“Nunca me faltou nada” afirma sacerdote de 103 anos que continua celebrando missas no Vaticano
Com 103 anos e mais de oito décadas de sacerdócio, o Pe. Gioele Schiavella continua celebrando missas no Vaticano com a mesma alegria de sempre, tornando-se um dos religiosos mais admirados de Roma.

Foto: Vatican News/ Vatican Media
Redação (29/05/2026 06:25, Gaudium Press) Em uma pequena igreja dentro dos muros do Vaticano, poucos imaginam que o frade sorridente que participa ativamente das missas já ultrapassou um século de vida. O Pe. Gioele Schiavella, agostiniano de 103 anos, é um dos sacerdotes mais idosos do mundo ainda em atividade e um dos raros que acumulam mais de 80 anos de ministério sacerdotal ininterrupto.
Nascido em 9 de setembro de 1922, em Genazzano, na Itália, Gioele entrou para a Ordem de Santo Agostinho aos 16 anos, no Santuário de Nossa Senhora do Bom Conselho. Sua vocação religiosa começou cedo e se consolidou em um dos períodos mais difíceis da história europeia. Ordenado sacerdote em 15 de julho de 1945, aos 22 anos, ele iniciou seu ministério logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, em uma Itália destruída material e espiritualmente.
O nome “Gioele”, que significa “Deus é a minha alegria”, parece resumir perfeitamente sua trajetória. O religioso costuma dizer, com simplicidade: “Sou muito feliz com esta vida. Nunca me faltou nada”. Essa serenidade e gratidão impressionam mais que sua longevidade. Quem convive com ele destaca que o verdadeiro milagre não é apenas viver tanto tempo, mas manter a paz, o bom humor e a fidelidade ao chamado recebido. O atual pároco de Santa Ana afirma que o Pe. Gioele continua participando ativamente da vida comunitária com uma independência admirável.
Uma vida de serviço e formação
Pe. Gioele não foi apenas um pároco dedicado. Ele se tornou doutor em Teologia Moral pela Universidade Gregoriana, com uma tese sobre o pensador medieval Gregório de Rimini. Atuou como professor de latim e teologia moral, formador de novos religiosos e até ministrou cursos de ética para oficiais do Exército italiano, por meio do Ministério da Defesa.
Em diferentes fases de sua vida, ocupou cargos importantes na Ordem Agostiniana: foi secretário provincial, vigário do prior geral e assistente para Itália e Malta. Entre 1991 e 2006, atuou como pároco da igreja de Santa Ana, a única paróquia dentro do Estado do Vaticano. Durante esse período, recebeu personalidades como São João Paulo II e o Papa Emérito Bento XVI.
Em 2015, celebrou seus 70 anos de sacerdócio na presença de Bento XVI — que, curiosamente, era cinco anos mais novo que ele. Até recentemente, após completar 100 anos, ainda celebrava missa diariamente e pregava com clareza impressionante. Hoje, com ritmo mais tranquilo, continua participando das celebrações dominicais, sempre firme, sorridente e transmitindo uma serenidade contagiante.
Afinidade com o Papa Leão XIV
O ano de 2025 trouxe uma coincidência especial: o Jubileu da Igreja, o jubileu sacerdotal de Pe. Gioele e a eleição do Papa Leão XIV, também agostiniano. Essa proximidade na família religiosa fortaleceu ainda mais os laços.
Em setembro de 2025, durante uma visita pastoral à paróquia de Santa Ana, o Papa Leão XIV saudou publicamente o idoso confrade com muito carinho: “Quero saudar o Pe. Gioele Schiavella, que recentemente completou a venerável idade de 103 anos”. O momento gerou aplausos espontâneos dos fiéis.
Se chegar a 2028, padre Gioele completará impressionantes 90 anos de vida religiosa — um marco raríssimo na história da Igreja.
Um testemunho vivo para a Igreja de hoje
Em tempos em que se fala tanto de crise vocacional e envelhecimento do clero, a figura de Pe. Gioele surge como um sinal de esperança. Sua vida demonstra que a fidelidade diária ao sacerdócio, alimentada pela oração, pela alegria e pela entrega, é capaz de produzir frutos duradouros.
Os que o veem caminhar pelos corredores da igreja de Santa Ana percebem que o segredo de sua “juventude” não está na força física, mas na fidelidade mantida ao longo de mais de um século. Ele lembra, com sua simples presença, que é possível envelhecer sem perder a alegria, a fraternidade e a esperança cristã.
Com informações Religión en Libertad




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