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Natividade de São João Batista

A liturgia católica nos conduz a celebrar a Natividade de São João Batista, o único santo do qual se comemora o nascimento, porque marcou o início do cumprimento das promessas divinas.

Foto: Antônio Lituane

Foto: Antônio Lituane

Redação (23/06/2022 09:44, Gaudium Press) De São João Batista celebra-se a data de dois nascimentos: para a vida terrena, em 24 de junho, e para a vida eterna em 29 de agosto. Entretanto, neste ano, a Igreja antecipou a celebração da Natividade de São João Batista para hoje, dia 23 de junho, pois, no dia 24 de junho, irá celebrar a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus que tem precedência.

O Evangelista São Lucas nos conta que João, o “Batista”, o “Precursor”, nasceu na cidade de Ain Karim, do reino de Judá, perto de Hebron, nas montanhas, ao sul de Jerusalém e que era descendente do santo patriarca Abraão, iniciador da história do povo de Israel.

Seu pai foi o sacerdote São Zacarias (da geração de Aarão) e sua Mãe foi Santa Isabel (da geração de Davi), prima da Virgem Maria, mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo.

São Lucas ressalta também as circunstâncias sobrenaturais que precederam o nascimento de João Batista: Isabel, estéril e já idosa, viu ser possível realizar seu justo desejo de ter um descendente quando o arcanjo São Gabriel anunciou a Zacarias, seu esposo, que ela daria a luz a um filho. O menino deveria chamar-se João e seria o precursor do Salvador.

Alguns meses depois de engravidar-se, Isabel recebeu a visita de Nossa Senhora: “Maria se levantou e foi às pressas às montanhas, a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Ora, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu no seu seio; e Isabel ficou cheia do Espírito Santo”.

Essa sintonia espiritual existente entre ambas, muito superior aos simples laços de parentesco, fundamentava a amizade que as unia, manifestada de parte a parte com uma humildade, uma elevação e um afeto dignos dos Anjos.

Em consequência da saudação da Medianeira de todas as graças, “a criança pulou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo” (Lc 1, 41b). Tal era a força, a penetração e a eficácia da voz de Maria que, através dela, a vida divina que habitava seu Coração Imaculado foi transmitida com superabundância à sua prima.

Se na venerável anfitriã ainda restava alguma nódoa da culpa original, ela desapareceu nesse preciso instante. O amor de Nossa Senhora, quando bem acolhido, produz uma imensa mudança!

A santa pressa

Ora, o Precursor de Jesus devia estar à altura de sua missão e participar em grau eminente da força de purificar e sublimar as almas que a Redenção vinha trazendo. Para isso era preciso tirá-lo das garras do demônio, limpá-lo da mancha original e santificá-lo com grande poder.

Ciente de que a Trindade desejava santificar João ainda no ventre materno comunicando-lhe o dom da graça, e que era desígnio divino fazê-lo por seu intermédio, Nossa Senhora deixou-Se conduzir para Ain Karim com a docilidade e leveza de uma nuvem soprada pelo vento. A santa pressa da Virgem explica-se pelo fato de ser específica da Terceira Pessoa agir com celeridade, suavidade e eficácia.

Recordemos que, em consequência de seu desponsório místico com o Espírito Santo, Nossa Senhora chegou a ser como que um só espírito com seu Divino Esposo. Por isso, ante a iminência da santificação de João Batista, Ele quis atuar n’Ela e por meio d’Ela! Pela união estreitíssima e indissolúvel entre ambos, a voz de Maria não era mais d’Ela senão do Espírito Santo, o qual fez da figura, dos gestos, da palavra, do sorriso e do olhar da Virgem Bela instrumentos seus para comunicar aos outros graças altíssimas e transformantes.

Com efeito, ao considerar a excelsa grandeza da vocação do Precursor – que recebeu de Cristo o máximo elogio: “Entre os nascidos de mulher não há maior que João” (Lc 7, 28) –, percebe-se com clareza que as maiores obras do Paráclito em ordem à santificação dos homens são realizadas mediante a ação direta de sua Esposa.

São João Batista se destaca dentre os outros Santos pela sua inocência, pela sua coragem, pela sua lealdade, pela sua humildade, pela sua restituição despretensiosa: “É necessário que Ele cresça, e eu diminua” (Jo 3, 30). Ele brilha, sem dúvida, como um dos mais esplêndidos frutos da Redenção de Jesus Cristo.

Texto extraído, com adaptações, do livro Maria Santíssima! O Paraíso de Deus revelado aos homens, v.2. Por Mons. João Scognamiglio Clá Dias.

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