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Mato Grosso: beatificação do Pe. Nazareno Lanciotti

O sacerdote missionário Nazareno Lanciotti foi oficialmente proclamado Beato, reconhecido pela Igreja como mártir da fé e testemunha exemplar da caridade cristã.  

Foto: Vatican News/ X

Foto: Vatican News/ X

Redação (14/06/2026 11:30, Gaudium Press) No último dia 13 de junho, a pequena cidade de Jauru, no oeste de Mato Grosso, viveu um momento histórico para a Igreja Católica no Brasil. O sacerdote italiano Nazareno Lanciotti, missionário que atuou por três décadas na região de fronteira com a Bolívia, foi proclamado beato. Ele se torna o primeiro beato de Mato Grosso, reconhecido como mártir por ter sido assassinado “por ódio à fé” em 2001.

A celebração de beatificação ocorreu na Paróquia Nossa Senhora do Pilar, a igreja que o próprio padre fundou. Cerca de 17 mil pessoas participaram da missa solene, que foi presidida pelo Cardeal João Braz de Aviz, arcebispo emérito de Brasília e prefeito emérito do Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada. Ele atuou como enviado especial do Papa Leão XIV.

Inicialmente, a expectativa era de que a missa de beatificação fosse presidida pelo Cardeal italiano Marcello Semeraro, prefeito do Dicastério para as Causas dos Santos, atuando como representante oficial do Papa Leão XIV. No entanto, o Cardeal Semeraro adoeceu e precisou cancelar a viagem ao Brasil. Para substituí-lo, foi escolhido o cardeal brasileiro Dom João Braz de Aviz,

No início da cerimônia, o cardeal leu a carta apostólica papal que declara o padre Nazareno beato. O texto papal destaca sua trajetória como “missionário infatigável do Evangelho, fundador fecundo de obras de caridade social e promotor dedicado do culto mariano”. A partir de agora, a sua memória será celebrada no dia 12 de janeiro de cada ano.

Na homilia, o Cardeal João Braz de Aviz destacou a força missionária do novo beato, que deixou sua terra natal para servir em uma região longínqua, sustentado pela Eucaristia e pela devoção à Virgem Maria. “Foi na presença de Jesus Eucarístico e no amor ao Imaculado Coração de Maria que ele encontrou a força para servir os pobres e enfrentar as estruturas de injustiça que feriam a dignidade humana”.

“A figura luminosa do beato, presbítero e mártir padre Nazareno Lanciotti é para nós agora um estímulo eloquente para reavivar os valores do Evangelho que recriam os valores humanos neste momento na história humana em que a cultura dominante tende a diminuir completamente os valores cristãos como se nós não precisássemos mais da ajuda do alto, da presença do nosso Deus que nos salvou.”

 O bispo diocesano, Dom Jacy Diniz Rocha, agradeceu pela dádiva e pediu a intercessão do beato para que a Igreja local viva com radicalidade o Evangelho.

Além da relíquia de primeiro grau (fragmento de osso), foram expostas durante a celebração as vestes com sangue do atentado.

Uma vida entregue à missão e aos mais pobres

Nazareno Lanciotti nasceu em Roma, na Itália, em 3 de março de 1940. Ordenado sacerdote em 1966, iniciou seu ministério na capital italiana. Em 1971, motivado pelo chamado missionário, chegou ao Brasil e se instalou em Jauru, uma região então em pleno processo de ocupação e desenvolvimento.

Ao longo de quase 30 anos, o padre transformou a realidade local. Fundou a Paróquia Nossa Senhora do Pilar, criou mais de 50 comunidades eclesiais de base com adoração eucarística diária, implantou um dispensário médico, construiu a Casa de Repouso Coração Imaculado de Maria para idosos, abriu uma escola que atendia centenas de crianças com educação e alimentação, e instituiu um seminário menor. Sua atuação ia além da evangelização: ele denunciava com coragem as injustiças sociais da região fronteiriça, como a exploração sexual de crianças e adolescentes, a prostituição e o tráfico de drogas.

Em 1987, ingressou no Movimento Sacerdotal Mariano (MSM), fundado pelo sacerdote italiano Stefano Gobbi. Tornou-se diretor nacional do movimento no Brasil, viajando pelo país para promover a consagração ao Imaculado Coração de Maria, a recitação do rosário, a fidelidade ao Papa e a vivência do Evangelho. Sua espiritualidade era profundamente eucarística e mariana — dois pilares que sustentaram sua missão até o fim.

O martírio e o perdão

Na noite de 11 de fevereiro de 2001, enquanto jantava com colaboradores em sua residência, dois homens encapuzados invadiram o local. Um deles disparou contra a nuca do padre, atingindo a quarta vértebra. Socorrido e transferido primeiro para Cuiabá e depois para São Paulo, Pe. Nazareno resistiu por 11 dias. Antes de falecer, em 22 de fevereiro de 2001, aos 61 anos, ele perdoou explicitamente seus assassinos. Seu corpo foi sepultado na igreja que fundou em Jauru.

O processo de beatificação começou em 2007, por iniciativa do então arcebispo de Cuiabá. Em 14 de abril de 2025, o Papa Francisco autorizou o decreto que reconheceu oficialmente o martírio do sacerdote. A beatificação, celebrada 25 anos após sua morte, marca um momento de grande alegria para a Diocese de São Luiz de Cáceres e para todo o Regional Oeste 2 da CNBB.

Papa Leão XIV

Ao final do Ângelus deste domingo, 14 de junho, o Papa Leão quis recordar alguns novos Beatos, entre eles o Pe. Nazareno Lanciotti: “Ontem, ainda, no Brasil, no Estado do Mato Grosso, foi beatificado Nazareno Lanciotti, sacerdote romano missionário, também ele mártir, porque em nome do Evangelho defendia os mais pobres. Que o exemplo e a intercessão destas corajosas testemunhas sustentem a missão dos presbíteros e da Igreja inteira”.

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