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O Martírio de Santa Cecília

Por causa da perseguição aos cristãos o Papa refugiava-se nas catacumbas. Uma jovem nobre o procurou e pediu o batismo. A jovem era Santa Cecília, virgem e mártir.

Por causa da perseguição aos cristão o Papa refugiava-se nas catacumbas. Uma jovem nobre o procurou e pediu o batismo. A jovem era Santa Cecíla, virgem e mártir.

Redação (22/10/2020, 14:45, Gaudium Press) Durante o pontificado de Santo Urbano I (222-230), houve o martírio de uma virgem que marcou a História da Igreja. Era de nobre família e se chamava Cecília.

Aparições de seu Anjo da Guarda

Devido à perseguição contra os cristãos promovida pelo Imperador Alexandre Severo, o papa permanecia escondido numa catacumba. Certo dia, a jovem Cecília veio à sua presença e pediu-lhe que a batizasse.
Logo após ter recebido o Sacramento, ela fez voto de virgindade e, para cumpri-lo com firmeza, recorria ao seu Anjo da Guarda que muitas vezes lhe aparecia.

Completando vinte anos de idade, seus pais obrigaram-na a casar-se com um jovem muito rico chamado Valeriano. Mas no dia das bodas, Cecília o chamou e disse-lhe:
– Eu tenho um Anjo que zela por meu corpo, o qual está consagrado a Deus; ai de ti se te atreves a profaná-lo!
Valeriano respondeu-lhe:
– Só acreditarei no que me dizes se eu vir o Anjo de que me falas.
Cecília afirmou:
– Para ver este Anjo precisas purificar-te e acreditar que há um só Deus vivo e verdadeiro.
Tendo Valeriano manifestado o desejo de se purificar e conhecer a Deus, Cecília recomendou-lhe que fosse a uma catacumba situada sob a Via Ápia, onde encontraria um ancião chamado Urbano.

Por causa da perseguição aos cristão o Papa refugiava-se nas catacumbas. Uma jovem nobre o procurou e pediu o batismo. A jovem era Santa Cecília, virgem e mártir.

Conversão de Valeriano e Tibúrcio

Valeriano dirigiu-se apressadamente à catacumba e Santo Urbano o acolheu com grande bondade. Tudo o que Cecilia lhe dissera ele expôs ao Pontífice, o qual deu graças a Deus e começou a dirigir aos presentes inspiradas palavras.

Enquanto ele falava, apareceu a Valeriano o Apóstolo São Paulo, o qual lhe disse: “Leia o livro que te entrego! Se tiveres Fé serás purificado e verás o Anjo de que te falou Cecilia.”
Tremendo, Valeriano abriu o livro e leu estas palavras: “Há um só Deus, Pai de todas as coisas, Senhor de tudo, que a todos nós governa.”
— Acreditas no que leste? perguntou-lhe São Paulo.
— Sim, e nisso creio firmemente, respondeu Valeriano.

O Apóstolo desapareceu; em seguida Santo Urbano instruiu Valeriano nos mistérios da Religião, batizou-o e, depois de terem passado a noite em oração, disse-lhe que voltasse para ver Cecilia.

Valeriano a encontrou rezando, tendo a seu lado o Anjo em forma humana o qual trazia em suas mãos duas coroas ornamentadas com rosas e lírios; pôs uma delas sobre a cabeça de Cecilia e a outra sobre a de Valeriano, dizendo-lhes:
–Trabalhai, jovens, para conservar estas coroas com pureza de coração e santidade de vida. Eu as trouxe do jardim do Paraíso e estas flores jamais murcharão. E a ti, Valeriano, declaro da parte de Jesus que tudo o que pedires ser-te-á concedido.
– Anjo de Deus, exclamou Valeriano, peço-te a conversão de meu irmão Tibúrcio.
– Ser-te-á concedido o que pedes, respondeu-lhe o Anjo; da mesma maneira que Cecilia te converteu à Fé, tu converterás Tibúrcio e ambos alcançareis a palma do martírio. E desapareceu.
Valeriano foi à sua casa, contou a Tibúrcio as maravilhas que tinha visto e depois o conduziu a Santo Urbano, o qual o instruiu na Fé e batizou-o.

Máximo e sua família são batizados

Quando teve notícia da conversão de Valeriano e Tibúrcio, o Prefeito de Roma os chamou e ordenou a seus assessores que os levassem ao templo de Júpiter, para ali oferecerem incenso ao ídolo; se não o fizessem seriam decapitados.

Máximo, secretário do prefeito, acompanhava-os ao lugar indicado com uma escolta de soldados; contemplando, porém, aqueles nobres jovens indo à morte com tanta altanaria e alegria, como se fossem para uma grande festa, desejou abraçar a Fé.

Cristãos que ali se encontravam levaram-no à sua casa e o instruíram na verdadeira Religião. A graça de Deus atuou de tal modo que Máximo, sua família e outros pagãos que ouviram as explicações acreditaram em Jesus Cristo. Ao cair da noite, chegaram a essa residência Santo Urbano com outros sacerdotes e Santa Cecilia. O Papa, vendo que todos estavam bem instruídos, providenciou que fossem batizados.

Enquanto isso se passava, o verdugo designado para matar Valeriano e Tibúrcio chegou ao local onde eles estavam e, com transporte de furor, cortou suas cabeças. Nesse mesmo dia, Máximo recebeu a coroa do martírio.

Por causa da perseguição aos cristão o Papa refugiava-se nas catacumbas. Uma jovem nobre o procurou e pediu o batismo. A jovem era Santa Cecília, virgem e mártir.

Banhada em sangue, a virgem exorta os fieis

Ébrio de ódio, o prefeito enviou seus esbirros à casa de Santa Cecilia a fim de prendê-la; muitos pagãos os acompanharam. Ao entrarem em sua residência, ela falou-lhes de tal modo que os converteu. Mandou chamar Santo Urbano que lhes administrou os Sacramentos do Batismo e da Confirmação. Assim, quase quatrocentas pessoas se tornaram membros da Igreja.

Ao chegar ao conhecimento do prefeito a conversão dos seus próprios emissários, ele mandou que conduzissem Santa Cecilia à sua presença. Face às suas terríveis ameaças, ela disse palavras contundentes, cheias de Fé e desprezo do paganismo.

O prefeito, para evitar tumultos no povo que amava muito Santa Cecilia por suas obras de caridade, mandou que a matassem ocultamente em casa dela. Lançaram-na dentro de uma estufa bem aquecida para fazê-la morrer sufocada, mas ela saiu ilesa. Então, receberam ordem de cortar sua cabeça. O verdugo desferiu três golpes, mas não conseguiu separar a cabeça do tronco, e Santa Cecilia permaneceu no chão banhada em seu próprio sangue.

Os pobres que tinham desfrutado seus benefícios, bem como muitos outros cristãos, sem se importarem com o perigo a que se expunham, iam visitá-la, e a Santa os exortava a que permanecessem firmes na Fé.

Avisado, Santo Urbano I com toda pressa para lá se dirigiu, a fim de assisti-la durante aqueles terríveis e prolongados sofrimentos. Ao vê-lo, ela exclamou:
“Beatíssimo Padre, dou graças a Deus que em sua grande misericórdia dignou-Se ouvir minha oração. Eu Lhe tinha pedido que me desse ainda três dias de vida para poder ser consolada com vossa presença, e recomendar-vos ao mesmo tempo algumas coisas.
“Peço-vos, pois, que cuideis de meus pobrezinhos, dai-lhes tudo que encontrardes em minha casa, e depois transformai-a em igreja a fim de que os fiéis possam ali se reunir para cantar as glórias do Senhor.”

Após dizer essas palavras, sua alma voou ao Céu. A casa de Santa Cecilia converteu-se em capela, onde se vê ainda hoje a estufa dentro da qual queriam sufocá-la. Seu venerável corpo, que está incorrupto, encontra-se na Igreja de Santa Cecília no Além-Tibre, em Roma. Ela é a padroeira da música. Sua memória se celebra em 22 de novembro; a dos Santos Valeriano, Tibúrcio e Máximo em 14 de abril.

Por Paulo Francisco Martos
(in Noções de História da Igreja – 29)

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Cf. SÃO JOÃO BOSCO. História Eclesiástica. 6 ed. São Paulo: Salesiana, 1960, p. 59-62.

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