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Morte de Elizabeth II, a história contemporânea se divide entre “antes” e “depois”

Mais que o desaparecimento de um símbolo, a morte da Rainha Elizabeth II é uma virada de página na história da humanidade.

Foto: Wikipedia

Foto: Wikipedia

Redação (12/09/2022 09:45, Gaudium Press) Quem quisesse adquirir um livro teria muitos modos de avaliá-lo. Comprá-lo só por ter poucas páginas, letra grande e muitas fotografias, apenas mostra que o comprador não está à procura de algo sério e profundo. Obtê-lo simplesmente porque a capa o atrai é, sem dúvida, uma superficialidade, uma prova de que não sabe o que procura.

Contudo, o leitor exigente que quisesse em uma só obra encontrar um estilo literário ao mesmo tempo épico e dramático, histórico e sociológico, biográfico e psicológico, onde estivessem contidas a guerra e a diplomacia, o sucesso e o infortúnio, a glória e a dor, e na qual se pudesse achar um modelo de dignidade, de honra e de grandeza postas a serviço de seu povo e de sua nação, teria em mãos um livro de 96 magníficos volumes, dos quais 70 se escreveram com letras de ouro, e cujo ponto final é não só o fim de uma vida, mas o crepúsculo de todo um passado carregado de esplendores e conquistas. Este livro vivo, que foi Elizabeth II, é a conclusão de uma das mais belas e surpreendentes obras escritas pela humanidade: a história das monarquias.

Digna de marcar um “antes” e um “depois”

A rainha da Inglaterra era, com certeza, um símbolo e uma figura que servia de modelo para todo o mundo. Nenhuma dama de seu tempo soube representar tão bem a nobreza e a distinção como Elizabeth II. Ademais, ser comparado com ela sob qualquer aspecto, sempre foi sinal de máximo elogio para todo o gênero feminino.

Por mais que o mundo inteiro soubesse de sua situação grave de saúde, e mesmo considerando sua avançada idade, o mundo não deixou de se surpreender com a notícia de seu falecimento. Algo de grandioso havia acontecido, uma data importante, um fato digno de marcar um “antes” e um “depois” na história contemporânea.

E isso tudo por um fator simples de justificar: ela não representava a fidalguia agonizante como infelizmente se apresenta hoje, mas trazia para os anos que viveu as glórias e os encantos de uma realeza que dominou a civilização dos séculos passados. A simpatia, a admiração e a atração exercidas por ela em todo o mundo e durante tanto tempo – muito especialmente no povo inglês – é a prova de que dentro de cada homem, por mais igualitário e anarquista que queira parecer, dorme um outro homem inclinado a servir e a encantar-se pelo que é mais alto, e que reconhece a superioridade e o valor da autêntica nobreza.

As próximas páginas

Encerradas as linhas traçadas por Elizabeth II, como serão as próximas páginas? Qual será o papel de Charles III? Como ficará consignada a sua figura?

O “depois” depende exatamente disso. De pouco valeriam todas as solenidades para o sepultamento da rainha se, com elas, se pretendesse enterrar os bons costumes que Elizabeth II promovia e, mais ainda, simbolizava.

O “autor” do próximo livro, Charles III, poderá fazê-lo ou não, na medida em que quiser imprimir uma carapaça ecológica e modernista, mais tendente ao reciclado, alinhando as margens pela esquerda, com exemplos que não ilustram nem incentivam os bons costumes.

Se isto se der, ele escreverá uma história sem o final feliz, que acabará por macular a formidável reputação de sua predecessora e, junto com ela, uma enorme quantidade de páginas douradas.

Que Deus não permita! God save the Queen!

Por Cícero Leite

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