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Mosteiro trapista volta a produzir uma das melhores cervejas do mundo

“Para nós é muito importante voltar a vender, pois é disso que vivemos”, explicou um dos religiosos.

Bélgica – Bruxelas (21/05/2020 09:30, Gaudium Press) Os monges da Abadia trapista de Saint-Sixtus, localizada na cidade de Vleteren, na Bélgica, voltaram a produzir aquela que é considerada uma melhores cervejas do mundo: a Westvleteren 12.

A recente pausa na produção ocorreu por conta da pandemia do novo coronavírus. Apesar do país ainda estar dando os primeiros passos para sair do confinamento, os religiosos resolveram voltar a produzir a bebida, por ser ela uma das principais fontes de subsídios da abadia.

“É preciso compreender que vivemos segundo a tradição beneditina, que diz que os monges devem viver, não pelo que lhes é dado, mas pelo fruto do seu trabalho. Em termos concretos, isso significa que temos de viver da nossa fábrica de cerveja. Por isso, para nós é muito importante voltar a vender, pois é disso que vivemos”, explicou o monge trapista, Irmão Godfried.

Produção sem fins comerciais

A produção de cerveja no local foi iniciada no ano de 1839, quando o Rei Leopoldo I concedeu a licença necessária para tal, no entanto, a bebida só começou a ser vendida no ano de 1878.

Apesar do reconhecido sucesso internacional, as cervejas Westvleteren não são feitas para atender a demanda comercial. Os 19 monges trapistas da Abadia de Saint-Sixtus produzem anualmente uma média de cinco mil barris de cerveja, que é vendida em pequenas quantidades na porta do mosteiro. Cada pessoa pode comprar no máximo 24 garrafas. O valor arrecadado com a bebida é utilizado para o sustento da Abadia.

O motivo da produção limitada é impedir que o trabalho na cervejaria sobreponha a vida religiosa dos monges trapistas. Um dos lemas dos religiosos da Abadia de Saint-Sixtus é “Nous ne vivons pas pour brasser, nous brassons pour vivre” (“Não vivemos para fazer cerveja, fazemos cerveja para viver”).

Além disso, a cerveja trapista de Westvleteren só pode ser adquirida através da venda direta e em datas previamente estabelecidas. Atualmente, para manter o controle do fluxo dos clientes, e assim obedecer as regras sanitárias, os monges disponibilizaram um sistema de reservas pela internet.

Ora et Labora

Vivendo em um sistema de clausura, os monges trapistas da Abadia da Saint-Sixtus seguem um rigoroso regime de silêncio, trabalho e oração. Sem contato direto com o mundo exterior, os religiosos seguem o lema de São Bento ‘Ora et Labora’ (reze e trabalhe), e falam entre si apenas o estritamente necessário.

Padrão de qualidade

As cervejarias trapistas são sempre monitoradas para que sigam um exigente padrão de qualidade, envolvendo refinadas técnicas de produção e uma supervisão extremamente rigorosa.

Para ser considerada uma autêntica cerveja trapista é necessário que sejam atendidos os seguintes requisitos: ser fabricada dentro dos muros de um mosteiro trapista, pelos próprios monges ou sob sua supervisão; ser de importância secundária dentro do mosteiro e seguir formas de negócios de acordo com o estilo de vida monástico; não ser um empreendimento destinado ao lucro (a renda deve cobrir o custo de vida dos monges e a manutenção do mosteiro). O excedente é doado para instituições de caridade.

A cerveja e os mosteiros católicos

A fabricação de cervejas em abadias e mosteiros católicos se tornou comum durante a Idade Média. Naquela época, por conta dos inúmeros jejuns praticados pelos monges, se procurou algum complemento alimentar com os nutrientes necessários para que os religiosos não definhassem ou perecessem.

Por ser líquida, a cerveja não era considerada alimento e, portanto, poderia ser consumida durante os períodos de jejum. Por este motivo, ainda hoje, muitos mosteiros e abadias produzem sua própria cerveja, reproduzindo em seus rótulos a menção a santos ou templos católicos. (EPC)

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