento e de respeito humano, por parte de seus filhos tíbios.

Congregação Vaticana propõe Missa votiva e nova intenção às Intercessões Solenes na Celebração da Paixão do Senhor.

Um tipo de “lepra” parece ter tomado conta de partes de seu “corpo”, uma aparente “paralisia” a imobiliza. Estamos, como o que, diante de uma “paixão” do Corpo Místico de Cristo, a Santa Igreja.

Em certa ocasião, o Cardeal Ratzinger afirmou, “quase” profetizando: “a Igreja poderia apequenar-se, de tal maneira que, algum dia, se converteria, em uma Igreja de minorias” (Sal da terra).

A Igreja em uma situação catacumbal

Triste panorama, agravado neste período de quarentena mundial que tem deixado a Igreja – devido aos regulamentos preventivos, com suas portas fechadas – em uma espécie de situação catacumbal; embora, em alguns países, estejam vendo a luz do dia novamente.

Não sabemos como será esse ressurgimento, essa saída do confinamento, no qual os fiéis dificilmente terão um acompanhamento virtual através dos meios eletrônicos; em que não poderão receber os sacramentos do perdão, a Sagrada Comunhão, Batismos, casamentos, unção dos enfermos. Podemos afirmar que vemos os membros do Povo de Deus “cansados e abatidos, como ovelhas sem pastor” (Mt 9, 36).

Monsenhor João Scognamiglio Clá Dias, fundador dos Arautos do Evangelho, explicou em um de seus livros, sobre a situação do mundo contemporâneo, que poderemos aplicá-lo ao que relatamos acima: “Diante de um panorama tão assustador… onde está essa voz? Onde está a voz que conduzirá a humanidade extraviada ao redil da fidelidade à Santa Igreja? E se perguntava ainda mais: Deus terá nos abandonado? Quem poderá acreditar que o Redentor, que quer salvar a todos e levá-los ao conhecimento da Verdade, tenha resolvido permanecer em silêncio quando os homens necessitam dEle?”

O navio da Igreja está passando por tempestades. Nos vem à mente um dos sonhos que São João Bosco contou aos seus jovens, verdadeiras visões do futuro.

A Igreja ressurgirá

Lhes dizia. “Quero contar um sonho. Um mar com incontáveis navios em ordem de batalha, com canhões, material incendiário e livros. Se dirigem contra outro navio maior – escoltado por barcos que recebem ordens – para lhe prejudicar. O vento e a agitação do mar favorecem os inimigos.

Na imensidão do mar, duas colunas robustas se erguem. Sobre uma, a imagem da Virgem Imaculada. A outra, maior, com uma Hóstia, o Santíssimo Sacramento.

O comandante do navio é o Romano Pontífice. Ele empunha o timão, conduzindo o navio em direção às colunas, das quais pendem correntes. Os navios inimigos lançam escritos, livros, materiais incendiários, acionam canhões. O gigantesco navio prossegue seu caminho em meio das blasfêmias e maldições. O Pontífice é ferido e morre. Outro ocupa a posição vaga. O novo Pontífice guia a nave e a amarra às colunas. No momento, as naves inimigas fogem, se dispersam, se destroem mutuamente. Os pequenos navios que acompanhavam o do Papa permanecem tranquilos ao seu lado. No mar reina uma calma absoluta”. Dom Bosco explicou mais tarde: “os navios inimigos são as perseguições, se preparam dias difíceis para a Igreja”.

Realmente, profetizou. O Cardeal Ratzinger – 158 anos depois – na homilia da missa prévia à sua eleição como Pontífice, prevendo os tempos atuais da vida da Igreja, afirmava: “Quantos ventos de doutrina conhecemos durante estas últimas décadas? Quantas correntes ideológicas? Quantos modos de pensamento? A pequena barca do pensamento de muitos cristãos tem sido frequentemente abalada por essas ondas, levadas de um extremo ao outro” (18/04/2005).

O braço de Deus não nos abandonará

Diante disso, bem podemos dizer, sem medo de sermos desmentidos, para estimular a confiança – tanto nos católicos quanto naqueles que não são – que o braço de Deus não nos abandonará e não permitirá que o mal triunfe, nem que os poderes infernais conseguirão destruir a Igreja. Nosso Senhor Jesus Cristo afirmou isso ao seu primeiro Vigário na terra: “Agora eu lhe digo: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei minha Igreja, e o poder do inferno não prevalecerá contra ela” (Mt 16, 18).

Peçamos a Deus nosso Senhor, pela intercessão da sempre Virgem Maria, que, no meio das trevas deste mundo, permaneçamos manifestamente católicos, vivendo e morrendo na grandeza da Verdade que a Santa Igreja nos ensina. Colocando nossa esperança no esplendor anunciado pela Virgem em Fátima, ao afirmar o triunfo de seu Imaculado Coração, ou seja, uma nova era histórica na qual refulgirá a presença do Espírito Santo e de Maria Santíssima, o Reino de Maria.

(Publicado originalmente em La Prensa Gráfica, em 28 de junho de 2020).

Por Padre Fernando Gioia, EP

www.reflexionando.org

Traduzido por Emílio Portugal Coutinho

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