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Nascimento de Nossa Senhora

O que é o nascer do sol em comparação com o dia bendito em que Maria veio à luz?

Redação (07/09/2020 09:53, Gaudium Press) Era o dia 8 de setembro, segundo o nosso calendário. As temperaturas escaldantes do verão haviam já desvanecido nas terras do Médio Oriente e as brisas frescas do outono logo fariam seus primeiros afagos. Tudo transcorria numa aparente rotina em Nazaré, cujos habitantes se ocupavam nos afazeres cotidianos e pequenos interesses de que se compunha a vida miúda nas aldeias e cidades da região.

Na mesma residência que tempos depois testemunharia o anúncio do Arcanjo Gabriel a Nossa Senhora e a Encarnação do Verbo, percebia-se uma luminosidade especial no ambiente, que o tornava diáfano, sereno e repleto de paz. Ana e Joaquim presenciaram fugazes e discretas manifestações angélicas, como coruscações da intensa ação sobrenatural que se fazia sentir sobre os presentes. Como era costume, ali se encontravam algumas senhoras, entre elas a profetisa Ana, vindas para auxiliar a mãe durante o transe do parto, pois imaginavam que este seria doloroso. Entretanto, concebida sem pecado original e elevada à participação no plano hipostático desde o primeiro instante de sua existência, Maria não viria ao mundo como o comum dos homens.

Nasce a Rainha dos Anjos

Alguns instantes antes do nascimento da Santíssima Virgem, via-se Sant’Ana muito tranquila e recolhida. Completado o tempo natural de gestação, no momento decretado pela Providência nasceu a Rainha dos Anjos. Sem assumir o corpo glorioso, como faria Jesus Infante em Belém, a Menina saiu do claustro materno envolta em luz, a qual brotava de seu peito e se irradiava por todo o ambiente.

No firmamento um incontável número de Anjos e Arcanjos comemorava, com um celeste espetáculo pirotécnico, o nascimento de sua Rainha.

São Gabriel teve a imensa honra de, enquanto embaixador das Três Divinas Pessoas, recebê-La e embalá-La nas asas, antes mesmo de sua mãe acolhê-La nos braços. Maria, que habitava no seio da Santíssima Trindade, saía das mãos do seu Criador para ser dada aos homens. Através do Arcanjo, o Pai entregava ao mundo sua Filha dileta; o Filho, sua Mãe admirável; e o Espírito Santo, sua Esposa fidelíssima.

Houve, então, uma grande dispersão no Céu! Foi permitido aos Anjos saírem da mansão celeste para prestar sua homenagem, veneração e vassalagem Àquela que por tantos séculos tinham esperado. Sendo Ela a sua Rainha bem se compreende que desejassem visitá-La logo no primeiro instante de vida. Quando São Gabriel apresentou-lhes a recém-nascida, todos se “apinharam” ao seu redor para vê-La, sôfregos por estar ao seu lado. A partir daquele dia, o Céu das legiões angélicas passou a ser Maria Santíssima.

Ao contrário do que sucederia no natal do Menino Jesus, o Autor reputa que Nossa Senhora nasceu em pleno meio-dia, quando o sol se encontrava em seu zênite e irradiava sua máxima intensidade de luz no firmamento.

Se o nascimento do Redentor Divino se daria à meia-noite como símbolo de que Ele vinha resgatar a humanidade das trevas do pecado, parece arquitetônico que a natividade de Maria tenha ocorrido exatamente no horário inverso, pois Ela estava destinada a trazer à terra o Sol de Justiça (cf. Ml 3, 20), Cristo Senhor nosso.

Menina encantadora

Isenta do pecado original, dotada de ciência infusa e de pleno uso da razão, já ao abrir os olhos para a realidade Maria entendia tudo quanto se passava ao seu redor. Sem nada manifestar de certa parvoíce pueril própria aos descendentes de Adão, Ela era séria, solene e, ao mesmo tempo, graciosa. Em todos os seus movimentos, até nos mínimos gestos, transpareciam suas inúmeras qualidades e dons pois, à semelhança do que ocorre com a luz do sol, não se podia ocultar a plenitude de graça que emanava da Santíssima Virgem.

Seu primeiro movimento ao vir à luz foi um ato perfeito de amor ao Deus Altíssimo, de agradecimento por havê-La criado e de oferecimento de Si mesma como escrava, para em tudo fazer sua santíssima vontade. Conhecendo em Si o dom da Imaculada Conceição e amando esse desígnio divino, teve imediatamente um relance de visão beatífica, no qual contemplou todas as almas chamadas a glorificar tal privilégio ao longo da História, como também os embates que se travariam para defendê-lo.

A seguir viu com muita clareza as legiões de Anjos que A reverenciavam e, só depois, fitou comprazida os seus santos progenitores e as senhoras que acompanhavam sua mãe. Em vez de prorromper num pranto como o comum das crianças, seus pequeninos lábios levemente rosados esboçaram um sorriso, pois Maria sentia em Si as alegrias da vitória do bem que se iniciava na História.

Inicia-se a vitória do bem!

O nascimento de Nossa Senhora cumulou de esperança a ordem do universo e trouxe a renovação para o orbe. As trevas que o oprimiam por fim se dissiparam, pois uma grande luz resplandeceu no firmamento da criação: Maria Santíssima!

O surgimento de Maria Imaculada no cenário físico representava não só o início da vingança divina contra a serpente maldita e a restauração da ordem rompida pelo pecado, mas a instauração de um novo plano para a humanidade, muito superior ao original.

Grandezas ocultas ao olhar dos homens

Não obstante os prodigiosos efeitos no campo metafísico e sobrenatural, o Autor considera que no plano físico a natividade de Nossa Senhora esteve envolta num ambiente de muita normalidade e poucos fatos houve que pudessem chamar a atenção dos homens. A própria comemoração angélica ocorrida nos céus de Nazaré deu-se de tal forma que poderia passar aos olhos dos céticos como um simples fenômeno natural. Agindo assim a Providência visava evitar que os maus, suspeitando da grandeza e unicidade da vocação da Menina, tentassem frustrar os planos divinos a seu respeito.

A escolha do lugar onde Maria deveria nascer também resultou providencial na prossecução desse estratagema. Não foi Jerusalém a cidade eleita para tal, nem mesmo Séforis, muito maior e mais prestigiosa que Nazaré. Além de sua pequenez, pesava sobre esta última o desprezo dos judeus, bem ilustrado pela objeção levantada por Natanael ao receber de Filipe o anúncio de que tinham encontrado Jesus de Nazaré, o Messias predito por Moisés e os profetas: “Pode, porventura, vir coisa boa de Nazaré?” (Jo 1, 46).

Também as altíssimas experiências místicas concedidas a Nossa Senhora logo ao abrir seus olhinhos para a luz do dia, bem como as extraordinárias graças outorgadas a São Joaquim e Sant’Ana a propósito da Menina, tiveram por testemunhas apenas os Anjos e Bem-Aventurados.

Apesar da grandeza do que sucedia naquela santa família, por disposição divina tudo passou despercebido aos olhos dos habitantes de Nazaré. E essa nota tônica perduraria durante a infância da pequena Maria, em cuja contemplação os Céus encontrariam suas delícias.

Com efeito, casal decidiu evitar qualquer tipo de comemoração pelo nascimento de Maria nos dias subsequentes, preferindo permanecer em recolhimento, contemplando-A. Somente depois de algum tempo, os parentes e amigos mais próximos que ainda não A conheciam vieram visitá-La, trazendo-Lhe presentes.

Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP

Texto extraído, com adaptações, do livro Maria Santíssima! O Paraíso de Deus revelado aos homens. Parte II

 

 

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