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Multidões para ver o Papa, igrejas vazias aos domingos: como a França reagirá?

A esperança se concentra, em grande parte, no fenômeno dos adultos e adolescentes que se converteram.

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Redação (18/09/2026 09:30, Gaudium Press) O entusiasmo pela próxima visita do Papa Leão XIV à França é inegável e tem surpreendido até os organizadores. Cerca de 600 mil pessoas já concluíram o registro para a missa solene que o Pontífice celebrará no próximo dia 26 de setembro, na Place de la Concorde (Praça da Concórdia) e nos Champs-Élysées, em Paris — um número que obrigou a diocese a ampliar o perímetro do evento para um eixo de cerca de três quilômetros. Desse total, aproximadamente 300 mil se inscreveram nas primeiras 24 horas após a abertura das inscrições. Algo semelhante ocorreu com a vigília com os jovens no Stade de France, em Saint-Denis, que esgotou rapidamente suas 80 mil vagas. Ao todo, os organizadores esperam que mais de um milhão de pessoas participem dos diversos eventos da viagem apostólica, prevista para o período de 25 a 28 de setembro, com etapas em Paris, Lourdes e Metz.

No entanto, esse fervor contrastante convive com um processo de secularização que, na França, é considerado paradigmático na Europa e, em muitos aspectos, alarmante.

Na década de 1970, mais de 80% dos franceses se declaravam católicos. Em 2024-2025, entre a população de 18 a 59 anos, essa proporção caiu para cerca de 46% a 51%, enquanto o bloco dos que se declaram sem religião (ateus, agnósticos ou indiferentes) aproxima-se ou supera os 50% — chegando a cerca de 58% em algumas pesquisas recentes e a 70% entre os jovens de 18 a 30 anos. A prática religiosa recuou de forma ainda mais acentuada: em 1961, cerca de 35% da população frequentava a missa dominical; hoje, as estimativas situam-se entre 1,5% e 5,5% (considerando a frequência mensal ou semanal). Entre aqueles que ainda se identificam como católicos, a participação regular na missa aos domingos oscila entre 7% e 8%.

No campo sacramental, o quadro é paralelo e igualmente expressivo. Nos anos 1970, cerca de 75% dos nascidos eram batizados; atualmente, calcula-se que a taxa de batismos infantis esteja em torno de 20% a 30%. Em meados da década de 1970, aproximadamente 70% dos casamentos eram celebrados na Igreja; hoje, esse índice está abaixo de 15%. O número de sacerdotes diocesanos ativos, que atingiu o pico de cerca de 29 mil em 1970, caiu para cerca de 11.500, com um clero envelhecido: mais da metade tem mais de 75 anos. As ordenações anuais permanecem em níveis historicamente baixos, variando entre 90 e 105 sacerdotes por ano (cerca de 105 em 2024 e cerca de 90 em 2025).

Esse processo de secularização profunda, no entanto, coexiste com um fenômeno inesperado e crescente: o ressurgimento da fé entre os convertidos, especialmente os adultos e adolescentes. Em 2024, o número de adultos batizados alcançou 7.135, um crescimento de cerca de 30% em relação ao ano anterior. Em 2025, o salto foi ainda maior: 10.384 adultos batizados (alta de 45%), além de mais de 7.400 adolescentes (11 a 17 anos), totalizando quase 18 mil novos batizados. Em 2026, os números continuaram em alta, superando 13 mil adultos e 8 mil adolescentes, configurando o maior volume registrado desde que a Conferência dos Bispos da França começou a acompanhar sistematicamente esses dados (por volta de 2002). Muitos desses novos católicos são jovens (os de 18-25 anos passaram a representar a maior faixa etária), e uma parcela significativa (cerca de 38% a 46%) provém de famílias sem tradição religiosa ou de outras origens. Parte desse movimento tem um perfil mais conservador e busca uma fé mais intensa e comunitária.

Embora esses números ainda sejam minoritários quando comparados à população total e não compensem a queda drástica nos batismos infantis (que caiu de mais de 300 mil em 2010 para cerca de 175 mil em 2024), eles geram esperança de um possível ressurgimento do catolicismo na França. Alguns observadores e bispos já falam de um “novo momento” ou de um despertar juvenil que pode estar remodelando o estilo de evangelização, valorizando a transmissão da fé de forma mais pessoal, comunitária e, em certos casos, tradicional.

O foco de análise a partir de agora será precisamente a repercussão da visita do Papa Leão XIV nesse movimento de conversões e no clima espiritual do país, ou seja, se a presença pontifícia conseguirá consolidar, ampliar ou dar novos impulsos a esse sinal de vitalidade em meio a um contexto de secularização avançada.

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