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Incêndio de Notre-Dame um ano depois: as suas origens “continuam misteriosas”

Notre-Dame era reconhecida como o refúgio do povo francês em situações de epidemia. Após um ano do misterioso incêndio, a quarentena obrigatória traz novas reflexões.

Paris (19/04/2020 09:36, Gaudium Press) A Catedral de Notre-Dame de Paris é um dos monumentos mais representativos da arquitetura e da religiosidade católica. Era para lá que se dirigia o povo francês para pedir a intercessão da Virgem Maria junto a seu Filho, em situações de tragédia, como no caso de uma epidemia, mas também em situações de grandes comemorações, como a vitória em guerras. Plinio Corrêa de Oliveira denominou a catedral como a “alegria do mundo inteiro”.

Notre-Dame: refúgio do povo durante epidemias e centro de comemorações

Em 1347, depois de a peste negra assolar Marseille e chegar a Paris, o povo recorreu a Notre-Dame: as pessoas estavam convencidas que a melhor arma para vencer a guerra contra uma doença era a oração. Pois bem, neste ano de 2020, por causa da pandemia e graças aos danos causados pelo próprio incêndio, não foi possível, talvez por primeira vez, recorrer à tradicional intercessão da Virgem na catedral que leva o seu nome.

Em outros tempos, a catedral assistiu São Luís entrar solenemente em procissão, com os pés descalços portando a relíquia da Santa Cruz em 1239; resistiu à implacável sanha dos sicários da Revolução Francesa; mas também ouviu o Te Deum, celebrando a vitória da França na Primeira Guerra. Hoje, porém, jaz em silêncio aguardando a reconstrução prometida pelo governo francês após o paradigmático incêndio de 15 de abril de 2019: o incêndio do século. Emmanuel Macron prometeu reconstruir em cinco anos, mas o confinamento pode atrasar ainda mais essa promessa. O tempo dirá.[1]

Terrorismo, ato anticristão, acidente?

Com efeito, é impossível, nas atuais circunstâncias, prever a data para a sua reconstrução e consequente reabertura da catedral. Pior: sequer se conhece ainda as causas do incêndio. Sim, após mais de ano daquela emblemática tragédia, ainda desconhecemos as suas origens.

A revista Le Figaro dessa semana estampou num artigo: “As origens do incêndio do século continuam misteriosas”.[2] Comenta ainda a reportagem de Cyril Hofstein: “Acidente, ato de vandalismo anticristão, pista criminosa, ataque terrorista? Tudo foi considerado. Desde o mais louco até o mais nebuloso”.[3] Mas ainda nada de conclusivo…

Já ​Rémi Desalbres, presidente da Associação dos Arquitetos do Patrimônio (francês), em entrevista à revista semanal Marianne comenta: “As hipóteses sobre a origem do incêndio evocam uma ponta de cigarro ou um curto-circuito elétrico. Para a maioria dos especialistas, em particular para os arquitetos especializados em monumentos históricos, essas hipóteses nos parecem pouco convincentes”.[4] Com efeito, as investigações avançam muito lentamente.

Situação atual não nos impede de recorrer a Notre-Dame

Os inquéritos, de fato, ainda não levaram a nenhuma conclusão a respeito das causas do incêndio. Sabemos, porém, que é muito simbólico que, por primeira vez, não é possível recorrer fisicamente a Notre-Dame numa situação calamitosa, como a que hoje vivemos com a pandemia.

Mas isso não impede que Notre-Dame (Nossa Senhora, em francês) possa intervir junto a seu Filho no rumo dos acontecimentos. Basta recorrer a Ela como sempre fizeram os franceses no passado. (LFR).


[1] Sobre isso, cf. SÉVILLIA, Jean. Notre-Dame de France. Le Figaro Magazine, 17 abr. 2020, p. 49-51.

[2] HOFSTEIN, Cyril. Les origines de “L’incendie Du Siècle” demeurent mystérieuses. Le Figaro Magazine, 17 abr. 2020, p. 48.

[3] Ibid.

[4] FAUJOUR, Mikaël. Notre-Dame: un an après l’incendie, la combustion lente « reste l’hypothèse la plus vraisemblable » In : https://www.marianne.net/culture/notre-dame-un-apres-l-incendie-la-combustion-lente-reste-l-hypothese-la-plus-vraisemblable

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