Gaudium news > Em Nossa Senhora Aparecida o Brasil se une

Em Nossa Senhora Aparecida o Brasil se une

Psicologias e modos de ser reúnem em torno da imagem em terracota num só coração e numa só alma. O que há por detrás da devoção do povo brasileiro à Rainha Aparecida?

Redação (12/10/2020 15:12, Gaudium Press) Das águas turvas de um rio caudaloso ao altar do maior santuário mariano do mundo. Do completo anonimato às honras reais e militares. Outrora envolta pelo esquecimento, agora adornada pelas vestes e joias de sua realeza.

Como entender o percurso da pequena imagem seiscentista – desde sua descoberta, no séc. XVIII, até os nossos dias – sem olhos de fé e de ardorosa devoção mariana? Como não perceber os simbolismos que pontuam sua gloriosa trajetória?

Eu escolhi e santifiquei este lugar

Apesar da peculiar invocação, a devoção a Nossa Senhora Aparecida não surgiu de nenhuma aparição ou fenômeno místico extraordinário; não houve nenhum acontecimento retumbante que tenha demarcado seu início, como nos casos de Fátima, Lourdes, Guadalupe ou do Rosário de Lepanto.

Não, Maria Santíssima tão somente escolhera três modestos pescadores para retirar sua imagem, com corpo e cabeça então divididos, das águas barrentas de um rio no interior de São Paulo.

É verdade que muitos milagres, a começar pela conhecida pesca milagrosa, constam na história da Padroeira do Brasil; todos eles, entretanto, com um tônus distinto de simplicidade, afabilidade e carinho maternal. É precisamente a Virgem Santíssima que se manifesta ao Brasil como sua terna Mãe, segundo as psicologias deste numeroso povo.

Multiplicam-se os milagres, a devoção se expande

Numerosos milagres foram operados pelo intermédio da Virgem Aparecida desde os primórdios da devoção.

São conhecidos casos como o das velas que se acenderam sozinhas diante da imagem, das correntes do escravo que se soltaram milagrosamente, da menina cega que recuperou a vista, e do sacrílego cavaleiro, derrubado do cavalo quando as patas do animal se prenderam ao solo, impedindo a entrada indigna no recinto sagrado.

Estes e muitos outros fatos milagrosos concorreram para o aumento e expansão da devoção à Imagem da Virgem, que em 1888 – 170 anos depois de descoberta – já se encontrava no altar de uma igreja, posteriormente basílica, a Ela dedicada.

Os reis hão de trazer-lhe oferendas e tributos

A devoção a Nossa Senhora Aparecida fincou raízes no povo brasileiro. De devoção popular, passou a se oficializar cada vez mais.

O amor da Virgem Santíssima encontrara reciprocidade na Terra de Santa Cruz. Isto se comprova pelos seguintes acontecimentos da história de Nossa Senhora Aparecida: em 1888, a Princesa Isabel ofertou à Rainha do Brasil uma coroa de ouro e um manto ricamente adornado; em 1904 se deu a solene coroação da imagem por ordem do Papa São Pio X; em 1930, a mandato de Pio XI, Nossa Senhora Aparecida foi nomeada padroeira do Brasil; em 1967 Ela recebe o título de Generalíssima do Exército Brasileiro e em 1980 a legislação brasileira a reconheceu oficialmente como Padroeira do Brasil, decretando feriado nacional o seu dia, 12 de outubro.

Tais acontecimentos jamais se dariam se Maria Santíssima não estivesse nos lábios e no coração dos milhares e milhões de brasileiros que d’Ela fizeram sua verdadeira Rainha e Mãe.

Símbolo e causa de nossa união

Ao ser retirada das águas do Paraíba a imagem milagrosa estava dividida. Corpo e cabeça, destacados um do outro.

Ao tomar este fato podemos fazer uma analogia com o que diz São Paulo em sua Primeira Carta aos Coríntios (I Cor 12). Há, afirma o Apóstolo, diversidade de carismas e vocações dentro da mesma Igreja assim como há diversidade de membros num mesmo corpo.

Ora, que seria de um corpo se seus membros entrassem em discordância, e cada um se julgasse independente? Por mais nobres que sejam os olhos, por mais ágeis que sejam os braços e as mãos, por mais indispensável que seja o coração, haverá grande transtorno para todo o conjunto se os pés não exercerem sua função. Por outro lado, parem os pulmões de trabalhar por cinco minutos, e veremos de que servem ouvidos aguçados ou um paladar refinado de alguém.

Um corpo só está bem quando nele reina a harmonia. E um membro só estará vivo se unido ao corpo. Assim, mutatis mutandis, se dá com o nosso Brasil.

Do Oiapoque ao Chuí, unidos por Maria num só coração

Da poesia e graça do baiano à afirmação e espírito bélico do gaúcho. Da discrição e tino político de Minas à inteligência e eloquência pernambucana. Da ordem e distância do paulista à contagiante alegria e amabilidade do carioca. Eis, resumidas em poucas linhas, as riquezas de nosso Brasil.

Tantas psicologias, tantos modos de ser e tantas culturas estão unidas numa imensa nação que tem Maria por Mãe. Pois os membros, por mais diferentes que sejam, sempre estarão ligados entre si pelo corpo do qual fazem parte

Não será que Nossa Senhora, aparecendo numa imagem dividida, não queria significar que n’Ela e por causa d’Ela se daria a união do povo brasileiro, e que Ela seria o fator de nossa união?

E mais, não será que, permitindo Ela um atentado fatal à sua imagem milagrosa (no ano de 1978) o qual a reduziu em quase duzentos fragmentos, não simbolizava o plano do demônio com relação a esta grande nação: dividi-la e desuni-la ao destruir a memória da Santíssima Virgem de seu povo?

Mas a imagem de Nossa Senhora Aparecida não desapareceu: ela foi restaurada por mãos brasileiras. Assim também a figura de Maria jamais poderá desaparecer do coração dos autênticos brasileiros das mais variadas regiões.

À Virgem Aparecida a nossa gratidão

Que dizer a Nossa Rainha, a Senhora Aparecida, em gratidão por tantos benefícios? Não há graça comparável à de tê-la por Mãe, Rainha e Padroeira.

Bem se aplicam a Ela as palavras de Isaías à cidade de Jerusalém: “Os povos caminham à tua luz e os reis ao clarão de tua aurora. Levanta os olhos e vê, todos se reuniram e vieram a ti. Povo e reino que não te servirem, morrerão, tais nações sofrerão devastações. A ti virão, cabisbaixos, os filhos dos que te humilharem, e beijarão a marca dos teus pés. Eu te transformei no orgulho dos séculos (cf. Is 60, 3-4; 12; 14-15)

 

Por João Paulo Bueno

Deixe seu comentário

Notícias Relacionadas