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Liberdade religiosa em retrocesso em todo o mundo

Um novo relatório do Pew Research Center confirma as conclusões do Relatório sobre a Liberdade Religiosa no Mundo 2025 da Ajuda à Igreja que Sofre (ACN): a liberdade de culto está em acentuado declínio em nível global.

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Redação (18/08/2026 08:00, Gaudium Press) O 16º relatório anual do Pew Research Center sobre restrições à religião no mundo, publicado em junho passado e baseado em dados de 2023, reforça um alerta que a fundação pontifícia Ajuda à Igreja Necessitada (ACN) já vinha destacando em seu Informe de Liberdade Religiosa no Mundo 2025: a liberdade religiosa segue sob pressão em praticamente todos os continentes. Ambos os estudos analisam a realidade de quase 200 países e territórios e convergem na conclusão de que bilhões de pessoas enfrentam limitações significativas para viver sua fé.

Aumento da hostilidade social

Segundo o Pew, em 2023 o número de países com níveis elevados (altos ou muito altos) de hostilidades sociais ligadas à religião chegou a 55 — dez a mais do que no ano anterior. Para avaliar essa realidade, os pesquisadores utilizaram dois indicadores: o Índice de Restrições Governamentais, com foco em proibições oficiais, e o Índice de Hostilidades Sociais quantifica o vandalismo, agressões físicas, assédio exercido pela própria população. O resultado foi que quase dois terços da população mundial vivem hoje em contextos em que essas violações são graves.

Na Europa, países como Espanha, Bélgica, Noruega e Suécia passaram a figurar na categoria de hostilidade “alta”. Na Espanha, houve aumento de relatos de assédio (individual e coletivo) contra comunidades judaicas, muçulmanas e de Testemunhas de Jeová. Na Noruega, registraram-se ataques repetidos a grupos religiosos e crescimento de discursos de ódio, em meio às tensões geradas pelos conflitos no Oriente Médio.

O relatório da ACN, que cobre o período de 2023-2024, aponta um cenário ainda mais amplo: graves violações da liberdade religiosa em 62 países, classificadas como perseguição em 24 e discriminação em 38. Isso afeta mais de 5,4 bilhões de pessoas — cerca de dois terços da humanidade. Os cristãos continuam entre os grupos mais afetados, com centenas de milhões vivendo sob risco de perseguição ou discriminação.

Restrições governamentais quase universais

As restrições impostas pelos Estados aparecem como fenômeno praticamente generalizado. Em 2023, o assédio governamental (verbal ou físico) a grupos religiosos foi registrado em 185 países — ou 98% dos analisados. Restrições que dificultam o exercício livre do culto chegaram a 175 países, o maior número da série histórica do Pew desde 2007.

Entre as 25 nações mais populosas, China, Irã, Indonésia, Egito e Rússia apresentaram as restrições estatais mais severas. Já Japão, Estados Unidos e África do Sul figuram entre os de menor interferência governamental. A Coreia do Norte, frequentemente citada como um dos regimes mais repressivos, não entra formalmente no estudo por falta de acesso a observadores independentes e pela opacidade do país.

No campo da violência social, o panorama é diferente: Nigéria, Índia, Bangladesh e Paquistão registraram pontuações “muito altas”, com episódios de violência coletiva e ataques a minorias religiosas. Em contraste, Vietnã e Estados Unidos mantiveram níveis baixos de hostilidade social entre os países mais populosos.

Tendência de longo prazo e fatores regionais

Embora as hostilidades sociais oscilem conforme a conjuntura (como os efeitos do ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023 e a resposta israelense em Gaza), as restrições governamentais mostram tendência de crescimento constante ao longo dos anos. O índice mediano global de restrições governamentais estabilizou-se em 3,0 (em escala de 0 a 10) pelo terceiro ano consecutivo, o nível mais alto desde o início do monitoramento em 2007. Já o índice de hostilidades sociais permaneceu em 1,6.

Regionalmente, a África Subsaariana foi a única grande área em que os níveis medianos de ambas as restrições caíram em 2023. Já Europa, Ásia-Pacífico e Oriente Médio-Norte da África registraram alta. Nas Américas, as restrições governamentais ficaram estáveis e as hostilidades sociais subiram levemente.

O Pew destaca ainda que atos de violência coletiva — incluindo ataques motivados pelo uso de vestimentas religiosas — contribuíram para elevar o índice de hostilidades. A ACN, por sua vez, alerta que a ausência de uma definição internacional unificada de “perseguição religiosa” dificulta respostas coordenadas e eficazes.

Um direito sob pressão

Tanto o Pew Research Center quanto a ACN coincidem: o cenário atual coloca em situação de vulnerabilidade extrema bilhões de fiéis de diversas confissões. A liberdade religiosa, reconhecida no artigo 18 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, enfrenta desafios crescentes — de leis e políticas restritivas a violência social e discursos de ódio.

Os dados de 2023 e as análises de 2025 mostram que o recuo não é pontual, mas estrutural em várias regiões. Monitorar, denunciar e defender esse direito fundamental continua essencial para garantir a liberdade religiosa em todo o planeta.

Com base em dados da Ajuda à Igreja que Sofre (ACN) e do Pew Research Center

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