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Indulgência plenária e a festa do Sagrado Coração de Jesus

Ao comemorar a festa do Sagrado Jesus, a Igreja oferece aos fiéis o benefício da indulgência plenária. Porém, o que são as indulgências?

Redação (19/06/2020 09:00, Gaudium Press) Hoje celebramos a festa do Sagrado Coração de Jesus. A Igreja Católica se reveste de alegria ao celebrar esta importante solenidade, favorecida, ademais, pela concessão da indulgência plenária ao fiéis que a piamente a desejarem.

O que é uma indulgência plenária?

A indulgência plenária é a remissão total ou parcial da pena temporal – dívida a ser paga pelos pecados cometidos – concedida pela Igreja aos fiéis.[1] Tal dádiva, além de nos aproximar mais de Deus, pois limpa nossos dívidas com o Criador, com a própria Ordem do Universo por Ele estabelecida e com nossa consciência, nos afasta das possíveis chamas do Purgatório, para onde vão as almas salvas que todavia precisam adequar seus critérios com os de Deus.

Contudo, para se receber uma indulgência a Igreja estabelece certas normas, as quais auxiliam os fiéis a melhor entenderem e amarem tão inestimável favor.

As Indulgências

Conforme o estabelecido pela Igreja, há gradações nas indulgências, resultando em um maior ou menor benefício ao fiel, em proporção ao ato de piedade praticado e ao poder da mesma indulgência. Assim, elas podem ser “parciais” ou “plenárias”, consoante ao perdão da pena temporal concedido.

Porém, alguns atos de piedade, praticados individual ou coletivamente pelos fiéis, são necessários para as receber.

Elas são só para mim, ou eu as posso dar aos outros?

A indulgência plenária é específica ao fiel que a implora, pois “ninguém pode lucrar indulgências em favor de outras pessoas vivas”; logo, não pode ser dada a outro.

Sem embargo do que, a Igreja permite que se aplique as indulgências em sufrágio das almas do Purgatório, pois elas nada podem fazer por si próprias, mas dependem de nós, os seus únicos intercessores, além da misericórdia divina.

Objetos e locais relacionados às indulgências

Concede-se indulgência plenária ao “cristão que usa objetos de piedade com devoção (cruz, rosário, escapulário, medalha) devidamente abençoados pelo Sumo Pontífice ou por qualquer Bispo, podendo alcançar a indulgência plenária na solenidade de São Pedro e São Paulo, por exemplo, – festa que se celebrará dentro em breve –, desde que recite devidamente sua profissão de fé”.[2]

Também se recebe indulgências plenárias “visitando igrejas ou oratórios e neles recitando a oração dominical (o Pai-nosso) e o símbolo dos Apóstolos (Creio), em conjunto ou particularmente”.[3]

Mas, então, eu posso receber uma indulgência plenária?!

Para que alguém possa receber uma indulgência plenária é necessário somente: “ser batizado, encontrar-se em estado de graça e não estar excomungado”. Deve-se também ter “repulsa de todo afeto a qualquer pecado, além de se confessar sacramentalmente, comungar da eucaristia e rezar nas intenções do Sumo Pontífice (um Pai-nosso e uma Ave-Maria)”.[4]

Eu preciso fazer tudo isso no mesmo dia?

Não é necessário cumprir todos estes pontos no mesmo dia. Essas condições “podem ser cumpridas em vários dias, antes ou depois da obra prescrita; convém, entretanto, que a comunhão e a oração se pratiquem no próprio dia em que a obra foi executada”, a fim de que não se corra o risco de esquecer.

Quantas indulgências eu posso receber?

Só se pode receber “uma indulgência plenária por dia”, a menos que o fiel se encontre em convalescença (em artigo de morte), podendo receber “mais de uma ao dia, mesmo já tendo recebido outra neste mesmo dia”. As indulgências parciais, entretanto, podem ser recebidas várias vezes ao dia.

Solenidade do Sagrado Coração de Jesus: ocasião para se receber uma indulgência plenária

Na Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, cuja festa celebramos hoje, a Igreja, valendo-se do seu poder de abrir e fechar as comportas da bondade divina, concede aos fiéis a indulgência plenária aos que simplesmente recitarem publicamente o Ato de Reparação às ofensas que são cometidas contra o seu Bondosíssimo Coração.

Tal oração, composta por São Clemente Maria Hoffbauer, trouxe para a Igreja inúmeros favores, desde a data de sua primeira publicação. Razão pela qual fora adotada como meio de conceder aos fiéis, na solenidade do Sagrado Coração de Jesus, a Indulgência plenária, como mais uma demonstração do inesgotável tesouro de afeto de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Portanto, para almas sedentas do perdão divino e desejosas de um remédio espiritual, por que não recorrer a este lenitivo tão ao nosso alcance?[5]

O Ato de Reparação

“Ó dulcíssimo Jesus, como estou envergonhado de me ver tão diferente de Vós! Mas já que acolheis os maiores pecadores, quando se arrependem, fazei que de hoje em diante eu não seja mais assim. Dai-me, ó Senhor, assim como fizestes com todos os pecadores arrependidos, um coração semelhante ao vosso. Dai-me um coração humilde, amante da vida oculta e desprezada, mesmo no meio das honras terrestres; um coração paciente, resignado em todas as contrariedades, por mais penosas que sejam; um coração pacífico, que guarde sempre uma inalterável paz com o próximo e consigo mesmo. Dai-me um coração amante da oração, que goste de entregar-se frequentemente a este santo exercício; e tenha só um desejo, o de ver Deus conhecido, amado e louvado por todas as criaturas; um coração ao qual nada desagrade, senão ver Deus ofendido; que nada odeie, senão o pecado; que não tenha outro desejo no mundo, senão onde promover a glória de Deus e a salvação do próximo. Dai-me um coração reconhecido, que nunca se esqueça dos benefícios divinos e saiba sempre estimá-los devidamente; um coração forte e corajoso, que não tenha medo de mal algum e suporte tudo por amor do seu Deus; um coração benéfico para com todos os necessitados e cheio de compaixão pelas almas do Purgatório; por fim, um coração perfeitamente regrado, cujas alegrias e tristezas, repugnâncias e desejos, movimentos e aspirações sejam todos conformes com a vontade divina. Numa palavra, dai-me, ó meu Jesus, um coração todo semelhante ao vosso. Fazei-o pelo amor de vossa e minha querida Mãe, Maria Santíssima”. Amém.

Por Gabriel Ferreira

[1] Cf. Manual das Indulgências: 3ª ed., maio de 1986. Tradução CNBB.

[2] Ibid.

[3] Ibid.

[4] Ibid.

[5] Cabe ressaltar que as indulgências não produzem o perdão dos pecados, obtido unicamente através do sacramento da confissão, mas apenas apagam a dívida estabelecida com o ofendido, Deus, atenuando ou suprimindo as penas que seriam impostas ao pecador, após a sua morte. Para melhor entendê-lo, um exemplo: Um menino desobedece a seu pai ao brincar de bola dentro de casa, e suja as paredes de seu quarto, além de quebrar o vidro da janela. Após a repreensão do pai, arrepende-se e pede-lhe perdão. Ora, seu pai o perdoa, mas a consequência da desobediência é inevitável: é preciso limpar a parede, repor os vidros, etc. Para “pagar esses reparos”, somente recorrendo a meios eficazes, como sua Mãe – e eis aqui o papel da Igreja –, com vistas a conseguir pagar aquela dívida estabelecida com o pai.

Portanto, apesar de apagado o pecado pela confissão, é necessário que os fiéis recorram aos bondosos auxílios da Igreja, através das indulgências, para sanar quaisquer dívidas que possamos ter contraído com Deus ao longo de nossa vida.

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