Leão XIV: um terço no Vaticano pela “paz para todas as crianças do mundo”
Na gruta de Lourdes, nos jardins do Vaticano, 1.200 pessoas — entre elas, 700 crianças — se reuniram com o Papa Leão XIV para rezar o terço em cinco idiomas, oferecendo essa oração mariana para que cesse a violência em todo o mundo.
Foto: Vatican News
Redação (01/10/2026 15:09, Gaudium Press) Nos Jardins do Vaticano, Leão XIV se uniu a centenas de crianças para abrir uma semana mundial de oração pela paz. De Roma às comunidades mais atingidas pela guerra e pela perseguição, a iniciativa da Ajuda à Igreja que Sofre transforma a oração infantil em uma corrente que atravessa fronteiras, idiomas e continentes.
No primeiro dia de outubro, mês tradicionalmente dedicado ao Santo Rosário, uma cena de grande força simbólica tomou conta dos Jardins do Vaticano: centenas de crianças reunidas diante da Gruta de Lourdes, ao lado do Papa Leão XIV, para rezar pela paz.
Eram crianças de escolas e paróquias de Roma, mas sua oração pretendia alcançar muito além das fronteiras da cidade. Ao mesmo tempo, em diferentes partes do mundo, famílias, escolas, paróquias e comunidades cristãs se uniam à iniciativa “Um milhão de crianças rezam o Terço pela paz”, promovida pela Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).
A mobilização deste ano tem uma característica inédita. Pela primeira vez, em vez de se concentrar em uma única data, a campanha se estende durante toda a primeira semana de outubro, de 1º a 7 de outubro, permitindo que comunidades de diferentes países escolham o momento mais adequado para participar, permanecendo unidas na mesma intenção: a paz e a unidade. O encerramento coincide com a festa de Nossa Senhora do Rosário.
O cardeal Kurt Koch, prefeito do Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos, destacou que a iniciativa oferece às crianças uma possibilidade simples e profunda: apresentar a Jesus, com Maria, os sofrimentos e as esperanças da humanidade.
A escolha das crianças não é meramente simbólica. Para o cardeal, suas vozes expressam uma confiança particular, justamente porque ainda não carregam o peso das divisões e dos interesses que tantas vezes dificultam o diálogo entre os adultos.
Durante a semana, comunidades separadas por milhares de quilômetros estarão ligadas por uma mesma oração. A intenção, segundo Koch, é contemplar Cristo ressuscitado e pedir que o medo e o ódio não tenham a última palavra.
Uma oração que nasceu na Venezuela
A história da iniciativa começou de maneira simples. Em 2005, um grupo de crianças se reuniu para rezar o Terço diante de uma pequena imagem de Nossa Senhora, na Venezuela. A experiência acabou se transformando em uma campanha internacional que, com o passar dos anos, envolveu escolas, famílias, paróquias e dioceses de diversos países.
A inspiração está associada a uma conhecida frase atribuída a São Pio de Pietrelcina: “Quando um milhão de crianças rezarem o Terço, o mundo mudará.” Mais do que uma previsão, a frase expressa a convicção de que a oração dos pequenos possui uma força particular justamente porque nasce da confiança e da simplicidade.
Do Vaticano para o mundo
Diante da Gruta de Lourdes, no Vaticano, crianças de paróquias e escolas de Roma rezaram com o Papa, enquanto outras comunidades se uniam à oração em diferentes países. As cinco dezenas do Rosário foram rezadas em italiano, espanhol, urdu, alemão e árabe, dando à celebração uma dimensão verdadeiramente universal. O Papa abençoou os terços que cada criança recebeu para começar a recitação do terço.
Leão XIV falou às crianças de maneira simples. Disse que, naquele momento, elas estavam pedindo a Jesus e a Maria “um presente especial: a paz para todas as crianças do mundo”, especialmente para aquelas que vivem em países marcados pela guerra.
O Papa recordou que o Rosário é uma oração simples, acessível a todos, e convidou as crianças a contemplarem os momentos da vida de Jesus. Assim, rezar o Rosário não significa apenas repetir palavras, mas percorrer, com Maria, os acontecimentos centrais da vida de Jesus. As flores oferecidas antes de cada dezena, explicou, eram também um sinal de amor.
Leão XIV exortou as crianças a nunca esquecerem os momentos em que Jesus “nos deu presentes maravilhosos” e a serem gratas por isso, bem como a “pedir a Ele com confiança, todos juntos: Dá-nos a paz”.
Mas Leão XIV foi além da oração. Pediu que as crianças compreendessem que a paz precisa começar também nos pequenos gestos cotidianos: em casa, na escola, na catequese e nas relações com os outros.
“As orações devem também ser acompanhadas de boas ações e de gestos de amor”, afirmou o Papa. “É assim que a paz cresce.”
Ao imaginar as milhões de crianças rezando simultaneamente, Leão XIV falou de dezenas de milhões de Ave-Marias elevadas ao céu em diferentes línguas, como “um imenso Terço” envolvendo todos os continentes, povos e nações.
“Em todo o mundo, um milhão de crianças reza conosco. Um milhão! Pensem nisso: cinquenta milhões de ‘Ave-Marias’ que sobem ao Céu de todas as partes e em todas as línguas da terra pedindo a paz, e que se unem como em uma única e grandíssima coroa do Rosário, para abraçar e unir entre si todos os continentes, as raças e as nações do planeta”.





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