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Jasna Góra resiste contra tropas protestantes

Em 1655, a Suécia invadiu a Polônia visando, sobretudo, extirpar o catolicismo e inocular a heresia luterana.

Fotos: Wikipedia

Fotos: Wikipedia

Redação (11/08/2026 10:07, Gaudium Press) O rei da Suécia, Gustavo Adolfo, foi um dos maiores generais e talvez o líder protestante mais importante da época. A Suécia e a Noruega constituíam, então, um só reino. A península escandinava possuía guerreiros excelentes. Os soldados sueco-noruegueses não tinham quem os superassem em valor militar na Europa.

Ele pretendeu desbancar a Casa d’Áustria da direção do Sacro Império e impor um imperador protestante, de maneira a virar todo o mundo alemão para o protestantismo. E percebeu muito bem que só conseguiria esse nefando objetivo se tomasse conta da Polônia.

A Polônia formava uma espécie de muralha separando duas heresias na Europa: de um lado, o mundo russo que era cismático; e, de outro, o mundo protestante, isto é, a Prússia e os Países bálticos. Constituindo uma potência no Báltico, por ter porto naquele mar e separar a Rússia da Alemanha, a Polônia era uma longa manus da Igreja Católica naquelas terras de apostasia.

Reino eletivo, era governada pelo fraco Rei João Casimiro. Assim, os soldados suecos e noruegueses avançaram como um dilúvio pela Polônia adentro.

Mosteiro Jasna Góra

Mosteiro Jasna Góra

Um dos poucos pontos que resistiram foi o mosteiro localizado na colina de Jasna Góra, em Czestochowa – Sul do país – em cujas muralhas existe um Santuário onde se venera uma milagrosa imagem de Nossa Senhora. Os monges ali residentes eram chamados paulinos, cuja Ordem foi fundada no século XIII em homenagem a São Paulo, o Primeiro Eremita, que viveu nove décadas no deserto e morreu em 345, aos 113 anos de idade.

Blackmadonna

Jasna Góra significa Monte Claro, Clermont em francês. O que faz recordar o grandioso Concílio de Clermont, em 1095, durante o qual o Beato Urbano II convocou a I Cruzada.

Sinais no Sol: cruz, espada, açoite

Sintetizamos a seguir alguns comentários feitos por Dr. Plinio Corrêa de Oliveira sobre o tema:

Por ter caído na tibieza, a Polônia atraiu sobre si o castigo divino que se fez anunciar por alguns sinais. Em fevereiro de 1654, um raio caiu sobre o campanário do Santuário e o destruiu.

Em julho desse ano, um milagre ocorreu no Sol sobre cuja superfície apareceu uma cruz que se ia transformando em coração, o qual era transpassado por uma espada. A certa altura do disco solar, via-se a mão de uma pessoa segurando um açoite.

No ano seguinte, proveio da Suécia o açoite de Deus contra os poloneses: o Rei Gustavo Adolfo enviou numeroso exército, sob o comando do General Milller, para invadir a Polônia.

Não encontrando resistência, tomaram praticamente o país inteiro. Quase toda a nobreza, parte da qual era calvinista, aceitou Gustavo Adolfo como protetor da Polônia, abandonando o Rei João Casimiro à própria sorte.

3.000 protestantes avançam em direção ao mosteiro

Após conquistarem Cracóvia, no extremo Sul, 3.000 soldados partiram em direção do Mosteiro de Jasna Gora visando conquistá-lo.

Alguns nobres, fugindo do avanço inimigo, buscaram refúgio nesse mosteiro, cujo Superior era Frei Agostinho Kordecki. Um deles aconselhou os religiosos a não cederem aos protestantes e afirmou estarem dispostos a morrer em defesa da honra do santo lugar, confiantes na proteção de Nossa Senhora.

Mas, logo depois, um conde ali chegou e incitou os monges a se entregarem para salvarem suas vidas e a belíssima fortaleza onde residiam. Com altivez, o Superior rejeitou essa infame proposta e declarou: “Antes morrer dignamente do que viver na impiedade”.

Isso faz lembrar famosa frase de Judas Macabeu: “É preferível morrer no combate a ver nosso povo perseguido, e profanado o nosso santuário!” (1Mac 3, 59).

“Esse traidor acabou levando uma declaração de guerra na cara. Frei Kordecki disse o seguinte: ‘Você é mais forte do que eu e me ameaça. Pois bem, eu prefiro morrer. Portanto, vou resistir. Se você vier, eu o mato’.  É a atitude perfeita.”[1]

“Responderemos pelas bocas dos canhões”

O rei havia fugido, a maior parte dos nobres pactuara com o inimigo, o clero nada fizera para defender a Igreja e a Polônia. E o General Miller com um exército de 3.000 homens se aproximam da fortaleza Jasna Gora, que era defendida apenas por 70 monges, cinco nobres com seus poucos criados e 160 soldados de infantaria, em sua maior parte simples camponeses.

Frei Kordecki celebrou uma Missa, benzeu os canhões, os projéteis e os barris de pólvora. Em seguida, ordenou que se levasse o Santíssimo Sacramento em procissão pelos muros e bastiões.

Chegando aos pés de Jasna Gora, o General Miller enviou uma proposição de paz. E o heroico Frei declarou: “Responderemos pelas bocas dos canhões”.

Traição do comandante das tropas de Cracóvia

Os protestantes iniciaram um ataque maciço, lançando granadas e projéteis incendiários para queimar as instalações do mosteiro e do santuário.

Face à resistência dos católicos, Miller enviou delegados à fortaleza sitiada, tentando convencer os seus defensores a abrirem os portões para uma guarnição sueca e debaterem os termos do acordo.

Notemos a velhacaria: primeiro entra a guarnição, depois vão discutir o acordo. As pessoas não combativas, como o Rei Luís XVI, aceitariam. Mas o padre Prior, para ter a garantia de que os acordos seriam respeitados, exigiu que os mesmos fossem discutidos diretamente com Gustavo Adolfo o qual se encontrava muito distante de Jasna Gora. Frei Kordecki era inteligente, capaz e soube agir.

O comandante das tropas de Cracóvia enviou uma carta aos sitiados indicando todos os benefícios que adviriam aos monges se entrassem em acordo com o General Miller, e ameaçando-os com represálias cruéis se continuassem a resistência. E os varões de Deus recusaram cometer essa traição.

Enraivecidos, os suecos lançaram pesados ataques contra Jasna Gora, mas os canhões de defesa não lhes permitiram aproximar-se de suas muralhas.

Houve, portanto, uma defesa vitoriosa. Frei Kordecki tinha vencido mais uma vez.[2]

Por Paulo Francisco Martos

Noções de História da Igreja


[1] CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio. A vitória da confiança I – In Dr. Plinio. São Paulo. Ano XXIII, n. 262 (janeiro 2020), p. 11.

[2] Id. A vitória da confiança – II. Dr. Plinio. Ano XXIII – Nº 263 (fevereiro de 2020), p. 9-12.

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