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Justiça administrativa de Estrasburgo autoriza financiamento público de telões para visita do Papa Leão XIV a Metz

Duas associações haviam solicitado a suspensão urgente da compra de telões gigantes destinados à transmissão da missa do Papa Leão XIV na Catedral de São Estêvão, pois violava os princípios de laicidade e neutralidade do Estado.  

tribunal estrasburgo

Redação (13/09/2026 08:09, Gaudium Press) O Tribunal Administrativo de Estrasburgo rejeitou, em procedimento de urgência (référé-suspension), o recurso apresentado por duas associações laicas contra a destinação de 250 mil euros aprovada pelo Conselho Municipal de Metz. A decisão, anunciada em 11 de setembro passado, confirma a legalidade do uso de recursos públicos para a logística da visita do Papa Leão XIV, marcada para 28 de setembro na cidade francesa.

Metz, no departamento de Mosela (Moselle), será a última etapa da viagem apostólica do pontífice à França, que começa no dia 25 de setembro e inclui Paris, a Unesco e Lourdes. A cidade, próxima à fronteira com a Alemanha, tem um status jurídico singular: não se aplica a lei francesa de laicidade de 1905. Em vez disso, vigora o regime concordatário herdado do tempo napoleônico e mantido após a reintegração da região à França. Esse modelo reconhece e organiza determinados cultos (católico, luterano, reformado e judaico), permitindo formas de cooperação entre o poder público e as instituições religiosas que não existem no restante do país.

Quem processou e o que contestavam

As autoras do recurso foram a União de Famílias Laicas de Mosela (UFAL 57) e a Associação Les Profanes. Elas impugnaram a deliberação do Conselho Municipal de 10 de julho passado, que reservou 250 mil euros — principalmente para a locação de telões gigantes em espaços públicos. O objetivo é retransmitir a missa na Catedral de São Estêvão (Saint-Étienne) e o restante do programa papal a um público estimado entre 50 mil e 100 mil pessoas. A catedral comporta cerca de 2 mil fiéis.

As entidades argumentavam que a despesa vinculada a uma cerimônia cultual violava os princípios de laicidade e neutralidade do Estado, mesmo sob o regime especial da Alsácia-Mosela. Não contestavam a realização da visita nem a missa em si, mas o uso de dinheiro público para facilitar a retransmissão de um evento religioso. As associações haviam pedido a suspensão urgente das compras e afirmam que manterão o recurso de mérito, que será julgado muito depois da passagem do Papa.

A decisão da Justiça

O tribunal rejeitou o pedido de suspensão. Na fundamentação, a juíza destacou a “alcance internacional” da visita e as “importantes repercussões” para a cidade em termos de projeção cultural e benefícios econômicos. Os telões, segundo a decisão, não se limitam a transmitir a missa, mas permitem ao grande público acompanhar o conjunto das intervenções do Papa e seu percurso pela cidade. O princípio constitucional de laicidade vigente na região, embora imponha neutralidade, não proíbe, por si só, certos financiamentos de atividades ou equipamentos ligados a cultos.

O prefeito de Metz, François Grosdidier, celebrou a decisão. Ele enfatizou que os recursos respondem a exigências de interesse geral, ordem e segurança pública, e ao bom andamento de um evento histórico. “Não se trata de uma subvenção ao culto, mas de um investimento logístico e de segurança que projetará a imagem da cidade no plano internacional”, afirmou o prefeito. Grosdidier compara o valor ao custo de um grande show ou de fogos de artifício em festas locais e destaca o potencial de projeção mundial da cidade, ligada historicamente à reconciliação franco-alemã e à figura de Robert Schuman, um dos pais da União Europeia.

No dia 28 de setembro, o Papa chega ao aeroporto de Metz-Nancy-Lorraine por volta das 9h20. O programa inclui encontro inter-religioso e um discurso sobre as raízes da Europa para a paz e a unidade no Centro de Congressos Robert Schuman, percurso em papamóvel pelas ruas da cidade a partir das 14h30 e missa na catedral às 16h, com homilia. Há expectativa de presença do presidente francês Emmanuel Macron e possível participação de outras autoridades internacionais.

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