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O efeito da pandemia nos corais de igrejas do Reino Unido

A tradição coral britânica está sob grave ameaça diante das diretrizes propostas pelo governo, que tornarão difícil ou impossível um ensaio ou atuação significativa.

Inglaterra – Londres (15/07/2020 12:00, Gaudium Press) “A situação é realmente terrível para todos os cantores: para os profissionais, seu sustento está em risco, e para os cantores amadores haverá uma aguda sensação de perda. No entanto, em nenhuma parte se sentirá mais o impacto que nos corais de crianças, o que me preocupa especialmente”, afirmou Charles Cole, diretor de dois corais católicos em Londres: o ‘London Oratory Junior Choir’ e o ‘London Oratory Schola’.

Diretrizes governamentais

Desde o confinamento não se ouve os corais nas igrejas, que são uma das grandes tradições na Inglaterra. Mas ainda que as medidas de desconfinamento já tenham começado, existem estritos limites impostos pelo governo ao canto, baseados em opiniões científicas em disputa.

“A tradição coral britânica está agora sob uma grave ameaça devido a um guia proposto pelo governo do Reino Unido, que tornará difícil ou impossível para os corais um ensaio ou atuação significativa”, escreveu Cole recentemente para ‘New Liturgical Movement’. Estas diretrizes governamentais proíbem os grupos de cantar dentro das igrejas. Somente se permite cantar fora diante dos fiéis, que devem também encontrar-se em campo aberto.

Porque as crianças são as mais afetadas

“Os corais de crianças são especialmente vulneráveis atualmente, você não pode simplesmente esfriar o processo de crescimento e desenvolvimento”, expressou igualmente Cole.

“É como não poder cuidar do gramado, se leva anos para arrumá-lo, mas um tempo relativamente curto para arruiná-lo. Para os corais de crianças em particular, a situação se vê agravada pelo processo de mudança de voz: as crianças só cantam em seu melhor momento como sopranos durante alguns anos, por isso, o que muitas estão perdendo sob confinamento é irrecuperável”.

Os ensaios online não são suficientes

Os ensaios online nunca substituirão os encontros presenciais dos corais. “Meus próprios corais, o ‘London Oratory Schola’ e o ‘London Oratory Junior Choir’, têm ensaios frequentes e regulares através da internet e têm mantido uma rotina rigorosa que esperamos que nos sirva muito para quando retomarmos”, disse. “No entanto, simplesmente isso não é uma substituição para ficar lado a lado, misturar vozes e criar um som conjunto. Os cantores de coral não estão destinados a ficar isolados uns dos outros”.

Recentemente Cole escreveu a Oliver Dowden, Secretário de Estado para Serviços Digitais, Cultura, Mídia e Esportes, mas recebeu uma resposta pronta que qualificou como decepcionante. Estimou entre 3 e 5 anos o processo de recuperação de um coral infantil como o ‘London Oratory Schola‘, que cobre quatro vozes e uma faixa etária entre 8 e 18 anos.

Trabalho sob séria ameaça

Charles Cole foi uma das 200 personalidades da música que assinaram uma carta publicada no ‘Daily Telegraph’ no último sábado, tratando da difícil situação pela qual passa o grêmio. Para Cole o trabalho dos músicos de igreja está “sob séria ameaça, com alguns corais profissionais já enfrentando a dispersão permanente”.

As organizações beneficentes ‘Amigos da Música da Catedral’, e o ‘Ouseley Church Music Trust’ lançaram a iniciativa ‘Fundo para Corais de Catedral em Emergência’, que busca arrecadar a cifra de 1,3 milhões de libras para os corais com necessidades.

“O Reino Unido é o único país no mundo onde a tradição do canto diário litúrgico nas catedrais tem sido amplamente mantida. Esta preciosa herança está agora claramente em risco”, expressaram essas organizações beneficentes. (EPC)

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