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Independência e submissão se contradizem?

Nosso século, tão sôfrego de liberdade e independência, é quase incapaz de compreender as vantagens de um homem que se submete à sabedoria e à superioridade de outrem.

Redação (04/04/2021 10:12, Gaudium Press) Havia em fins do século XIX, no sul da Itália – terra onde os predicados artísticos são tão abundantes quanto os culinários – um simples, mas muito talentoso cantor de rua que fazia a vida cantando em cafés da célebre cidade de Nápoles.

Sua magnífica voz atraía todos os que por ali passavam desejosos de deleitar o espírito, enquanto saciavam o paladar. Seu nome era Enrico Caruso.

No conceito de seus assistentes, e até mesmo no próprio, ele demonstrava grande capacidade, contudo não era senão mais um mero músico amador cantando para sobreviver.

Não pensou desta maneira Guglielmo Vergine, um professor de canto mundialmente famoso, quando ouviu a voz de Caruso. Pelo contrário, vislumbrou nele uma grande carreira musical em potência. Então mandou chamá-lo e disse-lhe:

 “Sua voz é de primeira ordem, e eu tenho a possibilidade de transformá-lo no maior cantor do mundo. Mas para que isso suceda é preciso uma coisa: você se formou nesse ambiente aqui, que não é o ambiente de artistas especializados, e institivamente você foi cantando o suficiente para que o pessoal da rua bata palmas; eles não entendem de música, eu entendo. Se você se dispuser a ser um aluno meu com toda a docilidade e mudar o seu estilo de cantar completamente, você será um grande músico. Entretanto, para isso é preciso abandonar a maneira errada de cantar e aceitar um modo certo. Quando eu soltar você no primeiro teatro, vai ser um estouro internacional, e até sua morte vão ser palmas, palmas e palmas”.

Caruso aceitou submeter-se a longos e dolorosos treinos, nos quais ele teve que abandonar, passo a passo, os critérios musicais que tinha adquirido ao longo de anos de prática nos cafés.

Depois de 2 anos desse constante martírio, ele fez sua primeira apresentação profissional no famoso teatro Scala de Milão, que quase veio abaixo pelas palmas e exclamações.

A partir de então, sua fama não fez senão crescer e rapidamente seu nome tornou-se conhecido em todas as principais cidades da Europa e do Mundo.

Sem dúvida, o que sua celebridade lhe obteve de mais precioso foi ter conquistado o que bem explicitou um pensador de seu tempo:

“Passaram guerras, passaram revoluções, caíram os impérios, entraram em crise as repúblicas, aconteceu de tudo. Só duas coisas não aconteceram: o mundo não acabou e a glória de Caruso não morreu. Por quê? Porque Caruso soube entregar-se nas mãos de um homem e passar ele mesmo por esse tormento”.

 

Por Daniel Filipe Menezes

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