O plano A+A de Deus
À beira de um novo século, uma nova Graça, um novo ideal. Eis a conjuntura na qual alguns homens se lançaram à descoberta de um Novo Mundo.
Redação (26/08/2026 15:46, Gaudium Press) Olhares ansiosos e indecisos fitaram a chegada do séc. XV. O que seria dele?
Estava, de fato, o mundo em transição de fase, de eras… de História.
O fim da Cristandade medieval…
O continente europeu, outrora tão fiel ao Sacratíssimo Sangue de Nosso Senhor, passou a apresentar-se com uma fisionomia inteiramente nova. A Esposa Mística de Cristo, a Santa Igreja, sentia e percebia que lhe sobreviriam tempos muito perigosos, tempos de tempestades. Ela sabia que não se tratava apenas de mais uma época de dificuldades: era o fim de um mundo que ameaçava arrastá-la consigo no seu naufrágio. Era a Renascença.
A sociedade encontrava-se num abismo de horror: no campo das tendências, “o apetite dos prazeres se foi transformando em ânsia. As diversões foram se tornando mais frequentes e mais suntuosas. O anelo crescente por uma vida cheia de deleites da fantasia e dos sentidos ia produzindo progressivas manifestações de sensualidade e moleza. Tudo tendia ao gracioso e ao festivo”.[1] Os homens, os costumes, as construções, as músicas e as demais artes… tudo se apresentava cada vez mais sorridente. A Cristandade, porém, chorava!
Como as tendências desgovernadas lutam por encarnar-se em ideias, o homem passou a ser o centro e a medida de todas as coisas; a finalidade da vida passou a ser o sorriso e o deleite, nada mais!
Na religião, “o clima era demasiado favorável à heresia para que ela não surgisse”.[2] “Necessitamos ‘reformar’ a Igreja Romana”, dizia-se. O cristão devia basear a sua fé tão só na Palavra de Deus. A Tradição não passava de um conjunto de lendas. O primado romano não era senão um embuste do anticristo. Brandindo tais ideias, figuras como as de um Wiclef ou de um Huss aravam o campo para que Lutero pudesse semear, anos depois, as suas noventa e cinco teses protestantes!
2+2 será sempre igual a 4… O que está no coração e na mente humana naturalmente desabrocha em fatos. Uma verdadeira calamidade moral e consuetudinária assolou a sociedade: por todas as partes choviam escândalos cometidos por membros da nobreza europeia e – oh dor! – do próprio clero. Nem sequer o sólio pontifício escapou à exceção.
Inquieta, a Igreja assistia à perdição de seus filhos!
… e o revide de Deus!
Entretanto – e aqui entra a teoria dos grandes revides de Deus na História – é dos hábitos da Providência alcançar as suas grandes vitórias depois dos momentos em que tudo parece perdido, e realizá-las através de pequenos instrumentos, como aconteceu nas épocas de Gedeão, de Davi e dos Macabeus.
Foi na quadra histórica da decadência atrás resumida que apareceu, sobretudo na Península Ibérica, um punhado de homens sedentos de algo a mais na vida, pessoas para quem a tranquilidade e o prazer não eram tudo. Estes lançaram um olhar de desafio sobre os mares do Ocidente e puseram-se a desbravá-los. Era a época dos grandes navegadores.
À beira de um novo século, uma nova Graça, um novo ideal.
Eis a conjuntura que viu alguns homens descobrirem um Novo Mundo: as Américas.
Era a Providência que investia Espanha e Portugal com a missão de converter os índios na América, a fim de substituir, na Igreja, os filhos perdidos no norte da Europa. Sim, enquanto os inimigos da Igreja tentavam destruir a Cristandade na Europa, a Providência reservava à América a alegria de ver nascer novos cristãos.
O plano A de Deus parecia fracassar? O Onipotente começou, então, não o plano B, mas o plano A+A.
Urgia, então, levá-lo para a frente…
Urge também agora levá-lo adiante!
Por Samuel Fontenele
[1] CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio. Revolução e Contra-Revolução. 5.ed. São Paulo: Retornarei, 2002. p.26-27.
[2] DANIEL-ROPS. A Igreja da Renascença e da Reforma: I. A reforma protestante. Trad. Emérico da Gama. São Paulo: Quadrante, 1996, p.150.






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