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“O fechamento das igrejas não pode ser feito pelo poder público”, assegura Bispo de Piracicaba

Agentes da guarda civil fecharam três igrejas da Diocese de Piracicaba (SP), neste final de semana, utilizando como argumento um decreto municipal.

São Paulo – Piracicaba (31/03/2021 09:14, Gaudium Press) Na manhã do último domingo, 28 de março, agentes da guarda civil obrigaram o fechamento de três paróquias da Diocese de Piracicaba, interior de São Paulo.

Segundo os agentes, o fechamento dos templos foi estabelecido no decreto municipal 18.653/21, dentro das medidas restritivas para a circulação de pessoas na cidade entre 27 de março e 4 de abril, por conta do agravamento da pandemia de Covid-19.

Decreto não impede a abertura dos templos

Entretanto, o mencionado decreto é explícito ao estabelecer que durante este período cultos religiosos “não podem funcionar”, mas não é apresentado nenhum tipo de impedimento em relação à abertura dos templos.

O referido documento menciona o decreto estadual 65.563/21, que em seu artigo 2o, inciso I, trata sobre a vedação de “cultos, missas e demais atividades religiosas de caráter coletivo”. Entretanto, estas podem ser realizadas sem a presença dos fiéis e transmitidas pela internet.

Ainda segundo o decreto estadual, o atendimento individual nos templos é permitido, assim como sua abertura para que os fiéis façam suas orações particulares.

Bispo defende liberdade de culto

Dom Devair Araújo da Fonseca, Bispo de Piracicaba, ressaltou que as paróquias e comunidades da Diocese têm respeitado as restrições para a realização de celebrações públicas.

Segundo o prelado, “o fechamento de igrejas não pode ser feito pelo poder público da forma como está sendo feito. Pedimos que as autoridades competentes tenham clareza do decreto, porque nós temos. Tenham clareza, também, daquilo que são as garantias do direito e da liberdade de culto”.

Atendimento aos fiéis e aos pobres continuará

O Bispo de Piracicaba assegurou que todos os fiéis que forem até as igrejas em busca de sacramentos irão recebê-los. “Isso a lei também nos garante. É preciso haver clareza sobre as competências de cada uma das autoridades. A competência de alimentar espiritualmente o povo é das igrejas e isso nós vamos fazer”, destacou.

Por fim, Dom Devair recordou que, mesmo durante este período de pandemia, a Igreja sempre esteve de portas abertas para os mais pobres, sendo uma referência de local no qual se pratica a caridade. “Ter as igrejas abertas não é só uma exigência religiosa de uma autoridade eclesiástica qualquer; é, também, o cuidado com os pobres, e nisso, talvez, as pessoas não pensem”, concluiu. (EPC)

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