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Irmã Clare Crockett: de estrela de TV a religiosa exemplar

Ela foi uma estrela-mirim de TV na Inglaterra. Sexta-feira Santa, na Espanha, Cristo crucificado mostrou-lhe seu amor.  

Redação (30/04/2021 12:07, Gaudium Press) Clare Crockett era uma menina irlandesa carismática, que como seus biógrafos dizem “parecia tão alegre quanto superficial”. Agora saiu um livro sobre sua vida muito interessante.

Ela queria ser estrela de cinema e tinha todas as qualidades para tal. De fato, com apenas 15 anos de idade foi apresentadora de programas para jovens em um canal do Reino Unido.

Aconteceu, porém, que no ano 2000 ela resolveu passar a Semana Santa na Espanha, com alguns amigos para aproveitar o sol e as praias. E, na Sexta-feira Santa, alguém lhe disse que naquele dia ela tinha que entrar na capela. Com má vontade, ela ficou no último banco e, na hora da adoração da Santa Cruz, ela foi beijar a cruz, como todos os fiéis. Nesse momento, algo impressionante aconteceu em sua vida. Uma irmã a encontrou chorando enquanto dizia: “Ele morreu por mim. Ele me ama!… por que ninguém me disse isso antes?”

Mas ao voltar para a Irlanda, entrou na voragem do mundo novamente. Sua vida transcorria por caminhos que não levavam a Deus. No entanto, a graça seguia batendo à sua porta.

Um dia, enquanto caminhava para o toalete de uma discoteca, sentiu Jesus Cristo lhe dizer: “Por que você continua me ferindo?” Depois, quando estava revendo os horários para uma gravação no quarto de um importante hotel em Londres, sentiu um vazio tão grande em sua vida que compreendeu que só seria preenchido se ela se entregasse ao Senhor.

Entre as Servas do Lar da Mãe

Ela entra no Lar da Mãe para realizar o noviciado e faz sua profissão religiosa no dia 18 de fevereiro de 2006. Às vezes, ela tinha “a tentação de olhar para trás e dizer: ‘Eu a quero de novo’ [sua vida passada]. Mas entendi que eu tinha encontrado um amor maior”.

Seu caminho, embora se possa pensar o contrário, não foi fácil; foi de amadurecimento humano e espiritual.

Sua experiência do mundo lhe deu certas condições para falar abertamente com os jovens, para os quais ela tinha um dom especial, que exerceu particularmente no Lar da Mãe de Belmonte, em Cuenca, Espanha, para onde iam meninas provenientes de famílias com dificuldades.

Em seguida, foi, com outras irmãs, abrir uma casa em Jacksonville, EUA. Como ela era a única que falava a língua inglesa, arcou com muitas responsabilidades. Lá ela deixou uma marca especial nas crianças da catequese. As religiosas ajudavam a escola da paróquia da Assunção e de outras paróquias.

Um ‘cheque em branco’

Retornou à Espanha em setembro de 2010 e fez os votos perpétuos. Essa foi uma ocasião para uma maior entrega a Deus. Na época, dizia que ela era um “cheque em branco” para que Deus fizesse com ela o que Lhe agradasse.

Não pôde voltar para os EUA por questões de visto, e foi designada para Valência onde devia dar atenção espiritual aos doentes em fase terminal. Logo voltou a Belmonte, e todos destacaram seu bom humor, apesar de sofrer de enxaquecas com frequência e outros sofrimentos que não deixava transparecer.

Em outubro de 2012, foi para a casa recém-fundada em Guayaquil, Equador, e, em 2014, foi destinada para outro lugar dentro do próprio Equador, Playa Prieta. Lá, o Lar da Mãe dirige a Unidade Educativa Sagrada Família, uma escola para crianças de famílias de baixa renda. Mas, também, várias vezes ao ano, os membros do Lar da Mãe entravam na floresta tropical pré-Amazônica para evangelizar seus habitantes; caminhadas de muitas horas, com calor insuportável, comuns nessas missões.

Com o passar dos anos, percebeu-se que a Ir. Clare estava procurando cada vez mais tempo para falar com Deus. Dedicava sua vida ao apostolado, e também fortalecia sua união com o Senhor.

No dia 16 de abril de 2016, um terremoto atingiu as religiosas em casa ao voltar da missa, em uma paróquia da aldeia. Durante o almoço, tinham conversado sobre a morte e a Ir. Clare disse: “Não tenho medo da morte. Por que eu vou ter medo da morte, se eu vou para junto dAquele que eu sempre desejei estar toda a minha vida?” A casa desabou e ela morreu, junto com outras jovens.

Após sua morte, sua vida começou a se tornar bem conhecida. Uma religiosa fez um documentário, “Ou Tudo ou Nada”, que tem circulado muito. E recentemente essa mesma religiosa, Ir. Krister Gardner, escreveu o livro ” Hna. Clare Crockett: Sola com el Solo.”

Com informações www.hermanaclare.com

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