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O papel laico na sociedade

Aula magna do renomado canonista brasileiro, Prof. Dr. Edson Luiz Sampel, abre o 2º semestre letivo nos Institutos de Teologia e Filosofia da Sociedade Clerical Virgo Flos Carmeli.

Redação (12/08/2022 09:00, Gaudium Press) O Prof. Dr. Edson Luiz Sampel[1], renomado canonista brasileiro, abriu o 2º semestre deste ano letivo aos estudantes de Teologia do Instituto Teológico São Tomás de Aquino (ITTA) e aos estudantes de Filosofia do Instituto Filosófico Aristotélico-Tomista (IFAT), ambos com sede em Mairiporã, São Paulo.

A aula magna versou acerca do papel laical na sociedade hodierna, não o restringindo ao âmbito espiritual, mas enfatizando suas implicações na esfera temporal, em função do parágrafo segundo do cânon 225 do Código de Direito Canônico.

Fundamentado também em recentes documentos eclesiásticos, o canonista apontou para o genuíno papel extra eclesial dos fiéis leigos, advertindo para a centralização do aspecto intereclesial em muitos leigos de hoje.

Precipuamente, assinalou como a esmagadora maioria de católicos é efetivamente leiga. Além de discorrer sobre o próprio termo “leigo”, encerrou tais considerações semânticas cunhando uma definição positiva de “leigo” nos seguintes termos: “É um membro da Igreja Católica que vive plenamente a secularidade e, em virtude dos sacramentos do batismo e da crisma, participa do múnus sacerdotal, profético e real de Cristo”.

Neste diapasão, seguiu-se um profundo discurso acerca da primazia do aperfeiçoamento da ordem temporal no múnus laical, com vistas a “cristofinalizar” os diversos atos sociais, segundo peculiar expressão sua. Como afirmou: “Hodiernamente, os valores profanos encontram-se emancipados da tutela religiosa e, destarte, cabe aos leigos suscitar o impacto da fé sobre os referidos valores”. Pressupondo uma visão otimista do mundo.

Ademais, frisou como o testemunho laical atua pela atração, e configurou o objetivo do apostolado do laicato como: “Transformar o mundo, inoculando nas estruturas societárias os ideais do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo”.

Além de exemplificar com casos concretos da atualidade toda a temática exposta, observou a existência de uma luta entre a “cultura da vida” e a “cultura da morte” no “tecido societário”, isto é, fica sob os auspícios dos leigos com cargos públicos agirem conforme os ditames do Evangelho, lutando para que “não se promulguem leis que, menosprezando a dignidade humana, minem pela própria raiz a convivência social”.

Terminou a conferência implorando a bênção da Santíssima Virgem para os que ali iniciavam novo semestre letivo.

Ao findar a preleção, foi calorosamente aplaudido.

Por Fernando Mesquita


[1] Advogado. Doutor em Direito Canônico pela Pontifícia Universidade Lateranense de Roma. Juiz adjunto do Tribunal Eclesiástico Interdiocesano de Uberaba. Membro da Sociedade Brasileira de Canonistas (SBC). Professor do Instituto Superior de Direito Canônico de Londrina.

 

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