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Já é tarde, a multidão precisa se encontrar com Jesus!

Ao contemplar o Santo Evangelho em qualquer período do ano litúrgico, devemos sempre resgatar princípios e aplicações para a nossa vida diária, ligando os fatos passados da vida de Jesus ao contexto atual. Que relações teria disposto a Divina Providência para este 18° Domingo do Tempo Comum?

Liturgia (01/08/2020 09:33, Gaudium Press) Quando soube da morte de João Batista, Jesus partiu e foi de barco para um lugar deserto e afastado (Mt 14, 13).

É notável que São Mateus não nos diz o nome do lugar, não descreve quem estava com Jesus (pois pelo menos uma pessoa deveria estar conduzindo o barco para Nosso Senhor) e, nem sequer, escreve o que Jesus foi fazer naquele lugar afastado. No mesmo versículo, afirma que, quando as multidões souberam disso, saíram das cidades e o seguiram a pé (Mt 14, 13). Mais uma vez São Mateus não diz que tipo de pessoas compunha as multidões, não menciona como elas “souberam disso”, e nem mesmo dá o nome das cidades das quais saíram.

Por quê?

Por que Nosso Senhor se afastou? Por que foi para um lugar deserto? Por que o Evangelista faz constar que a multidão foi a pé?

Deus se afastou para ver quem o procuraria. Foi para o deserto, pois é nas dificuldades áridas e penosas da vida que Deus se faz presente e é no silêncio do deserto, longe da agitação do dia-a-dia, que Deus fala em nossos corações. E a multidão foi a pé pois Deus quer mostrar que para chegar até Ele é necessário dar passos. Não basta subirmos na barca de outrem e deixar que nos levem, já que o caminho que nos faz encontrar com Cristo é uma estrada a ser trilhada com empenho, esforço e perseverança.

Jesus cura os doentes que o procuram

Ao sair do barco, Jesus viu uma grande multidão. Encheu-se de compaixão por eles e curou os que estavam doentes (Mt 14, 14).

É uma lição que se aplica para toda a História: sempre que a multidão procura Jesus, o encontra; E Jesus, ao encontrá-la, se enche de compaixão. A compaixão do Homem-Deus para com aqueles que trilharam o caminho deserto se transforma em desejo de curar as enfermidades. Não haveria cura para os que estavam na multidão se não tivessem perseverado no caminho.

Certamente, havia ali alguns que padeciam de paralisia, eram coxos, aleijados e, portanto, sofriam incomparavelmente mais do que os homens saudáveis quando saíam da cidade em direção ao deserto. Ora, a estes Jesus premeia com a cura das misérias.

Os próprios discípulos de Cristo querem afastá-lo das multidões

Ao entardecer, os discípulos aproximaram-se de Jesus e disseram: “Este lugar é deserto e a hora já está adiantada. Despede as multidões, para que possam ir aos povoados comprar comida!” (Mt 14, 15).

Está próximo o crepúsculo. Os discípulos estão cansados? Por que querem que Nosso Senhor despeça as multidões? Aquele que restitui uma perna ou um braço, que purifica os leprosos, que devolve a vista aos cegos, não pode resolver tantos outros problemas como a falta de alimento da multidão? A primeira impressão de quem se depara com o argumento dos discípulos é de que eles têm razão. Entretanto, analisando com mais profundidade, percebe-se que, na verdade, a multidão tinha mais fé que os próprios discípulos.

Não foi a multidão que começou a ir embora, a se despedir e a reclamar da fome. Foram aqueles que estavam – ou pelo menos, deveriam estar – mais próximos de Jesus: os seus discípulos… Sob pretexto de prevenir aquele mal, os discípulos lançam um imperativo para afastar Nosso Senhor: Despede as multidões.

Entretanto, não era isso que Jesus queria… O que Nosso Senhor Jesus Cristo queria, isto sim, era dar-lhes de comer. Ele queria continuar com aqueles que o tinham procurado, por mais que a noite se fizesse sobre o mundo. Para Ele, que era Deus, não importavam as doenças, pois Ele as podia curar. O que Ele não podia admitir era que a multidão fosse despedida e ficasse sem o seu alimento. Foi por isso que disse: Eles não precisam ir embora. Dai-lhes vós mesmos de comer! (Mt 14, 16).

O certo seria…

Qual seria a atitude certa para os discípulos? Com certeza seria dizer como a Santíssima Virgem quando o vinho das Bodas de Caná veio a faltar: “Fazei o que Ele vos disser!” (Jo 2, 5).

Os discípulos deveriam estar preocupados em fazer a vontade de Jesus e não em despedir a multidão. Deveriam dizer: “Senhor, a hora já está adiantada, a multidão precisa estar mais próxima de Vós” e depois voltar-se para multidão e dizer: “Fazei o que Ele vos disser!”.

Por Afonso Costa

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