Gaudium news > Não podemos viver sem a Missa

Não podemos viver sem a Missa

Nosso Senhor, partindo deste mundo deixou sua presença visível na Igreja Católica, especialmente através dos sacramentos.

Redação (02/06/2020 12:00, Gaudium Press) Os primeiros cristãos tinham uma participação litúrgica muito intensa, a missa dominical marcava a vida de suas comunidades. O “dia do Senhor” é, como antigamente se qualificava, o “senhor dos dias”, o dia dos cristãos, a festa primordial; sendo a Santa Missa, o verdadeiro centro do domingo. De fato, pois recorda, na sucessão semanal do tempo, o dia da ressurreição de Cristo.

Devemos reconhecer que antes era mais fácil manter o preceito dominical, embora não tenha faltado épocas ou situações de perigo ou restrição religiosa, desde os primeiros séculos até os nossos dias. Sempre foi um desafio, para o coração dos fiéis, seu cumprimento. Nos dias de hoje, mesmo tendo claro que é o núcleo de suas vidas e missão de verdadeiros católicos, sofrem a profunda influência dos ritmos do mundo moderno, que os desvia de Deus, nosso Senhor.

A perseguição de Diocleciano – “Sine dominico non possumus”

Se voltarmos ao ano 304, encontramos que o imperador Diocleciano proibiu os cristãos, com grande severidade, sob pena de morte, de possuir as Escrituras, de se reunir para celebrar a Eucaristia e construir para suas assembleias. Os textos sagrados foram queimados, as salas de reunião demolidas, era proibido oficiar a liturgia sagrada.

No entanto, cristãos corajosos desafiavam o edito imperial. Em uma pequena cidade chamada Abissínia, perto da atual Tunísia, 49 cristãos foram surpreendidos em um domingo durante uma celebração eucarística. Presos, foram levados para Cartago onde foram interrogados. Significativa foi a resposta de um deles ao procônsul, quando perguntado sobre o motivo pelo qual haviam transgredido a ordem do imperador: “Sem medo, celebramos a Ceia do Senhor”. Uma das mártires confessou: “Sim, celebrei com meus irmãos, porque sou cristã”.

Sine dominico non possumus”, ou seja: sem nos reunir em assembléia no domingo, para celebrar a Missa, não podemos viver, diziam; acrescentando que lhes faltaria forças para enfrentar as dificuldades diárias e não sucumbir. O domingo fazia parte de suas vidas.

Após atrozes torturas, foram assassinados. Com a efusão de sangue confirmaram sua Fé, morreram, mas venceram, e são recordados no calendário cristão como São Saturnino e seus companheiros mártires.

O Papa Emérito Bento XVI, sempre cheio de sabedoria, dirigindo-se aos católicos do século XXI, refletia, lembrando este acontecimento: “Mesmo para nós não é fácil viver como cristãos, ainda que não existam essas proibições do imperador”, pois o mundo de hoje, “muitas vezes caracterizado pelo consumismo desenfreado, pela indiferença religiosa e pelo secularismo fechado à transcendência” (29-05-2005), o dificulta.

Nestes momentos, o mundo está em uma quarentena que -embora testemunhemos em muitos lugares uma flexibilização da mesma- não sabemos quando terminará.

Dentro das normas, deveriam permanecer fechados os locais que poderiam ter aglomeração, uma medida indiscutível para interromper a transmissão desta misteriosa doença. É de sentido comum. Se mantendo abertas farmácias, supermercados, bancos, lojas de ferragens, pet shops e bancas de jornais.

No meio desta pandemia, foi agradável aos ouvidos dos fiéis, escutar, da parte de vários presidentes: “Que Deus nos proteja desta doença e nos livre do sofrimento”, “com Deus e sua graça, sairemos vitoriosos”, “façamos um dia de jejum e de oração”, “acudamos a Deus em busca de proteção”, “necessitamos de mais oração”.

Bem sabemos que uma das instituições que primeiro fechou suas portas, na prevenção contra o coronavírus, foi a própria Igreja. Sua colaboração foi evidente.

Algumas atividades foram liberadas

Atualmente, em diversos países, foram liberadas áreas, assim como momentos do dia em que se pode sair com crianças, praticar esportes individuais ou caminhar ao ar livre; também idosos em outros momentos. Compreende-se que é uma maneira de evitar o efeito “panela de pressão” diante da situação de confinamento em que se encontram as famílias, há quase dois meses.

Em certas nações foi permitida a abertura das igrejas, apenas para rezar, evitando qualquer tipo de celebração. Isso originou o clamor de muitos fiéis dizendo: “não podemos viver sem a Missa”. E não apenas fiéis, recentemente, Arcebispos e Episcopados, pediram aos governos as Celebrações Eucarísticas, com protocolos preventivos de separação, máscaras, desinfecção de espaços, número de pessoas. Afirmam que os templos contam com espaço suficiente para acomodar fiéis sem riscos de contágio, respeitando as distâncias. Se um supermercado é capaz de manter a higiene, muito mais fácil será em uma igreja.

O necessário encontro presencial

Os pedidos foram aumentando. Desde solicitar que as celebrações religiosas sejam incluídas na lista de atividades “essenciais”; a que “a Igreja tem tanta força para curar como os médicos, estes curam o corpo, mas não basta”, e que “uma pandemia não pode nos separar da Eucaristia” pois, “é o nosso alimento essencial”.

Muitos observam, com bom senso, que as celebrações virtuais têm sido um paliativo, mas é indispensável considerar que os sacramentos não podem ser administrados por meio da tecnologia. O encontro presencial é necessário.

A forma “online” de acompanhar a Santa Missa não é a real, muitos fiéis expressam sua preocupação; não podemos nos acostumar a isso, a Missa não é um espetáculo, não é uma realidade virtual, deve ser celebrada com a presença dos fiéis.

Já podemos ver que, após quase dois meses, na Espanha, Itália e Alemanha, começaram as celebrações eucarísticas, com um reduzido número de fiéis. Em outros países, o retorno está ocorrendo por estas semanas. Os Santuários de Lourdes e de Fátima reabrem suas portas. As Basílicas de Roma prepararam-se para receber peregrinos. Dia a dia, as igrejas estão se abrindo.

Como podemos ver, a Igreja quer estar próxima, respeitando tudo o que é indicado da melhor maneira: higiene e segurança pessoal, distância social, evitar aglomerações.

O desconfinamento tem sido e é um verdadeiro quebra-cabeças para as autoridades. A flexibilização da quarentena é visível em várias regiões, cada lugar com suas circunstâncias próprias, número de infectados, baixo nível de infecção.

A Missa é essencial

Estamos em uma situação em que o essencial nos foi retirado: a Santa Missa. Sua ausência -mesmo que tenhamos a oportunidade de participar virtualmente- nos ajuda a valorizá-la. Dessa maneira, purificaremos nossos corações em relação à Esposa Mística de Nosso Senhor Jesus Cristo, a Santa Igreja.

Nosso Senhor, partindo deste mundo no dia da Ascensão, nos prometeu: “Não os deixarei órfãos” (Jo 14, 18). Ele deixou sua presença visível na Igreja Católica, especialmente através dos sacramentos.

A Santa Missa é, pois, a mais bela expressão externa em honra de Deus, uma vez que é por Ele mesmo oferecido enquanto Segunda Pessoa da Santíssima Trindade.

Que nossa esperança se fortaleça confiando que em breve retornaremos a um convívio próximo com as celebrações, que agora temos à distância e virtualmente, o qual não enche nossos corações. O reencontro nos dará suma alegria, sempre e quando, vivamos estes difíceis momentos, cheios de verdadeiras nostalgias do que estamos privados. Purifiquemos nossos corações assim, para que quando retornarmos às igrejas, possamos cantar com alegria o Salmo 65: “Aclamai ao Senhor, terra inteira, tocai em honra de seu nome, cantai hinos à sua glória”.

(Publicado originalmente em La Prensa Gráfica de El Salvador, 31 de maio de 2020)

Por Padre Fernando Gioia, EP

www.reflexionando.org

Traduzido por Emílio Portugal Coutinho

Deixe seu comentário

Notícias Relacionadas