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Jerusalém: líderes cristãos condenam ataque de colonos israelenses à aldeia cristã na Cisjordânia

Patriarcas denunciam escalada da violência contra comunidades palestinas durante a colheita de azeitonas e pedem proteção internacional para preservar a presença cristã na Terra Santa.

Foto: Taybeh, Ephraim/ Facebook

Foto: Taybeh, Ephraim/ Facebook

Redação (22/10/2026 09:41, Gaudium Press) Os Patriarcas e Chefes das Igrejas de Jerusalém condenaram energicamente o ataque perpetrado por colonos israelenses contra a aldeia palestina de Taybeh, uma das últimas localidades inteiramente cristãs da Cisjordânia. Em declaração conjunta divulgada na segunda-feira, 19 de outubro, os líderes religiosos exigiram que os responsáveis sejam levados à justiça e alertaram para o agravamento da violência contra comunidades palestinas na Terra Santa.

O episódio ocorreu no sábado, 17 de outubro, quando um grupo de colonos encapuzados atacou moradores que participavam da tradicional colheita de azeitonas. Entre os alvos estavam também visitantes estrangeiros, incluindo diplomatas europeus e representantes internacionais que se encontravam na região para manifestar solidariedade à população local.

Os líderes cristãos classificaram o ocorrido como um “ataque hediondo” e advertiram que a agressão não constitui um episódio isolado, mas integra um padrão crescente de intimidação e violência contra aldeias palestinas, especialmente durante o período da colheita das azeitonas – atividade de grande importância econômica, cultural e familiar para as comunidades da região.

“Este ataque selvagem contra a aldeia cristã de Taybeh e sua população pacífica não é um incidente isolado”, afirmaram os patriarcas, denunciando a sucessão de agressões registradas nas últimas semanas em diferentes localidades da Cisjordânia.

Na declaração, também foi manifestada a preocupação com uma recente decisão religiosa que teria autorizado judeus a se apropriarem de azeitonas pertencentes a palestinos. Os representantes das Igrejas consideraram a interpretação “infundada, muito preocupante e perigosa, e absolutamente inaceitável”.

Ao mesmo tempo, reconheceram positivamente a reação de rabinos e outras personalidades judaicas que rejeitaram publicamente essa interpretação, destacando a importância das vozes que se opõem à violência e à apropriação indevida de propriedades palestinas.

Os patriarcas agradeceram ao presidente de Israel, Isaac Herzog, por sua condenação pública ao ataque, e reconheceram as prisões realizadas pela polícia israelense após os acontecimentos. Entretanto, advertiram que a continuidade das agressões revela um problema persistente de impunidade, que exige uma resposta mais firme e consistente por parte das autoridades.

Segundo os líderes religiosos, as medidas policiais não podem limitar-se a intervenções pontuais. É necessário assegurar que os responsáveis pelos ataques sejam efetivamente responsabilizados e que as comunidades vulneráveis recebam proteção permanente.

O comunicado dirigiu ainda um apelo à comunidade internacional para que intensifique seus esforços em defesa dos habitantes de Taybeh e de outras localidades da Cisjordânia, incluindo os estrangeiros que visitam essas comunidades em demonstração de solidariedade.

A situação de Taybeh desperta particular preocupação entre as Igrejas cristãs devido à importância histórica e religiosa da localidade. Identificada pela tradição cristã com a antiga Efraim, mencionada no Evangelho de São João como o lugar para onde Jesus se retirou com seus discípulos antes de sua Paixão, a aldeia representa um testemunho da continuidade da presença cristã na Terra Santa.

Nos últimos anos, a comunidade tem enfrentado crescentes dificuldades relacionadas à insegurança, às restrições de circulação e às tensões territoriais que afetam a população palestina da Cisjordânia. Para as autoridades eclesiásticas, a persistência desse cenário ameaça não apenas a tranquilidade dos moradores, mas também a permanência de comunidades cristãs cujas raízes remontam aos primeiros séculos do cristianismo.

“Renovamos nosso pleno apoio à comunidade de Taybeh e às suas igrejas, e continuaremos, como no passado, a fazer todo o possível para preservar a presença cristã naquele lugar”, declararam os patriarcas.

A manifestação conjunta evidencia a preocupação das diferentes confissões cristãs de Jerusalém com o futuro de seus fiéis em uma região marcada por décadas de conflito e por um processo contínuo de diminuição da população cristã.

Ao concluir o comunicado, os líderes religiosos elevaram suas orações pelos habitantes de Taybeh e por todos os povos da Terra Santa, expressando o desejo de que possam viver em condições de “segurança, justiça e paz”.

A declaração reforça o apelo das Igrejas de Jerusalém para que a proteção das comunidades cristãs palestinas seja tratada como uma responsabilidade concreta das autoridades locais e da comunidade internacional, diante do risco de enfraquecimento de uma presença religiosa e cultural que constitui parte essencial da história da Terra Santa.

Por Rafael Ribeiro

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