Monsenhor Cordileone: o Evangelho não é uma construção humana
Arcebispo de São Francisco fez uma reflexão sobre a cura do surdo-mudo e a fidelidade ao Evangelho.

Mons. Cordileone – Foto: fssp.com
Redação (12/08/2026 10:24, Gaudium Press) Na homilia deste último domingo, 9 de agosto, o arcebispo de São Francisco (EUA), Dom Salvatore J. Cordileone, abordou o sentido espiritual da cura do surdo-mudo narrada no Evangelho de São Marcos e sua relação com a recepção fiel da fé transmitida pela Igreja.
O prelado partiu da fórmula pronunciada pelo sacerdote no rito batismal, quando pede a Deus que abra os ouvidos e a boca da criança para que ela receba e proclame a palavra divina, assim como Cristo fez com o surdo-mudo do Evangelho. Segundo explicou, a surdez física nas Escrituras é uma metáfora da surdez espiritual daqueles que resistem a escutar Deus.
Dom Cordileone destacou que esse milagre aparece apenas no Evangelho de São Marcos, e sublinhou que o itinerário descrito — Jesus atravessando território pagão a caminho de Jerusalém — revela uma intenção mais ampla: mostrar a abertura do plano de salvação de Deus para além dos limites do povo eleito. A seu juízo, São Marcos apresenta, assim, Jesus como modelo de uma Igreja em missão, chamada a confrontar e aliviar o sofrimento humano onde quer que ele se encontre.
O arcebispo aplicou essa reflexão à realidade atual de sua jurisdição, historicamente formada por imigrantes de inúmeros países. Lembrou que a Igreja católica, embora universal, não é uma simples organização internacional, mas uma comunidade que respeita as culturas particulares ao mesmo tempo em que as une por meio de um fundo cultural comum, que tem raízes na língua latina — conservada pelo Concílio Vaticano II para a liturgia —, no canto gregoriano e polifônico, além de uma linguagem sacramental que reconhece na realidade física sinais da realidade espiritual.
Citando São Paulo em sua Primeira Carta aos Coríntios, o prelado insistiu que o Evangelho não é uma construção humana, mas algo recebido e transmitido fielmente de geração em geração desde os apóstolos. Ele deu como exemplo a conversão do apóstolo dos gentios, que, depois de perseguir a Igreja, experimentou um arrependimento que o encheu de paz, esperança e confiança, apesar das perseguições e do martírio que depois sofreria.
Dom Cordileone advertiu que, em um tempo marcado pela incerteza e pelo temor diante do futuro, o maior risco é “voltar as costas ao Senhor” e viver como se Deus estivesse de acordo com uma vida alheia ao seu ensinamento. Diante disso, o bispo propôs acolher com coração fiel o Evangelho recebido, junto com o patrimônio de doutrina, culto e serviço aos pobres que a Igreja tem custodiado ao longo dos séculos.
O arcebispo concluiu a homilia ressaltando que receber o Evangelho com fidelidade dá a certeza de pertencer a uma família maior — a Igreja universal — e de já estar em comunhão com os santos que contemplam a Deus face a face. Pediu a intercessão deles para que os fiéis vivam o amor cristão, especialmente para com aqueles que mais precisam.





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