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Jornalista brasileira coloca em dúvida exatidão de comunicado médico sobre tratamento de Leão XIV

Informações obtidas junto a fontes do Hospital Gemelli indicam que o Pontífice deverá passar por três anos de imunoterapia, apesar de comunicado oficial ter descartado a necessidade de tratamentos adicionais.

Foto: Screenshot/ globonews/ Facebook

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Redação (24/10/2026 10:44, Gaudium Press) Uma apuração da jornalista brasileira Mirticeli Medeiros, correspondente da GloboNews no Vaticano, trouxe novas informações sobre o estado de saúde do Papa Leão XIV e levantou dúvidas quanto à exatidão do comunicado médico divulgado pela Santa Sé na última quarta-feira, 21 de outubro.

Segundo informações publicadas nesta sexta-feira, 23 de outubro, e atribuídas a fontes do Hospital Gemelli, em Roma, o Pontífice deverá ser submetido a um tratamento de imunoterapia por pelo menos três anos, com o objetivo de reduzir o risco de recidiva do câncer pulmonar que motivou sua recente intervenção cirúrgica.

A informação contrasta diretamente com o comunicado divulgado pelos médicos Luigi Carbone e Stefano Margaritora, responsáveis pelo acompanhamento do Papa, no qual se afirmava que os exames histológicos definitivos haviam confirmado um adenocarcinoma localizado e que, após avaliação oncológica, não seria necessário nenhum tratamento adicional.

De acordo com a apuração da jornalista brasileira, o tumor retirado do pulmão do Pontífice media aproximadamente 2,5 centímetros e apresentava positividade para PD-L1, marcador biológico que pode ser relevante para a indicação de determinados tratamentos imunoterápicos. As informações divulgadas também apontam que o histórico familiar de câncer teria sido considerado na avaliação médica.

Caso essas informações sejam confirmadas, o comunicado oficial de 21 de outubro poderá ter apresentado um quadro incompleto ou impreciso sobre as necessidades terapêuticas do Pontífice. A diferença não é irrelevante: enquanto a nota médica transmitia a perspectiva de que a intervenção cirúrgica havia sido suficiente, a nova apuração indica a possibilidade de um acompanhamento oncológico prolongado, acompanhado de tratamento medicamentoso.

Isso não significa necessariamente que a condição clínica do Papa tenha se agravado ou que o câncer tenha se disseminado. A imunoterapia pode ser utilizada, em determinados casos, após a retirada cirúrgica de um tumor, com finalidade preventiva. Entretanto, a indicação de um tratamento dessa natureza representaria uma informação importante que não apareceu no comunicado divulgado anteriormente.

A notícia também suscita dúvidas sobre o momento em que a eventual necessidade de imunoterapia teria sido identificada. Não está claro se a decisão médica foi tomada depois da divulgação do comunicado ou se a possibilidade de tratamento já estava sendo considerada quando os médicos afirmaram que nenhuma terapia adicional seria necessária.

Até o momento, não há confirmação pública independente de que o tratamento tenha sido efetivamente prescrito, nem esclarecimento oficial da Santa Sé sobre a divergência entre as informações.

A apuração de Mirticeli Medeiros ganha particular relevância por atribuir os dados a fontes do próprio Hospital Gemelli, onde Leão XIV foi operado. Se confirmada, indicaria que as informações oferecidas ao público sobre a recuperação do Papa não refletiam integralmente o planejamento terapêutico de sua equipe médica.

Diante da repercussão internacional da saúde do Pontífice, um eventual esclarecimento da Sala de Imprensa da Santa Sé poderá ser decisivo para determinar se houve uma mudança posterior na orientação médica ou se o comunicado de 21 de outubro foi, desde sua divulgação, menos preciso do que as circunstâncias exigiam.

Por Rafael Ribeiro

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