“Não é possível permanecer como espectadores desinteressados”, adverte Papa Leão XIV
Em reflexão sobre o Vaticano II, o Pontífice convoca fiéis a escutarem os apelos da sociedade e enxergarem os sinais do Evangelho hoje.
Cidade do Vaticano (02/09/2026 12:27, Gaudium Press) Durante a Audiência Geral desta quarta-feira, 2 de setembro, o Papa Leão XIV introduziu um novo documento do Concílio Vaticano II, a Constituição Pastoral Gaudium et spes. Diante de um público de cerca de 15 mil fiéis reunidos na Praça São Pedro, o Pontífice refletiu sobre o tema fundamental do texto: a relação da Igreja com o mundo contemporâneo.
Compromisso direto com quem sofre
Citando o documento conciliar, que diz que a Igreja sente como suas “as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem”, Leão XIV recordou que “essa partilha com a humanidade é o caminho que Cristo pede à Igreja”, sendo “uma partilha que nos convida a sair de toda a passividade e indiferença perante os acontecimentos”.
O Pontífice destacou que, diante da mudança rápida e profunda que vivemos nos dias de hoje, “não é possível permanecer como espectadores desinteressados; pelo contrário, é preciso escutar com o coração, deixar-se interpelar, envolver-se”. Segundo ele, os fiéis são chamados a assumir as dificuldades dos irmãos, “sobretudo daqueles que são oprimidos pela injustiça, pela discriminação e pela violência”.
Cristo como centro e resposta da história
Em seguida, afirmou que a proximidade com a humanidade abre caminho a uma leitura mais profunda dos acontecimentos e da própria Revelação. Nessa perspectiva, a Gaudium et spes recorda o «dever da Igreja de investigar a todo o momento os sinais dos tempos, e interpretá-los à luz do Evangelho». Este documento exorta a Igreja a um compromisso permanente de conversão e a desmascarar as contradições que caracterizam o mundo contemporâneo.
Diante das profundas mudanças de nossa época, “das quais decorrem desequilíbrios preocupantes, a Igreja é chamada a servir o ser humano, escutando e acolhendo as questões mais profundas do seu coração e os anseios que nele habitam, indicando em Cristo «a chave, o centro e o fim de toda a história humana» (GS 10)”. “Que a alegria e a esperança sejam as características distintivas de uma Igreja que anuncia e testemunha o Evangelho, aproximando-se das mulheres e dos homens do nosso tempo”, concluiu. (EPC)









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